do PROJETO BRASIL
Pouca gente discorda, hoje, que demorou a decisão do Banco Central, na crise de 2008, em baixar os juros.
Custou, e só fez com pressões quase explícitas e longas do Presidente Lula sobre Henrique Meirelles para reduzir a taxa e estimular o crescimento econômico. De Lula e de ministros, como Guido Mantega, da Fazenda.
É verdade que, ao contrário de agora, naquele final de 2008, o consumo já estava em retração.
Lula não sugeriu irresponsabilidade com os gastos. Ao contrário, numa matéria da Folha, conta-se que disse a seus ministros:
-”Se tiver espaço para cortar, vem falar comigo. Quero corte no custeio, na despesa corrente, não no investimento.”
A arrecadação do Governo, como mostra hoje o resultado das contas do Tesouro, segue “bombando”. Em sete meses de 2011 (58% do ano), já se atingiu 80% do superávit orçamentário previsto para 12 meses. E não houve nenhum aumento de imposto, senão para operações cambiais.
Como nem o mais fanático neoliberal pode acreditar que a expansão do superávit siga neste ritmo, o que levaria a superar em 40% a meta de ter resultado nesta conta equivalente a 3% do Produto Interno Bruto – ou seja, passar a meta para 4,4% do PIB – significa que o Governo está fazendo caixa para começar a soltar as amarras do gasto público de qualidade – já que as despesas correntes são de pouca elasticidade, não são significativamente alteráveis em pouco tempo.
Como não é possível que o Ministro Mantega, em três anos, tenha passado de desenvolvimentista a “recessivista”, parece ser evidente que se está jogando numa dupla capacidade de se enfrentar um abalo na demanda interna por conta da crise.
De um lado, cortar a gordura inquestionável dos juros públicos, o que seria uma surpresa se ocorrer na reunião do Conselho de Política Monetária da próxima quarta-feira. De outro, uma aceleração dos investimentos públicos e de outras injeções de recursos do Tesouro, para provocar aquecimento na atividade econômica.
Quem for na onda de uma severa retração da economia no último trimestre do ano tem tudo para errar.
O problema é que as nossas elites econômicas, especialmente as ligadas ao mundo financeiro, não ganham dinheiro com produção e investimento de longo prazo. Ganham dinheiro com os juros públicos e os golpes de esperteza especulativos.
Como em 2009, vão ter de sair correndo atrás do bonde.
Por: Fernando Brito
| Em 2009, em plena recuperação da economia, anunciavam a recessão; agora, encolhem o crescimento: a torcida da roda-presa é barulhenta e organizada |
Custou, e só fez com pressões quase explícitas e longas do Presidente Lula sobre Henrique Meirelles para reduzir a taxa e estimular o crescimento econômico. De Lula e de ministros, como Guido Mantega, da Fazenda.
É verdade que, ao contrário de agora, naquele final de 2008, o consumo já estava em retração.
Lula não sugeriu irresponsabilidade com os gastos. Ao contrário, numa matéria da Folha, conta-se que disse a seus ministros:
-”Se tiver espaço para cortar, vem falar comigo. Quero corte no custeio, na despesa corrente, não no investimento.”
A arrecadação do Governo, como mostra hoje o resultado das contas do Tesouro, segue “bombando”. Em sete meses de 2011 (58% do ano), já se atingiu 80% do superávit orçamentário previsto para 12 meses. E não houve nenhum aumento de imposto, senão para operações cambiais.
Como nem o mais fanático neoliberal pode acreditar que a expansão do superávit siga neste ritmo, o que levaria a superar em 40% a meta de ter resultado nesta conta equivalente a 3% do Produto Interno Bruto – ou seja, passar a meta para 4,4% do PIB – significa que o Governo está fazendo caixa para começar a soltar as amarras do gasto público de qualidade – já que as despesas correntes são de pouca elasticidade, não são significativamente alteráveis em pouco tempo.
Como não é possível que o Ministro Mantega, em três anos, tenha passado de desenvolvimentista a “recessivista”, parece ser evidente que se está jogando numa dupla capacidade de se enfrentar um abalo na demanda interna por conta da crise.
De um lado, cortar a gordura inquestionável dos juros públicos, o que seria uma surpresa se ocorrer na reunião do Conselho de Política Monetária da próxima quarta-feira. De outro, uma aceleração dos investimentos públicos e de outras injeções de recursos do Tesouro, para provocar aquecimento na atividade econômica.
Quem for na onda de uma severa retração da economia no último trimestre do ano tem tudo para errar.
O problema é que as nossas elites econômicas, especialmente as ligadas ao mundo financeiro, não ganham dinheiro com produção e investimento de longo prazo. Ganham dinheiro com os juros públicos e os golpes de esperteza especulativos.
Como em 2009, vão ter de sair correndo atrás do bonde.
Por: Fernando Brito
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