do Projeto Nacional
Alguns dias atrás, o Estadão publicou uma matéria sobre os executivos da gigante japonesa Sony que estavam visitando potenciais consumidores de seus eletroeletrônicos nas favelas e bairros da periferia de São Paulo.

Ontem, uma pesquisa do Datapopular mostrou que os empresários brasileiros estão ainda longe dessa preocupação de entender – e atender – a imensa massa que entrou no mundo do consumo com a elevação da renda do brasileiro.

Em matéria publicada pelo Valor Econômico, o diretor do instituto, Renato Meirelles, disse que o comércio não se preparou para este cliente. Acha que ele é atraído basicamente por preço, quando cada vez mais exige também qualidade.

Aliás, outra parte da pesquisa do Datapopular deveria servir de inspiração para fabricantes e vendedores de produtos dirigidos a este segmento de consumidores. Foi publicado pelo IG e diz que dois terços deles se relacionam com vizinhos, enquanto na elite,essa taxa é de 21%. Ou seja, o boca-a-boca é um importante instrumento de marketing, e isso implica valorizar a qualidade dos produtos.
Mais: 62% valorizam os produtos brasileiros muito mais do que os 25% que o fazem nos segmentos mais abastados. Eles são otimistas quanto ao futuro pessoal e ao do país.

Mas existem muitos brasileiros que acham um horror que esta “gente diferenciada” possa consumir.

Os dados são chocantes e estão publicados no UOL: metade das pessoas das classes A/B reclamam que as lojas e cinemas estão muito cheios e pensa que as empresas deveriam oferecer produtos diferentes para ricos e para pobres.

Mas é ainda pior: uma parcela expressiva defende um verdadeiro apartheid social: “para 16,5% dos integrantes da classe média tradicional, pessoas malvestidas deveriam ser barradas em alguns estabelecimentos; 26,4% acham que a existência de estações de metrô aumenta a frequência de pessoas indesejáveis em determinadas regiões e, para 17,1%, todos os estabelecimentos deveriam ter elevadores separados”.

Pobre gente rica, que não entende que acha que pode viver numa redoma, enquanto as multidões de pobres deveriam ficar numa selva.

Por sorte, são apenas ecos de um Brasil que já passou.
Por: Fernando Brito

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