do RTP Noticias

A Presidente do Brasil traçou hoje em Caracas uma linha de demarcação entre a América Latina e os “países desenvolvidos”, ao salientar que economias como a do seu país não são responsáveis por uma crise financeira internacional que entrou agora numa “segunda etapa extremamente complicada”. Ao lado do homólogo venezuelano, Hugo Chávez, com quem assinou 11 acordos, Dilma Rousseff falou de “uma crise de absoluta falta de perspetiva”, algo que considera estar patente nas “taxas de desemprego absurdas” da Europa e dos EUA.
Numa era de crise global, o Brasil, a par de outras nações da América Latina, tem constituído, segundo Dilma Rousseff, “um grande fator para aumentar o crescimento económico no mundo e sobretudo nos países em desenvolvimento”. “Não somos culpados desta situação”, enfatizou a Presidente brasileira ao lado de Hugo Chávez. A partir do Palácio Presidencial de Miraflores, na capital venezuelana, Dilma situou o atual abalo financeiro “numa segunda etapa que é extremamente complicada”: uma fase que combina “uma crise das dívidas dos países desenvolvidos” e “uma crise bancária que pode transformar-se numa crise de crédito”.
“O pior efeito de tudo isto são as taxas de desemprego absurdas nos países desenvolvidos e esta será uma crise de absoluta falta de perspetiva. Esta crise trará algumas consequências que considero complicadas para os nossos países”, advertiu Dilma Rousseff, em declarações citadas pela agência Lusa. Para sublinhar que o facto de a América Latina ter “mercados apetecíveis” cria condições para “uma penetração de produtos dos países que estão em crise”.
Na opinião da Presidente brasileira, a robustez económica da América Latina, que “tem mantido uma taxa de crescimento bastante elevada em relação à dos países da Europa, dos Estados Unidos e mesmo em relação à média mundial”, resulta de uma mudança na “conceção de crescimento” no sentido de “uma dinâmica virtuosa”: “Deixámos e abandonámos a tese de que era possível que os nossos países tivessem um crescimento sem que os nossos povos pudessem aproveitar-se dele”.
“Uma integração de outro tipo”
O Brasil admite fazer um contributo adicional para os cofres do FMI, desde que Estados Unidos e Europa façam o mesmoDavid Fernandez, EPA
Numa era de crise global, o Brasil, a par de outras nações da América Latina, tem constituído, segundo Dilma Rousseff, “um grande fator para aumentar o crescimento económico no mundo e sobretudo nos países em desenvolvimento”. “Não somos culpados desta situação”, enfatizou a Presidente brasileira ao lado de Hugo Chávez. A partir do Palácio Presidencial de Miraflores, na capital venezuelana, Dilma situou o atual abalo financeiro “numa segunda etapa que é extremamente complicada”: uma fase que combina “uma crise das dívidas dos países desenvolvidos” e “uma crise bancária que pode transformar-se numa crise de crédito”.
“O pior efeito de tudo isto são as taxas de desemprego absurdas nos países desenvolvidos e esta será uma crise de absoluta falta de perspetiva. Esta crise trará algumas consequências que considero complicadas para os nossos países”, advertiu Dilma Rousseff, em declarações citadas pela agência Lusa. Para sublinhar que o facto de a América Latina ter “mercados apetecíveis” cria condições para “uma penetração de produtos dos países que estão em crise”.
Na opinião da Presidente brasileira, a robustez económica da América Latina, que “tem mantido uma taxa de crescimento bastante elevada em relação à dos países da Europa, dos Estados Unidos e mesmo em relação à média mundial”, resulta de uma mudança na “conceção de crescimento” no sentido de “uma dinâmica virtuosa”: “Deixámos e abandonámos a tese de que era possível que os nossos países tivessem um crescimento sem que os nossos povos pudessem aproveitar-se dele”.
“Uma integração de outro tipo”
Dilma Rousseff está na Venezuela para oficializar a Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos. A poucas horas da cimeira regional, assinou com o Presidente venezuelano um pacote de 11 acordos de cooperação em domínicos como agricultura, habitação, energia e petróleo. Neste último capítulo, ficou decidido que a Corporação Venezuelana de Petróleo e a Oderbrecht, do Brasil, vão erguer uma empresa comum para explorar hidrocarbonetos, ao longo de 25 anos, nos campos venezuelanos de Mara Oeste, Mara Este e La Paz.
Sem se alargar em detalhes, a Presidente do Brasil revelou que o seu país se prepara para “importar 100 mil barris de petróleo” de produção venezuelana. Outro dos “desafios mais importantes” a superar em breve por Brasília e Caracas, acrescentou Dilma, “é a construção da Refinaria Abreu e Lima”, que vai “contribuir para o que deve ser a relação entre os dois países”.
Foi também assinada uma ata de compromisso para a compra, por parte da venezuelana Conviasa à brasileira Embraer, de duas dezenas de aviões 190 AR para ligações comerciais latino-americanas. Outros acordos abrangem a cooperação agrícola, a transferência de tecnologia de televisão digital terrestre para a Venezuela e a colaboração da Caixa Económica do Brasil em programas venezuelanos para a aquisição de casas, a partilha de conhecimento sobre transações financeiras e a formação de funcionários públicos em segurança eletrónica e bancária.
“Nenhum país sairá imune”
Sem se alargar em detalhes, a Presidente do Brasil revelou que o seu país se prepara para “importar 100 mil barris de petróleo” de produção venezuelana. Outro dos “desafios mais importantes” a superar em breve por Brasília e Caracas, acrescentou Dilma, “é a construção da Refinaria Abreu e Lima”, que vai “contribuir para o que deve ser a relação entre os dois países”.
Foi também assinada uma ata de compromisso para a compra, por parte da venezuelana Conviasa à brasileira Embraer, de duas dezenas de aviões 190 AR para ligações comerciais latino-americanas. Outros acordos abrangem a cooperação agrícola, a transferência de tecnologia de televisão digital terrestre para a Venezuela e a colaboração da Caixa Económica do Brasil em programas venezuelanos para a aquisição de casas, a partilha de conhecimento sobre transações financeiras e a formação de funcionários públicos em segurança eletrónica e bancária.
“Nenhum país sairá imune”
Na véspera do encontro entre Dilma Rousseff e Hugo Chávez, o ministro brasileiro das Finanças recebeu em Brasília a diretora do Fundo Monetário Internacional. A quem fez saber que o Brasil e outras grandes economias emergentes estão dispostos a reforçar o financiamento da instituição internacional e assim ajudar a Europa a combater a crise das dívidas soberanas, que é cada vez mais uma ameaça ao crescimento dos denominados BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul). Mas apenas se a Europa “tomar iniciativa e também comparecer” e se houver uma “continuação das reformas nas quotas do FMI”.
“É uma grande satisfação para nós que, desta vez, o FMI venha ao Brasil não para nos dar dinheiro, como no passado, mas para nos pedir para emprestar dinheiro às nações desenvolvidas”, afirmava ontem um sorridente Guido Mantega, ladeado por Christine Lagarde. Os BRICS, frisou o governante brasileiro, “concordaram em acrescentar recursos para o FMI, mas isso está condicionado a uma continuação das reformas nas quotas e à colaboração de outros países, tais como o Estados Unidos e aos próprios países europeus”.
Lagarde preferiu salientar que “nenhum país sairá imune da crise”, embora “alguns” se mostrem “melhor protegidos por sólidos fundamentos económicos”. “E esse é claramente o caso do Brasil”, elogiou a sucessora de Dominique Strauss-Kahn à frente do FMI. O Brasil, continuou a responsável, “está mais protegido do que outros países não só pela força do seu mercado interno, mas também por seguir os três pilares básicos de controlo da inflação, taxa de câmbio flutuante e metas de redução de inflação do défice público”.
“É uma grande satisfação para nós que, desta vez, o FMI venha ao Brasil não para nos dar dinheiro, como no passado, mas para nos pedir para emprestar dinheiro às nações desenvolvidas”, afirmava ontem um sorridente Guido Mantega, ladeado por Christine Lagarde. Os BRICS, frisou o governante brasileiro, “concordaram em acrescentar recursos para o FMI, mas isso está condicionado a uma continuação das reformas nas quotas e à colaboração de outros países, tais como o Estados Unidos e aos próprios países europeus”.
Lagarde preferiu salientar que “nenhum país sairá imune da crise”, embora “alguns” se mostrem “melhor protegidos por sólidos fundamentos económicos”. “E esse é claramente o caso do Brasil”, elogiou a sucessora de Dominique Strauss-Kahn à frente do FMI. O Brasil, continuou a responsável, “está mais protegido do que outros países não só pela força do seu mercado interno, mas também por seguir os três pilares básicos de controlo da inflação, taxa de câmbio flutuante e metas de redução de inflação do défice público”.
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