do BOG LADO B




Os deputados paranaenses da base de apoio ao governador Beto Richa (PSDB) protagonizaram um dos piores episódios da história do Paraná ao levantarem as cancelas para a privatização, retomando uma investida neoliberal que começou lá no Governo Lerner. De forma sorrateira, na calada da noite e atropelando a opinião pública, aprovaram por 39 votos contra apenas 8 (os sete da bancada do PT e mais o deputado Rasca Rodrigues, do PV) o projeto de lei 915/2011. Por uma manobra de quem tentou se esconder no plenarinho para votar a matéria em sessão secreta, os deputados aproveitaram a ausência do povo nas galerias do Plenário para liquidarem à toque de caixa a tramitação do projeto. Um desespero só compatível com a ganância pelos rendimentos vantajosos que resultarão dessa “entrega”.


Teve de tudo: protesto, truculência que instigou a invasão do Plenário, fuga, omissão, covardia e muitos deputados só se sentiram confortáveis para se pronunciar em favor da privataria quando o povo havia ido embora. Chegou-se a prometer um acordo para votação apenas do mérito do projeto e deixar para hoje o restante. Mas isso também caiu por terra. Episódios hilários não faltaram: na sessão que iniciou secreta no Plenarinho da Casa, enquanto a base oposicionista aumentava ainda sob o calor da presença do povo nas galerias e tentava impedir quórum à votação, deputados do PMDB, como Luiz Eduardo Cheida, e o maior acusado pelos tucanos de motivar a invasão, deputado Professor Lemos (PT), garantiam o tal número mínimo para retomar os trabalhos atropelar a opinião pública. Lemos estava preocupado em defender um projeto seu vetado pelo governador, como se argumentação naquele momento adiantasse algo. E toda a culpa que tentam lhe imputar para atingir o PT e os movimentos sociais tende a recair apenas na forma de uma perseguição furiosa e pesada contra uma assessora do petista.


O Fórum Popular da Saúde e as entidades presentes no protesto já anunciaram que vão continuar a campanha contra a implantação dessas investidas de privatização dos serviços públicos. Por que tanto medo, tanta manobra e tanta truculência, Beto?




Um episódio triste foi narrado por um funcionário que conversou policiais à paisana, que estavam de prontidão no prédio da ALEP. O funcionário conta que os policiais estavam cansados, pois já haviam, no dia anterior, trabalhado na operação Atletiba e foram recrutados às pressas, tirados da rua, para fazer a segurança da Assembleia. “Tudo pelo social”, disse um deles. Ao que o funcionário rebateu: “só que, hoje, o social está do lado contrário ao que vocês vieram proteger”. Os policiais concordaram. Eles também perceberam que os únicos usuários do SUS ou do SAS que estavam ali eram justamente os manifestantes e os policiais e o quanto havia sido ingrato para eles “ganharem o dia” de trabalho nesta segunda-feira. Os 39 deputados que defenderam com afinco a elevação das cancelas para a privatização, nem sabem do que se trata, a não ser pelos serviços assistenciais que promovem ou, melhor dizendo, que se auto-promovem sobre a dor das pessoas mais carentes. A decisão da calada da noite de ontem ainda vai amargar e muito no bolso do contribuinte e na qualidade do atendimento prestado à população que mais necessita deles. Um retrocesso sem tamanho!

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