do Blog das Frases
As lavouras definharam nos últimos anos; a crise e a especulação nos mercados de commodities fizeram o resto. O alimento importado ficou inacessível a uma renda familiar que gira em torno de US$ 50 a US$ 60 mensais. A privação virou rotina familiar: um dia comem os filhos menores; no outro os maiores e os adultos. Na média, metade da população come apenas uma vez ao dia no Congo. E 1/4 dela a cada dois dias.
O Congo é uma lição de como não fazer uma nação soberana. A primeira iniciativa consiste em terceirizar aos 'livres mercados' áreas essenciais, como a agrícola (mas também o crédito, a política industustrial...). Nas últimas décadas, muitos dirigentes de nações pobres seguiram a mesma receita. Recuaram as fronteiras do Estado e delegaram o abastecimento à oferta just-in-time prometida pelos mercados, a um custo inferior ao do investimento em produção própria.
O raciocínio das vantagens comparativas - como se essas fossem um dado exclusivo da natureza, não também da história - parecia lógico: os congoleses são bons em cavocar minérios; os EUA e a Europa são largamente mais eficientes na técnica agrícola. Em vez de redundância, complementariedade. Basta deixar livres os mercados. O jogo da oferta e demanda faz o resto.
O colapso financeiro e a especulação nas bolsas de futuro implodiram a 'harmonia' neoliberal. Cerca de 31 nações pobres vivem hoje no limiar de um estrangulamento alimentar; outras, como a Somália, já desceram ao inferno. As agências das Nações Unidas, sobretudo seu braço para Agricultura e Alimentação, a FAO, necessitariam pelo menos mais US$ 3 bilhões de ajuda internacional por ano para enfrentar o legado da ficção neoliberal e reorganizar a produção agrícola com planos de segurança alimentar regeneradores. Os países ricos desconversam. Não apenas sobre o adicional. Eles congelaram também os aportes à FAO que tem orçamento de US$ 1 bi para acudir um bilhão de famintos. Um dólar per capta ano para a fome e quantitative easingpara as finanças desreguladas: é essa chave que liga e desliga o rodízio da fome.
A exemplo dos racionamentos de energia, com apagões em dias alternados, bairro a bairro, o metabolismo humano no Congo vive também um rodízio ordenado pela escassez de alimentos. O rodízio da fome foi tema de reportagem do New York Times, que mostrou a prática disseminada na vida de um país rico em minérios, que exporta seu subsolo mas é incapaz de investir mais que 1% do orçamento na superfície agricultável.
As lavouras definharam nos últimos anos; a crise e a especulação nos mercados de commodities fizeram o resto. O alimento importado ficou inacessível a uma renda familiar que gira em torno de US$ 50 a US$ 60 mensais. A privação virou rotina familiar: um dia comem os filhos menores; no outro os maiores e os adultos. Na média, metade da população come apenas uma vez ao dia no Congo. E 1/4 dela a cada dois dias.
O Congo é uma lição de como não fazer uma nação soberana. A primeira iniciativa consiste em terceirizar aos 'livres mercados' áreas essenciais, como a agrícola (mas também o crédito, a política industustrial...). Nas últimas décadas, muitos dirigentes de nações pobres seguiram a mesma receita. Recuaram as fronteiras do Estado e delegaram o abastecimento à oferta just-in-time prometida pelos mercados, a um custo inferior ao do investimento em produção própria.
O raciocínio das vantagens comparativas - como se essas fossem um dado exclusivo da natureza, não também da história - parecia lógico: os congoleses são bons em cavocar minérios; os EUA e a Europa são largamente mais eficientes na técnica agrícola. Em vez de redundância, complementariedade. Basta deixar livres os mercados. O jogo da oferta e demanda faz o resto.
O colapso financeiro e a especulação nas bolsas de futuro implodiram a 'harmonia' neoliberal. Cerca de 31 nações pobres vivem hoje no limiar de um estrangulamento alimentar; outras, como a Somália, já desceram ao inferno. As agências das Nações Unidas, sobretudo seu braço para Agricultura e Alimentação, a FAO, necessitariam pelo menos mais US$ 3 bilhões de ajuda internacional por ano para enfrentar o legado da ficção neoliberal e reorganizar a produção agrícola com planos de segurança alimentar regeneradores. Os países ricos desconversam. Não apenas sobre o adicional. Eles congelaram também os aportes à FAO que tem orçamento de US$ 1 bi para acudir um bilhão de famintos. Um dólar per capta ano para a fome e quantitative easingpara as finanças desreguladas: é essa chave que liga e desliga o rodízio da fome.
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