do Projeto Nacional
O presidente Lula fez, ontem, palestra no Sindicato da Indústria de Construção Naval.
E falou de seu orgulho – justificado – de ter reerguido a indústria naval brasileira, que tinha, praticamente, desparecido, depois de ser a segunda maior do mundo, perdendo apenas para a do Japão. 40 mil brasileiros chegaram a trabalhar, em 1974, nos estaleiros nacionais.
Herdamos a tradição armadora de Portugal e tivemos imensos feitos, tanto com o Arsenal de Marinha quanto com o Estaleiro da Ponta da Areia, do visionário barão de Mauá.
Com Vargas, essa indústria avançou, com a construção local de diversos navios para a Marinha de Guerra.
Nos anos 80, porém, essa produção começo a cair e nos anos 90 fecharam os grandes estaleiros, como o Ishikavajima e o Verolme, este em Angra dos Reis.
O que existe agora só pode merecer o nome de renascimento.
Você pode ver na tabela o número de empregos gerados por essa atividade, que, em 2002, tinham se reduzido a pouco menos de dois mil. Nos anos 70 e 80, chegávamos a fazer 50 navios por ano, e a exportar um quinto dessa produção.
E dá para imaginar o que isso poderia ser se não fosse a infeliz decisão, tão combatida por Lula, tomada pela Vale, ao decidir fazer no exterior seus doze supernavios, cada um deles de 400 mil toneladas de porte bruto, perfazendo um total de 4,8 milhões de TPB.
Equivaleria, simplesmente, a um acréscimo de 80% em nossa produção naval.
E ainda seria muito pouco, porque o país tem um déficit – valor do ano passado – de US$ 6,4 bilhões em sua balança de pagamentos com o pagamento de fretes internacionais, grande parte deles navais.
Mas não perdemos apenas empregos e dinheiro. Perdemos conhecimento no setor, que já foi avançadíssimo. Hoje, boa parte do que fazemos é baseado em projetos estrangeiros, porque perdemos a massa crítica de conhecimento que mais de 15 anos de retração da indústria nos levaram.
Países que dependem da navegação – pesqueira, petroleira e de transporte de cargas e pessoas – como a Noruega, uma das líderes do setor naval, federalizaram a formação de pessoal de engenharia e de operação.
O Brasil está se reerguendo na construção naval, mas tem de pensar grande para ser, de novo, grande nesta área.
Hoje os jornais anunciam a volta da Ishikawajima (agora com o nome de IHI) ao Brasil, de onde saiu nos anos 90, deixando um imenso estaleiro abandonado na Ponta do Caju, no Rio de Janeiro.
Por anos, quem passava pela ponte Rio-Niterói via quebrada e caída a lança gigantesca de um imenso guindaste do estaleiro, uma metáfora de aço da decadência da indústria naval.
Agora, quem passar por lá vai ver um trabalho intenso de recuperação, que começou com a recomposição do atracadouro. Arrendado pela Petrobras e rebatizado de estaleiro Inhaúma, ali serão convertidos em plataformas flutuantes de petróleo quatro grandes navios, que se tornarão os chamados FPSO (Floating Production Storage and Offloading).
Quer ter uma ideia do que isso representa? Cada um destes cascos de navio ( superpetroleiros que se tornaram deficitários para a navegação convencional) custa US$ 30 milhões.
Já sua restauração e transformação em plataformas de petróleo pode chegar a custar mais de US$ 1 bilhão.
É essa “bagatela” que passa a ser gasta aqui, com a recuperação de nossa capacidade industrial.
Por: Fernando Brito
O presidente Lula fez, ontem, palestra no Sindicato da Indústria de Construção Naval.
E falou de seu orgulho – justificado – de ter reerguido a indústria naval brasileira, que tinha, praticamente, desparecido, depois de ser a segunda maior do mundo, perdendo apenas para a do Japão. 40 mil brasileiros chegaram a trabalhar, em 1974, nos estaleiros nacionais.
Herdamos a tradição armadora de Portugal e tivemos imensos feitos, tanto com o Arsenal de Marinha quanto com o Estaleiro da Ponta da Areia, do visionário barão de Mauá.
Com Vargas, essa indústria avançou, com a construção local de diversos navios para a Marinha de Guerra.
Nos anos 80, porém, essa produção começo a cair e nos anos 90 fecharam os grandes estaleiros, como o Ishikavajima e o Verolme, este em Angra dos Reis.
O que existe agora só pode merecer o nome de renascimento.
Você pode ver na tabela o número de empregos gerados por essa atividade, que, em 2002, tinham se reduzido a pouco menos de dois mil. Nos anos 70 e 80, chegávamos a fazer 50 navios por ano, e a exportar um quinto dessa produção.
E dá para imaginar o que isso poderia ser se não fosse a infeliz decisão, tão combatida por Lula, tomada pela Vale, ao decidir fazer no exterior seus doze supernavios, cada um deles de 400 mil toneladas de porte bruto, perfazendo um total de 4,8 milhões de TPB.
Equivaleria, simplesmente, a um acréscimo de 80% em nossa produção naval.
E ainda seria muito pouco, porque o país tem um déficit – valor do ano passado – de US$ 6,4 bilhões em sua balança de pagamentos com o pagamento de fretes internacionais, grande parte deles navais.
Mas não perdemos apenas empregos e dinheiro. Perdemos conhecimento no setor, que já foi avançadíssimo. Hoje, boa parte do que fazemos é baseado em projetos estrangeiros, porque perdemos a massa crítica de conhecimento que mais de 15 anos de retração da indústria nos levaram.
Países que dependem da navegação – pesqueira, petroleira e de transporte de cargas e pessoas – como a Noruega, uma das líderes do setor naval, federalizaram a formação de pessoal de engenharia e de operação.
O Brasil está se reerguendo na construção naval, mas tem de pensar grande para ser, de novo, grande nesta área.
Hoje os jornais anunciam a volta da Ishikawajima (agora com o nome de IHI) ao Brasil, de onde saiu nos anos 90, deixando um imenso estaleiro abandonado na Ponta do Caju, no Rio de Janeiro.
Por anos, quem passava pela ponte Rio-Niterói via quebrada e caída a lança gigantesca de um imenso guindaste do estaleiro, uma metáfora de aço da decadência da indústria naval.
Agora, quem passar por lá vai ver um trabalho intenso de recuperação, que começou com a recomposição do atracadouro. Arrendado pela Petrobras e rebatizado de estaleiro Inhaúma, ali serão convertidos em plataformas flutuantes de petróleo quatro grandes navios, que se tornarão os chamados FPSO (Floating Production Storage and Offloading).
Quer ter uma ideia do que isso representa? Cada um destes cascos de navio ( superpetroleiros que se tornaram deficitários para a navegação convencional) custa US$ 30 milhões.
Já sua restauração e transformação em plataformas de petróleo pode chegar a custar mais de US$ 1 bilhão.
É essa “bagatela” que passa a ser gasta aqui, com a recuperação de nossa capacidade industrial.
Por: Fernando Brito
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