do Projeto Nacional
A atitude tomada hoje, de forma coordenada, pelos BCs do Canadá, Inglaterra, Japão e Suíça, além do Banco Central Europeu (BCE) e do Federal Reserve (Fed, banco central dos Estados Unidos) de reduzirem o custo das operações cambiais e prometerem medidas para ampliar o crédito mostra que o quadro econômico mundial deteriorou-se gravemente.
Apesar disso, nosso Banco Central andou de freio de mão puxado, baixando só em 0,5% a taxa pública de juros, o que vai obrigar o Ministério da Fazenda brasileiro a adotar medidas mais agressivas para sinalizar um reaquecimento do consumo.
Ou seja, a tibieza do BC brasileiro vai exigir mais ousadia de nosso Governo.
Redução de Imposto sobre Operações Financeiras, ampliação do prazo de recolhimento de impostos cobrados de determinados setores-chaves da economia, atuação mais agressiva dos bancos públicos e outras medidas devem compor o leque de ações do Governo para estimular o consumo.
Essa é a orientação da política econômica que se legitima na escolha eleitoral feita pelos brasileiros na eleição de há um ano atrás.
É evidente que o Banco central não deve ser um office-boy do Governo que integra.
Mas não pode ser mais considerado heresia que ele deixe de se portar como office-boy do mercado financeiro.
Os níveis dos juros reais brasileiros e o impacto monstruoso que eles causam sobre a saúde das finanças públicas e sobre toda a economia, quando nos obrigam a pagar as mais altas taxas reais do mundo aos rentistas – veja o gráfico - e, com isso, nos fazem sufocar a nossa indústria, nossa produção e o consumo podem ser uma herança maldita da explosão de endividamento acontecida a partir de 1994.
Mas não podem ser uma presença eterna.
Cedo ou tarde, teremos de exorcizá-los.
Por: Fernando Brito
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