do Opera Mundi
UBS obtém na Justiça direito de reaver imóvel desocupado; edifício foi usado como centro comunitário e área de eventos e palestras

Roberto Almeida

Imóvel abandonado foi transformado em centro cultural e político, atraindo palestrantes e celebridades, como Tom Yorke, do Radiohead

Os ocupantes do Bank of Ideas, ou Banco das Ideias, uma das mais simbólicas empreitadas do movimento OccupyLSX, foram despejados neste domingo (29/01) do prédio número 29 da Sun Street, no centro de Londres. O imóvel é de propriedade do banco suíço UBS, que obteve na Justiça o direito de retirar os manifestantes. Eles estavam no imóvel há cerca de um mês e meio.


O despejo foi realizado por oficiais de Justiça durante a madrugada. Cerca de 50 manifestantes estavam no prédio. Segundo a rede estatal BBC, duas pessoas foram presas pela polícia na ação. O Bank of Ideas ganhou notoriedade pela audácia do grupo, que tornou o imóvel, então abandonado, em um centro comunitário e uma área de eventos e palestras.

Hoje à tarde, ao fotografar o edifício já desocupado, o Opera Mundi foi abordado por funcionários da empresa de segurança Gurkha, contratados pelo UBS para manter posse do imóvel, e retirado do local. Apenas alguns cartazes colados nos vidros e nas paredes davam sinais de que ali já houve uma ocupação. Não havia manifestantes.

"Nem sei porque retomaram o prédio", disse Arthur, responsável pelo setor de comunicação do Occupy na tarde de hoje, sem revelar seu sobrenome. "O UBS não faz nada ali. Eles podiam ao menos reconhecer que foi o povo que o salvou e retribuir com uma contrapartida social", disse, em referência ao aporte do governo da Suíça no banco durante a crise do subprime, em 2008.

O Bank of Ideas, durante seu funcionamento, atraiu palestrantes da academia e celebridades. Thom Yorke, líder do Radiohead, mostrou simpatia ao movimento Occupy quando tocou um set no porão do edifício, em festa surpresa e fechada, no final do ano passado.

Roberto Almeida


O Occupy entrou no edifício em meados de novembro, sem precisar a data por motivos legais. Seus representantes afirmavam ser "squatters", ou ocupantes de uma área sem uso, o que lhes garantia base legal para permanecer no edifício, desde que o mantivesse em funcionamento.

Despejo

Segundo relato de representantes do Bank of Ideas, publicado no site do movimento, oficiais de Justiça chegaram ao edifício acompanhado de policiais durante a madrugada. Arrombaram a porta e os 50 manifestantes que estavam no local não resistiram e saíram de forma pacífica.

No entanto, o Occupy afirma que, às 4 da madrugada, após o despejo, um dos oficiais de Justiça, acuado por manifestantes na rua, agrediu um jornalista que o questionava sobre a falta de identificação, acelerou o carro e saiu em disparada. Um manifestante continuou agarrado ao capô do carro por pelo menos 50 metros. De acordo com o movimento, a polícia já foi acionada para investigar o caso.

Protestos

O berço do OccupyLSX, em frente à catedral de São Paulo e à Bolsa de Londres, aguarda a Justiça britânica para saber se continua ou não no local. Há uma semana, a City of London Corporation, que detém propriedade de quase todo o centro da capital britânica, conseguiu decisão favorável para retirada das barracas, alegando questões de saúde pública e direito de ir e vir dos pedestres.

Wikicommons
O Occupy entrou com recurso, que pode ser julgado até o final desta semana. No entanto, alguns membros do movimento admitem que a causa está praticamente perdida, já que o mesmo juiz que proferiu decisão desfavorável dirá se o movimento permanece ou não na área.

O OccupyLSX, o mais duradouro movimento anti-ganância em curso, está em frente à catedral de São Paulo desde o dia 15 de outubro. Barracas do movimento ocupam também a Finsbury Square, no centro da capital britânica, o prédio da Corte de Justiça em Old Street e tentou ocupar sem sucesso um prédio abandonado no Barbican, o maior complexo de edifícios do centro de Londres.

"Ainda há muitas áreas a serem ocupadas na cidade, muitos prédios abandonados", diz Arthur, representante do Occupy. "O movimento vai caminhar nessa direção e se manter ativo, mesmo se a Justiça decidir o contrário."

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