do Projeto Nacional
O preço da insensatez do combate incessante à Petrobras feito pela nossa imprensa pode ser sentido com a matéria e o gráfico que a Folha de S. Paulo publica hoje.
Nada menos que 20 empresas chinesas da cadeia de suprimento da indústria de petróleo e gás pretendem, segundo o jornal, instalar-se no Brasil este ano, de olho em encomendas de equipamentos e serviços que podem chegar a US$ 400 bilhões nos próximos nove anos.
Ainda que possa haver um pouco de exagero nos números, é um movimento gigantesco.
O Brasil, porém, parece que não se deu conta desta importância. Nossa imprensa e boa parte dos políticos continua mais preocupada com a divisão dos royalties do petróleo do que com a imensa máquina econômica que ele coloca em movimento.
Nós, ao contrário dos chineses, não temos uma política de permitir que estes fornecedores cheguem aqui sob a forma dejoint-ventures – associações empresariais sem aquisição ou controle de uma pela outra – com empresas nacionais, que permitam o desenvolvimento econômico e tecnológico de empresas brasileiras na área de metal-mecânica e de aços especiais, fortemente desnacionalizadas durande a década de 90.
Os esforços, nesta área, se resumem ao trabalho da Petrobras, apoiada pelo BNDES, na tentativa de formar um parque de fornecedores nacionais. Esforços imensos, como o feito para a produção pelo Brasil de sondas de águas profundas, são tratados, senão com indiferença, até com hostilidade por muitos setores empresariais e da mídia.
É o caso da desconhecida Sete Brasil. Foi preciso que a Petrobras e o BNDES fizessem quase uma “vaquinha” para que os bancos Santander, Bradesco, BTG Pactual e Caixa Econômica Federal, e os fundos Previ, Petros, Funcef, Valia e Lakeshore Financial Partners Participações formassem uma empresa e topassem entrar num grande negócio, em associação com Estaleiro Atlântico Sul: o de produzir aqui os navios sonda para explorar o que é certo existir: um mar de petróleo no pré-sal.
Em lugar de isso ser saudado como uma grande vitória do país, a reação é a de alegar que seria “desperdício”, porque as primeiras unidades vão custar mais 10 ou 15% do que a simples aquisição externa, sem considerar que não apenas os recursos ficam aqui como, sobretudo, fica o aprendizado de como fazer estes equipamentos.
Não temos, infelizmente, um empresariado capaz ou uma elite interessada em fazer o que os próprios chineses fazem por lá em relação às empresas estrangeiras: sejam bem vindas, trabalhem aqui, mas trabalhem conosco. Não há uma empresa que se instale na China que não tenha de cumprir exigências de associações locais ou adequação de produtos. E não é por isso que as gigantes mundiais deixam de se instalar por lá. E quando se aventuram pelo mundo, alguém duvida que o fazem com incentivo e subsídio de seu governo?
Aqui, a conversa é outra. A simples exigência de conteúdo nacional e inovação tecnológica já “espanta” o empresariado, mesmo quando é incentivada por desonerações fiscais. Querem menor carga tributária, querem pessoal qualificado, querem competitividade mas, salvo exceções admiráveis, querem tudo isso sem investimento. E o nosso setor financeiro, que está corado e cheio de recursos, foge como o diabo da cruz de investir na produção.
A preocupação de suas diretorias “profissionais” é apenas a lucratividade imediata – o “retorno aos acionistas” – que deixa de ver a importância de negócios que, embora de lenta maturação, são sustentáveis, lucrativos e estratégicos.
O caso da encomenda de 12 supergranaleiros – os maiores do mundo – feita no exterior pela Vale é emblemático. Por uma pequena economia imediata e um prazo menor, deixaram de ser sócios da indústria naval brasileira, vendendo seu próprio ferro – e aço, se quisessem investir – para a fabricação dos navios.
Os nossos nossos “espertos”, a médio prazo, são muito otários.
Por: Fernando Brito
O preço da insensatez do combate incessante à Petrobras feito pela nossa imprensa pode ser sentido com a matéria e o gráfico que a Folha de S. Paulo publica hoje.
Nada menos que 20 empresas chinesas da cadeia de suprimento da indústria de petróleo e gás pretendem, segundo o jornal, instalar-se no Brasil este ano, de olho em encomendas de equipamentos e serviços que podem chegar a US$ 400 bilhões nos próximos nove anos.
Ainda que possa haver um pouco de exagero nos números, é um movimento gigantesco.
O Brasil, porém, parece que não se deu conta desta importância. Nossa imprensa e boa parte dos políticos continua mais preocupada com a divisão dos royalties do petróleo do que com a imensa máquina econômica que ele coloca em movimento.
Nós, ao contrário dos chineses, não temos uma política de permitir que estes fornecedores cheguem aqui sob a forma dejoint-ventures – associações empresariais sem aquisição ou controle de uma pela outra – com empresas nacionais, que permitam o desenvolvimento econômico e tecnológico de empresas brasileiras na área de metal-mecânica e de aços especiais, fortemente desnacionalizadas durande a década de 90.
Os esforços, nesta área, se resumem ao trabalho da Petrobras, apoiada pelo BNDES, na tentativa de formar um parque de fornecedores nacionais. Esforços imensos, como o feito para a produção pelo Brasil de sondas de águas profundas, são tratados, senão com indiferença, até com hostilidade por muitos setores empresariais e da mídia.
É o caso da desconhecida Sete Brasil. Foi preciso que a Petrobras e o BNDES fizessem quase uma “vaquinha” para que os bancos Santander, Bradesco, BTG Pactual e Caixa Econômica Federal, e os fundos Previ, Petros, Funcef, Valia e Lakeshore Financial Partners Participações formassem uma empresa e topassem entrar num grande negócio, em associação com Estaleiro Atlântico Sul: o de produzir aqui os navios sonda para explorar o que é certo existir: um mar de petróleo no pré-sal.
Em lugar de isso ser saudado como uma grande vitória do país, a reação é a de alegar que seria “desperdício”, porque as primeiras unidades vão custar mais 10 ou 15% do que a simples aquisição externa, sem considerar que não apenas os recursos ficam aqui como, sobretudo, fica o aprendizado de como fazer estes equipamentos.
Não temos, infelizmente, um empresariado capaz ou uma elite interessada em fazer o que os próprios chineses fazem por lá em relação às empresas estrangeiras: sejam bem vindas, trabalhem aqui, mas trabalhem conosco. Não há uma empresa que se instale na China que não tenha de cumprir exigências de associações locais ou adequação de produtos. E não é por isso que as gigantes mundiais deixam de se instalar por lá. E quando se aventuram pelo mundo, alguém duvida que o fazem com incentivo e subsídio de seu governo?
Aqui, a conversa é outra. A simples exigência de conteúdo nacional e inovação tecnológica já “espanta” o empresariado, mesmo quando é incentivada por desonerações fiscais. Querem menor carga tributária, querem pessoal qualificado, querem competitividade mas, salvo exceções admiráveis, querem tudo isso sem investimento. E o nosso setor financeiro, que está corado e cheio de recursos, foge como o diabo da cruz de investir na produção.
A preocupação de suas diretorias “profissionais” é apenas a lucratividade imediata – o “retorno aos acionistas” – que deixa de ver a importância de negócios que, embora de lenta maturação, são sustentáveis, lucrativos e estratégicos.
O caso da encomenda de 12 supergranaleiros – os maiores do mundo – feita no exterior pela Vale é emblemático. Por uma pequena economia imediata e um prazo menor, deixaram de ser sócios da indústria naval brasileira, vendendo seu próprio ferro – e aço, se quisessem investir – para a fabricação dos navios.
Os nossos nossos “espertos”, a médio prazo, são muito otários.
Por: Fernando Brito
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