do Projeto Nacional
A recuperação das bolsas, a volta do dólar ao nível de R$1,70, dois reflexos do acordo obtido na Europa para a recomposição da dívida da Grécia e de outros países que têm problemas de solvência diante do volume de emissões de títulos públicos já andam fazendo muita gente dizer que a crise acabou, sobretudo porque surgiram, também, sinais pálidos de que a situação econômica dos Estados Unidos, se não apresentou melhoras, também não se deteriorou mais.
Não e é nem será assim, infelizmente.
Primeiro, porque os problemas de endividamento dos Estados europeus não se aliviarão permanentemente com o aporte de US$ 1 trilhão para o Fundo de Estabilização. Ao contrário, os tesouros nacionais assumirão novas dívidas, em melhores prazos e condições, mas sempre novas dívidas e o Fundo servirá para que elas sejam compradas sem serem consideradas “podres”, funcionando como garantias.
Para que se tenha uma ideia, mesmo com o corte de 50% no estoque de dívida pública grega, aceito pelos credores privados – um”default” de 100 bilhões de euros – ela ainda será, se tudo correr dentro dos planos, de 120% do PIB em 2020, proporção perigosa onde estão, hoje, Espanha e Itália.
Permanece, porém, o problema que gerou a situação de pré-insolvência generalizada em diversos países do Euro: a retração das economias.
E neste campo as notícias não são nem um pouco capazes de fornecer esperanças sólidas. As previsões de evolução do PIB caem e a inflação não cede. O desemprego, na Espanha, acaba de atingir a incrível cifra de 21,5%, o que quer dizer mais do que um em cinco trabalhadores sem ocupação. Entre os jovens de até 25 anos, a taxa de desemprego é de incríveis 45%.
Não é preciso muito para ver como isso gera uma instabilidade política difícil de administrar.
Instabilidade que, no extremo, implica na própria continuidade do Euro como moeda de curso em toda a Europa.
No front externo, também não são fortes quais quer sinais positivos. Ao contrário, além da desaceleração assumida pela China, o Japão, que ensaiava uma recuperação pós-tsunami, teve uma expressiva queda em sua produção industrial este mês.
Os europeusse voltam para China e Brasil como fonte dos aportes de capital ao seu Fundo de estabilização, mas nenhum dos dois países fará isso “barato” politica e economicamente.
A China está mais maleável, porque tem posições significativas nas dívidas da Grécia, Portugal e Espanha. Mas o que ela pede, o reconhecimento pleno como economia de mercado na Organização Mundial de Comércio significa a abolição de boa parte das tarifas de importação cobradas nos produtos que exporta antes do prazo (2016) previsto em seu acordo de entrada na OMC. Isso piora as condições de competição das economias européias. E, claro, também, as brasileiras.
A discussão, portanto, é bem mais complexa do que o Brasil se dispor a colocar dinheiro neste Fundo, mas como e em que condições de negociação mundial.
Por: Fernando Brito
A recuperação das bolsas, a volta do dólar ao nível de R$1,70, dois reflexos do acordo obtido na Europa para a recomposição da dívida da Grécia e de outros países que têm problemas de solvência diante do volume de emissões de títulos públicos já andam fazendo muita gente dizer que a crise acabou, sobretudo porque surgiram, também, sinais pálidos de que a situação econômica dos Estados Unidos, se não apresentou melhoras, também não se deteriorou mais.
Não e é nem será assim, infelizmente.
Primeiro, porque os problemas de endividamento dos Estados europeus não se aliviarão permanentemente com o aporte de US$ 1 trilhão para o Fundo de Estabilização. Ao contrário, os tesouros nacionais assumirão novas dívidas, em melhores prazos e condições, mas sempre novas dívidas e o Fundo servirá para que elas sejam compradas sem serem consideradas “podres”, funcionando como garantias.
Para que se tenha uma ideia, mesmo com o corte de 50% no estoque de dívida pública grega, aceito pelos credores privados – um”default” de 100 bilhões de euros – ela ainda será, se tudo correr dentro dos planos, de 120% do PIB em 2020, proporção perigosa onde estão, hoje, Espanha e Itália.
Permanece, porém, o problema que gerou a situação de pré-insolvência generalizada em diversos países do Euro: a retração das economias.
E neste campo as notícias não são nem um pouco capazes de fornecer esperanças sólidas. As previsões de evolução do PIB caem e a inflação não cede. O desemprego, na Espanha, acaba de atingir a incrível cifra de 21,5%, o que quer dizer mais do que um em cinco trabalhadores sem ocupação. Entre os jovens de até 25 anos, a taxa de desemprego é de incríveis 45%.
Não é preciso muito para ver como isso gera uma instabilidade política difícil de administrar.
Instabilidade que, no extremo, implica na própria continuidade do Euro como moeda de curso em toda a Europa.
No front externo, também não são fortes quais quer sinais positivos. Ao contrário, além da desaceleração assumida pela China, o Japão, que ensaiava uma recuperação pós-tsunami, teve uma expressiva queda em sua produção industrial este mês.
Os europeusse voltam para China e Brasil como fonte dos aportes de capital ao seu Fundo de estabilização, mas nenhum dos dois países fará isso “barato” politica e economicamente.
A China está mais maleável, porque tem posições significativas nas dívidas da Grécia, Portugal e Espanha. Mas o que ela pede, o reconhecimento pleno como economia de mercado na Organização Mundial de Comércio significa a abolição de boa parte das tarifas de importação cobradas nos produtos que exporta antes do prazo (2016) previsto em seu acordo de entrada na OMC. Isso piora as condições de competição das economias européias. E, claro, também, as brasileiras.
A discussão, portanto, é bem mais complexa do que o Brasil se dispor a colocar dinheiro neste Fundo, mas como e em que condições de negociação mundial.
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