Alvo de denúncia, ministro Wagner Rossi (Agricultura) vai ao Congresso para se explicar e desqualifica acusador, um ex-diretor da Conab demitido por irregularidade. Adversários de Dilma Rousseff evitam questionar fatos denunciados e optam por defesa genérica de CPIs. Para aliados da presidenta, oposição tenta fugir do debate econômico e de combate à miséria. Depoimento, acompanhado pela Controladoria Geral da União (CGU), deve ajudar Rossi, que foi indicado pelo vice de Dilma, Michel Temer, a se segurar no cargo.
André Barrocal
BRASÍLIA – Acusado de corrupto por um ex-subordinado demitido por ato ilegal, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), foi nesta quarta-feira (03/08) ao Congresso para se defender e, pelo comportamento dos adversários do governo Dilma Roussef durante o depoimento, parece ter conseguido caracterizar as denúncias como frágeis e fruto apenas de “ressentimento”.
Em mais de quatro horas, Rossi tentou rebater ponto a ponto dois casos de suposta irregularidade nos quais estaria envolvido - se não diretamente, ao menos como autoridade máxima na área agrícola do governo. Ao mesmo tempo, procurou desqualificar o acusador, o ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto.
Aparentando não ter informações e condições de explorar os dois casos, a oposição optou por não entrar em detalhes sobre as histórias. Em vez disso, os líderes de PSDB e DEM preferiram defender, genericamente, a abertura de CPIs para investigar todos os casos de corrupção que, acham, estariam se avolumando.
O depoimento de Rossi, dado à Comissão de Agricultura da Câmara, foi acompanhado, por mais de uma hora, por um representante da Controladoria Geral da União (CGU). O técnico da CGU anotou declarações do ministro e dos parlamentares. Nesta terça-feira (02/08), a CGU abriu sindicância para apurar as acusações contra Rossi e a irregularidade que custou o emprego de Oscar Jucá Neto.
No depoimento, o ministro da Agricultura, que foi indicado pelo vice de Dilma, Michel Temer, disse que Oscar Jucá foi exonerado por um “mal feito gravíssimo”, o pagamento de uma dívida da Conab com dinheiro destinado a uma outra finalidade. Segundo Rossi, o ex-diretor é hoje uma “pessoa certamente ressentida” e, agora, “tenta um movimento conhecido: transformar um caso administrativo (…) num caso político”.
Depois da demissão, o ex-diretor afirmou a uma revista que a Conab vendeu terreno em Brasília por preço abaixo do mercado, para favorecer o comprador. E que Conab e ministério estariam negociando com um credor liquidar uma dívida por valor maior do que o próprio credor cobra na Justiça.
Os líderes na Câmara dos dois principais partidos adversários do governo - Duarte Nogueira (PSDB), Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) e Paulo Abi-Ackel (bloco PSDB-DEM) – não fizeram nenhuma pergunta sobre os dois episódios levantados por Oscar Jucá. Preferiram um discurso mais genérico em favor de CPIs contra o governo.
O mais enfático e explícito foi ACM Neto. Ele reclamou que o governo impede a abertura de CPIs, que para ele seria a única forma de apurar corrupção. No Senado, a oposição chegou a conseguir 27 assinaturas para criar uma CPI (sobre corrupção nos Transportes), mas alguns senadores voltaram atrás. “O governo Dilma já está marcado pela agenda da corrupção”, afirmou.
“A oposição quer mudar a agenda. Não quer discutir guerra cambial, fortalecimento da indústria, combate à miséria. Quer desgastar o governo com CPIs”, rebateu o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). “Não queremos receber lição de moral do Democratas sobre honestidade, fisiologismo e patrimonialismo”, completou.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), até recorreu a um episódio embaraçoso para Dilma, a confissão de voto em José Serra (PSDB) feita pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para defender a “ética” do governo. “Temos ministros que não votaram na Dilma, o que é um exemplo ético e democrático. O que não é democrático é querer fazer CPI sem assinaturas e sem fato determinado”, afirmou.
O resultado do depoimento de Rossi no Congresso deve ajudar o ministro a se sustentar no cargo. A menos que surja um nova reportagem ou se a sindicância da CGU achar alguma ilegalidade praticada por ele.
André Barrocal
BRASÍLIA – Acusado de corrupto por um ex-subordinado demitido por ato ilegal, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi (PMDB), foi nesta quarta-feira (03/08) ao Congresso para se defender e, pelo comportamento dos adversários do governo Dilma Roussef durante o depoimento, parece ter conseguido caracterizar as denúncias como frágeis e fruto apenas de “ressentimento”.
Em mais de quatro horas, Rossi tentou rebater ponto a ponto dois casos de suposta irregularidade nos quais estaria envolvido - se não diretamente, ao menos como autoridade máxima na área agrícola do governo. Ao mesmo tempo, procurou desqualificar o acusador, o ex-diretor financeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) Oscar Jucá Neto.
Aparentando não ter informações e condições de explorar os dois casos, a oposição optou por não entrar em detalhes sobre as histórias. Em vez disso, os líderes de PSDB e DEM preferiram defender, genericamente, a abertura de CPIs para investigar todos os casos de corrupção que, acham, estariam se avolumando.
O depoimento de Rossi, dado à Comissão de Agricultura da Câmara, foi acompanhado, por mais de uma hora, por um representante da Controladoria Geral da União (CGU). O técnico da CGU anotou declarações do ministro e dos parlamentares. Nesta terça-feira (02/08), a CGU abriu sindicância para apurar as acusações contra Rossi e a irregularidade que custou o emprego de Oscar Jucá Neto.
No depoimento, o ministro da Agricultura, que foi indicado pelo vice de Dilma, Michel Temer, disse que Oscar Jucá foi exonerado por um “mal feito gravíssimo”, o pagamento de uma dívida da Conab com dinheiro destinado a uma outra finalidade. Segundo Rossi, o ex-diretor é hoje uma “pessoa certamente ressentida” e, agora, “tenta um movimento conhecido: transformar um caso administrativo (…) num caso político”.
Depois da demissão, o ex-diretor afirmou a uma revista que a Conab vendeu terreno em Brasília por preço abaixo do mercado, para favorecer o comprador. E que Conab e ministério estariam negociando com um credor liquidar uma dívida por valor maior do que o próprio credor cobra na Justiça.
Os líderes na Câmara dos dois principais partidos adversários do governo - Duarte Nogueira (PSDB), Antonio Carlos Magalhães Neto (DEM) e Paulo Abi-Ackel (bloco PSDB-DEM) – não fizeram nenhuma pergunta sobre os dois episódios levantados por Oscar Jucá. Preferiram um discurso mais genérico em favor de CPIs contra o governo.
O mais enfático e explícito foi ACM Neto. Ele reclamou que o governo impede a abertura de CPIs, que para ele seria a única forma de apurar corrupção. No Senado, a oposição chegou a conseguir 27 assinaturas para criar uma CPI (sobre corrupção nos Transportes), mas alguns senadores voltaram atrás. “O governo Dilma já está marcado pela agenda da corrupção”, afirmou.
“A oposição quer mudar a agenda. Não quer discutir guerra cambial, fortalecimento da indústria, combate à miséria. Quer desgastar o governo com CPIs”, rebateu o líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira (SP). “Não queremos receber lição de moral do Democratas sobre honestidade, fisiologismo e patrimonialismo”, completou.
O líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP), até recorreu a um episódio embaraçoso para Dilma, a confissão de voto em José Serra (PSDB) feita pelo ministro da Defesa, Nelson Jobim, para defender a “ética” do governo. “Temos ministros que não votaram na Dilma, o que é um exemplo ético e democrático. O que não é democrático é querer fazer CPI sem assinaturas e sem fato determinado”, afirmou.
O resultado do depoimento de Rossi no Congresso deve ajudar o ministro a se sustentar no cargo. A menos que surja um nova reportagem ou se a sindicância da CGU achar alguma ilegalidade praticada por ele.
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