do Projeto Nacional

Mesmo com o evidente agravamento da crise e a comprovação de que a economia mundial está mergulhando na estagnação – isso na mais otimista das visões – o pensamento roda-presa não desanima.

Hoje, o Estadão publica matéria insistindo que o Banco Central brasileiro teria sido “heterodoxo” ao reduzir os juros. BCs mundiais divergem do Brasil e não cortam juros, diz o jornal, afirmando que “o Banco Central (BC) brasileiro encontrou respaldo apenas das autoridades monetárias da Armênia, Tunísia e Sérvia, enquanto que outros 15 bancos centrais mantiveram os juros inalterados, não endossando o cenário de forte deterioração da economia mundial(…)”

E quais são só bancos centrais que não cortaram os juros?

O mais importante deles é o BC da União Europeia. E qual é a taxa do BCE? 1,5%, contra uma inflação na zona do Euro de 2,7%. Taxa de juros negativa, portanto.

Adiante, a matéria cita o Banco Central australiano, que manteve a taxa em 4,5%. Lá, a inflação anda a 3% ao ano, o que dá um juro real na faixa de um por cento anual.

Em seguida, cita o nosso vizinho Peru, que não cortou os juros de 4,25% ao ano. Mas a inflação lá está em 3,4%. o que deixa a taxa real perto de 0,5% ao ano.

A seguir, vem na Nova Zelândia, que não deve alterar sua taxa de 2,5%, mais ou menos o valor da inflação local. Juro real zero, portanto

A pergunta é inevitável: como comparar estes juros com a taxa que temos aqui – e baixou apenas de 12,5% para 12%, o que significa juros reais perto de 6%, com aqueles números?!

Será que o “gênio” do jornalismo econômico que escreveu esta barbaridade não entende que não estamos cortando um juro baixo por outro mais baixo ainda, mas um juro extremamente alto por outro que, mesmo algo menor, continua extremamente alto?

É só olhar o gráfico que a Folha publicou outro dia, já depois do corte feito pelo Banco Central daqui, que reproduzimos no post.

Curioso é que na mesma edição do jornal há uma matéria informando que o BC da China, onde os juros estão a 6,5% e a inflação mais ou menos por aí, estuda baixar a taxa de remuneração do capital.

O amestramento da mídia brasileira aos interesses do capital financeiro é, realmente, algo que excede todos os limites da racionalidade.

Por: Fernando Brito

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