A Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) é a única instituição pública que 
liderou um dos quatro grupos divididos pelo Inep Foto: Roger Pereira/Especial para Terra


ROGER PEREIRA
Direto do Paraná
Ensino médio com cara de universidade, utilizando a mesma estrutura (salas de aula e laboratórios) e o mesmo corpo docente (na maioria mestres ou doutores) dos cursos de graduação e pós-graduação. Esse é o "segredo" da unidade de Curitiba da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) para ter a melhor nota de 2010 no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) entre as escolas que tiveram de 25% e 50% de participação na prova. A instituição é a única pública que liderou um dos quatro grupos divididos pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) no ranking deste ano. Para conhecer a classificação por escola no Enem 2010 acesse a página do Inep (www.inep.gov.br).


Notabilizado por décadas de destaque nos cursos técnicos, o antigo Cefet dedica, hoje, menos de 20% de sua estrutura ao ensino médio. São 1,5 mil alunos nos cinco cursos técnicos oferecidos, em um universo de quase 10 mil alunos no campus Curitiba. Mas, propiciando essa convivência entre universitários e estudantes de ensino médio e ao manter os mesmos docentes da graduação, a instituição consegue se manter entre os ensinos médios com melhor avaliação no País.
"Melhoramos o que já estava bom. Em 2009, erámos a 23ª escola do Brasil, entre 27 mil. Agora, somos a 18ª. Entre as públicas, subimos de terceiro para segundo lugar", comemorou o diretor-geral da UTFPR em Curitiba, Marcos Schiefler Filho.

Aliado ao "ensino puxado" e à formação técnica, outro fator para o bom resultado da UTFPR é o nível dos alunos antes mesmo de ingressar na instituição. Sendo reconhecida como a melhor escola de ensino médio pública da cidade, a UTFPR tem um concorrido processo de seleção com média de 20 candidatos por vaga. "Claro que isso seleciona. Os alunos que ingressam aqui já tem um nível muito bom. Já mostraram ser melhores que vários outros concorrentes", reconheceu o diretor, que contou que o curso técnico de Gestão de Pequenas e Médias Empresas, lançado no ano passado, teve uma concorrência de 45 candidatos por vaga.

A seleção rigorosa também foi a explicação encontrada pelo professor Schiefler para o fato de apenas as escolas federais terem boas notas entre as instituições públicas. "Mas o sistema federal tem tradição de boa educação, de disciplina. As diretrizes nacionais para a educação são rigorosas e o corpo docente é mais qualificado", avaliou. Schiefler lembrou ainda que as instituições públicas federais fazem boa educação a um baixo custo. "Enquanto as escolas particulares cobram mensalidades de mais de R$ 2 mil, esse (R$ 2 mil) é o custo por ano de um aluno nosso", destacou.

Enem por escola
O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep) divulgou nesta segunda as médias das escolas no Enem 2010, de acordo com o número de participantes. No grupo 1, ficaram as escolas (17,8% do total) que tiveram taxa de presença a partir de 75% dos alunos. No 2, aquelas (20,9%) que tiveram média de alunos participantes entre 50% e 74%. No grupo 3, entraram as instituições (33% das escolas) que tiveram participação de 25% a 49% dos estudantes. E no grupo 4, foram listados os colégios (27,4%) com participação de 2% a 24% dos inscritos.

Nesse novo quadro, o colégio privado São Bento, do Rio de Janeiro, foi o que obteve a melhor média entre as escolas do grupo 1. Entre as instituições públicas, o Colégio de Aplicação da Universidade Federal de Viçosa, o Coluni, foi o único a aparecer entre as 10 primeiras. No grupo 2, o colégio Santo Inácio, privado e também do Rio de Janeiro, ficou com a melhor colocação. As escolas particulares, aliás, ocupam todas as primeiras 15 posições. Nesse grupo, o pior desempenho ficou com o Centro de Ensino Ardalião Américo Pires, do povoado de Três Lagoas do Manduca, zona rural do Maranhão.

O grupo 3 foi o único em que a primeira colocação foi ocupada por uma escola pública. A melhor colocação, neste caso, foi da Universidade Tecnológica Federal do Paraná. Já o último lugar, da escola indígena Dom Pedro I, do Amazonas. Entre as escolas com menos de 25% de participação, a líder vem do Estado de São Paulo. O COC, unidade Álvares Cabral, obteve a melhor colocação. Em último lugar ficou o Colégio Estadual Agrovila 08, da Bahia. Novamente, as escolas particulares foram a maioria entre as primeiras colocadas. No top 10, somente

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