do Sul 21


Na Câmara de Porto Alegre, Tariq Ali comparou as lutas dos anos 1960 e 1970 com as atuais, e pediu esforços ofensivos contra o capitalismo: "Hoje, só vemos ações defensivas" | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Samir Oliveira

O ativista de esquerda Tariq Ali esteve em Porto Alegre pela terceira vez nesta quarta-feira (16) para participar de debates na Feira do Livro e de uma palestra na Câmara de Vereadores, articulada pela vereadora Fernanda Melchionna (PSOL). O paquistanês comparou o período em que militou na juventude, os anos 1960 e 1970, com o momento atual, e disse que o mundo precisa de mais esforços ofensivos contra o capitalismo. “Naquele momento havia um sentimento ofensivo. Hoje, só vemos ações defensivas. Não há sequer uma lista organizada com demandas”, comentou Tariq, em referência aos protestos que ocorrem nos Estados Unidos, com a ocupação de Wall Street, em Nova York.


O cientista político explicou que, politicamente, o capitalismo se fortalece pelo centro. “Se criou o que chamo de grande centro, que reúne a centro-esquerda e a centro direita. E todos eles governam com os preceitos do capitalismo, mantendo a crença nos mercados”, disse, acrescentando que esse espectro político “adota as práticas capitalistas mais radicais” mesmo sendo de centro.



"Quando há genuínas rebeliões de massa e as pessoas perdem o medo da morte e decidem coletivamente que estão dispostas a morrer em vez de desistirem, milagres podem ser conquistados” | Foto: Ramiro Furquim/Sul21

Tariq comentou também as revoltas que ocorreram nos países árabes e acabaram com a derrubada de ditadores no Egito, na Tunísia e na Líbia. O escritor considera que esses movimentos não ocorreram por causa das redes sociais. “Não foi por causa do facebook, embora essas ferramentas tenham tido alguma importância. Mas as revoltas foram frutos de décadas de exploração.”

O paquistanês avalia que os Estados Unidos subestimaram a intensidade das reivindicações nesses países. “Achavam que poderiam manter os ditadores no poder. Quando há genuínas rebeliões de massa e as pessoas perdem o medo da morte e decidem coletivamente que estão dispostas a morrer em vez de desistirem, milagres podem ser conquistados”, observou.

Comentário(s)

-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;

Postagem Anterior Próxima Postagem

ads

ads