Giampaolo Tarantini selecionava e levava garotas de programa para as noitadas e festas do premiê italiano Silvio Berlusconi no palácio Grazioli, residência romana ofertada pelo Estado italiano ao primeiro-ministro, na paradisíaca Villa Certosa, na Sardenha (propriedade privada de Berlusconi).
Os escândalos são conhecidos mundo afora.
Parêntese: os agenciadores de “escorts” para festas em Arcore, com “bunga-bunga”, eram outros. Numa das festas esteve presente uma menor de idade, a marroquina apelidada Ruby Rubacuore. Berlusconi é proprietário de uma cinematográfica casa de campo em Arcore, cidade próxima a Milão.
A última novidade sobre escândalos berlusconianos surgiu diante de investigação paralela àquela voltada a apurar o desfrutamento e incentivo à prostituição por parte do premiê e seu grupo, com destaque à higienista bucal transformada em vereadora (voto distrital em lista e ela compunha lista do partido de Berlusconi) e o jornalista responsável pelo noticiário político do canal televisivo de propriedade de Berlusconi.
O procurador italiano Henry John Woodcok descobriu que Tarantini, de dezembro de 2010 a agosto de 2011, recebia mensalmente de Berlusconi 20 mil euros. Isso fora pagamentos não regulares. No período mencionado, Tarantini teria embolsado perto de 800 mil euros.
Preso preventivamente, Tarantini nega extorquir o premiê. Sua esposa, Angela Devenuto, fala em ajuda financeira. O marido Tarantini justifica o “mensalão” como generosidade de Berlusconi para um conhecido que precisava montar um negócio.
Angela e Tarantini, nos interrogarórios perante a juíza de investigação preliminar, Amelia Primavera, falaram não ser novidade que Berlusconi ajuda a todos: “Berlusconi aiuta tutti”.
Convidada pela juíza Primavera a serem mais explícitos, Tarantini e Angela lembraram de Ruby (a protagonista do caso bunga-bunga e, à época, menor de idade) e de Lele Mora (empresário da noite lombarda e já preso preventivamente).
Diante de novo envolvimento em fatos criminosos, embora dessa vez em posição de vítima de chantagem, Berlusconi deu uma longa entrevista à revista Panorama (uma Veja italiana pela tiragem), que está nas bancas e de editora da sua propriedade.
Na entrevista, Berlusconi nega tenha sido vítima de extorsões promovidas por Tarantini e Angela. O premiê não negou ter dado dinheiro ao casal. Sua justificativa consiste em afirmar que Tarantini, um amigo, estava em dificuldade.
Como dados de procedimento investigativo sigiloso foram revelados na matéria jornalística, o Ministério Público mandou instaurar apuração por crime de “fuga de notícias” reservadas.
Para muitos italianos, Berlusconi é chantageado e nunca manteve amizade com Tarantini. Fala-se que Tarantini sempre recebeu pelo rufianismo promovido e, como obteve algumas informações e detém fotografias, começou a receber o preço estabelecido na extorsão. Não se deve olvidar terem testemunhas (garotas de programa que frequentavam bacanais do premiê) mencionado drogas (cocaína) disponíveis.
PANO RÁPIDO. Berlusconi conduziu a Itália ao caos econômico, pois o Estado gasta mais do que arrecada e faltam postos de trabalho. E as extravagâncias sexuais de Berlusconi, esquecendo-se da sua condição de homem público, fizeram a Itália perder prestígio internacional. Afinal, a Itália virou o Estado governado por um primeiro-ministro objeto de piadas. E Berlusconi faz o mundo rir, sem dimensionar o tamanho da tragédia peninsular.
Wálter Fanganiello Maierovitch
do Sem fronteiras
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