do O APEDEUTA
Os jornais de hoje alardeiam: “Calote do consumidor cresce 21,5%, a maior alta desde 2002″.
Pronto, temos uma crise de inadimplência gravíssima, as pessoas, endividadas, não conseguem pagar suas contas, as empresas, sem receber, perdem seu fluxo de caixa, a economia caminha para a crise.
Verdade?
Bem, a notícia toma como base os indicadores do Serasa Experian, uma empresa de cadastro de crédito que, como poucas, sabe explorar a mídia espontânea que seus indicadores lhe dão.
Olhemos, então, o que dizem estes dados, na tabela que acompanha a divulgação do índicee a gente reproduz aí em cima.
E o que aconteceu, segundo o próprio Serasa?
”Em 2011, o valor médio das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), foi de R$ 320,63, o que representou uma queda de 17,3% na comparação com 2010.
Quanto às dívidas com bancos, o valor médio verificado ao longo dos doze meses de 2011 foi de R$ 1.302,12, com redução de 0,7% ante o mesmo acumulado de 2010.
Os títulos protestados, por sua vez, registraram em 2011 um valor médio de R$ 1.372,86, ocasionando um crescimento de 16,0% quando comparado com 2010.
Por fim, os cheques sem fundos tiveram, em 2011, um valor médio de R$ 1.359,19, representando um aumento de 8,4% sobre 2010.”
Pronto, temos uma crise de inadimplência gravíssima, as pessoas, endividadas, não conseguem pagar suas contas, as empresas, sem receber, perdem seu fluxo de caixa, a economia caminha para a crise.
Verdade?
Bem, a notícia toma como base os indicadores do Serasa Experian, uma empresa de cadastro de crédito que, como poucas, sabe explorar a mídia espontânea que seus indicadores lhe dão.
Olhemos, então, o que dizem estes dados, na tabela que acompanha a divulgação do índicee a gente reproduz aí em cima.
E o que aconteceu, segundo o próprio Serasa?
”Em 2011, o valor médio das dívidas não bancárias (cartões de crédito, financeiras, lojas em geral e prestadoras de serviços como telefonia e fornecimento de energia elétrica e água), foi de R$ 320,63, o que representou uma queda de 17,3% na comparação com 2010.
Quanto às dívidas com bancos, o valor médio verificado ao longo dos doze meses de 2011 foi de R$ 1.302,12, com redução de 0,7% ante o mesmo acumulado de 2010.
Os títulos protestados, por sua vez, registraram em 2011 um valor médio de R$ 1.372,86, ocasionando um crescimento de 16,0% quando comparado com 2010.
Por fim, os cheques sem fundos tiveram, em 2011, um valor médio de R$ 1.359,19, representando um aumento de 8,4% sobre 2010.”
Bem, aí você vai olhar qual é o peso de cada modalidade de inadimplência no índice. As dívidas não-bancárias respondem por 39,8% do indicador; as com os bancos, por 48,2%. Já os cheques sem fundo, 10,5% e os títulos protestados, apenas 1,5%.
Portanto, se você aplicar a ponderação que o próprio Serasa define, o resultado é que o valor médio das dívidas decresceu 6,04%, se comparado os anos de 2011 e 2010.
Mas aí você descobre que o indicador mede, na verdade, ” as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias (lojas em geral, cartões de crédito, financeiras, prestadoras de serviços como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia etc.)
O que, claro, não mede nada, porque você não pode considerar aumento da inadimplência em números absolutos, porque senão três carnês de R$ 20 em atraso representam uma inadimplência maior do que uma prestação vencida de 500 reais. Principalmente porque você tem, com a bancarização da população e o crescimento do crédito uma base cada vez maior de operações de crédito.
O próprio Serasa sabe e diz que não há qualquer bolha de cre´dito no Brasil e muito menos seu estouro. O próprio Serasa já advertiu que a tendência de inadimplência é decrescente.
Essa é uma das história do catastrofismo nosso da cada dia na mídia.
O mesmo Serasa, em press- release distribuído dois dias antes, registra que o número de falências decretadas no ano de 2011 caiu 30% (de 908 para 641) e o de falência requeridas baixou 27%, de 2.371 para 1.737.
Obviamente, isso não é manchete.
Mas é assim que se constrói boa parte do noticiário econômico no Brasil.
Ano passado, o mundo ia de vento em pôpa, crescendo. E este otimismo era medido aqui: o indicador FGV/Banco Central de confiança do comércio dizia que, de 1244 empresas pesquisadas, 755 delas previam um aumento nas vendas.
Agora, com o mundo mergulhado na crise e a incerteza por toda a parte, 711 – 56,2% - continuam achando que vão vender mais.
E isso é apresentado como um clima de pessimismo.
E aí a gente continua naquele clima de que nada do que fazemos dá certo e o melhor é que alguém tome conta de nós, como incapazes.
Portanto, se você aplicar a ponderação que o próprio Serasa define, o resultado é que o valor médio das dívidas decresceu 6,04%, se comparado os anos de 2011 e 2010.
Mas aí você descobre que o indicador mede, na verdade, ” as variações registradas no número de cheques sem fundos, títulos protestados, dívidas vencidas com bancos e dívidas não bancárias (lojas em geral, cartões de crédito, financeiras, prestadoras de serviços como fornecimento de energia elétrica, água, telefonia etc.)
O que, claro, não mede nada, porque você não pode considerar aumento da inadimplência em números absolutos, porque senão três carnês de R$ 20 em atraso representam uma inadimplência maior do que uma prestação vencida de 500 reais. Principalmente porque você tem, com a bancarização da população e o crescimento do crédito uma base cada vez maior de operações de crédito.
O próprio Serasa sabe e diz que não há qualquer bolha de cre´dito no Brasil e muito menos seu estouro. O próprio Serasa já advertiu que a tendência de inadimplência é decrescente.
Essa é uma das história do catastrofismo nosso da cada dia na mídia.
O mesmo Serasa, em press- release distribuído dois dias antes, registra que o número de falências decretadas no ano de 2011 caiu 30% (de 908 para 641) e o de falência requeridas baixou 27%, de 2.371 para 1.737.
Obviamente, isso não é manchete.
Mas é assim que se constrói boa parte do noticiário econômico no Brasil.
Ano passado, o mundo ia de vento em pôpa, crescendo. E este otimismo era medido aqui: o indicador FGV/Banco Central de confiança do comércio dizia que, de 1244 empresas pesquisadas, 755 delas previam um aumento nas vendas.
Agora, com o mundo mergulhado na crise e a incerteza por toda a parte, 711 – 56,2% - continuam achando que vão vender mais.
E isso é apresentado como um clima de pessimismo.
Por: Fernando Brito

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