do BLOG DO MIRO



Por Altamiro Borges

Na semana passada, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) divulgou comunicado oficial em que admitiu o seu erro ao noticiar a ocorrência de mortes durante a violenta ação da PM de São Paulo na desocupação dos moradores do bairro do Pinheirinho, em 22 de janeiro. “Não houve a devida checagem da veracidade da informação sobre supostos mortos na operação”, afirma a nota.
A informação equivocada foi divulgada por vários veículos – chegou até a ocupar a manchete do sítio do UOL, do Grupo Folha. Ela teve como fonte a entrevista do advogado Aristeu César Pinto Neto, presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB de São José dos Campos. Nos dias da desocupação, ele recebeu relatos sobre mortos e feridos e, no calor do confronto, repercutiu as denúncias. Posteriormente, o advogado pediu desculpas pelas acusações, mas não recuou nas críticas à violenta ação da PM.


Urubus da mídia não toleram competição

A EBC, empresa pública responsável pela TV Brasil, Agência Brasil e outros veículos, não vacilou em se retratar. Conforme aponta a nota, não houve má-fé ou interesse político na denúncia, que foi publicada pela agência, mas não foi exibida na TV Brasil. “O que ocorreu foi um erro jornalístico diante de uma situação de poucas e controversas informações em uma situação tumultuada”.

Diante do erro e da retratação pública, os urubus da mídia privada passaram a bombardear a rede pública. “Calunistas” garantem que a EBC visou desgastar o “intocável” governador tucano Geraldo Alckmin, protegido de Deus e seguidor do Opus Dei. Dizem, ainda, que o caso revela a péssima qualidade jornalística do sistema público de comunicação e aproveitam para, pela enésima vez, propor o fechamento da EBC. A “mídia privada” nunca tolerou a concorrência do setor público.

Mídia privada virou latrina

Estes “calunistas” regiamente pagos deveriam, antes, olhar o próprio rabo. Quem são eles para falar de “qualidade jornalística”? A mídia “privada” nativa virou uma latrina. Seus profissionais, totalmente precarizados, fabricam notícias às pressas com o único objetivo de garantir audiência e tiragem. Nas ditaduras que imperam nas redações, eles são forçados a seguir a linha editorial dos patrões. “A única liberdade de imprensa existente nas redações é a dos donos dos jornais”, já havia advertido Cláudio Abramo.

Os erros na cobertura jornalística se acumulam em todas as editoriais, seja nas notícias policiais – inclusive no caso Eloá Pimentel, com o seu sensacionalismo criminoso – ou nas “análises econômicas”, escritas por serviçais dos banqueiros. No terreno da política o que predomina a visão partidarizada dos acontecimentos, com a mídia ocupando o papel de autêntico partido da direita. Diante dos graves e constantes erros, o máximo que as corporações midiáticas fazem é publicar “notinhas” com erratas.

E a desculpa pelas capas da Veja?

Será que um dia, quem sabe, a Folha irá se retratar da capa que exibiu a ficha policial falsa de Dilma Rousseff? Será que ela pedirá desculpas pelo artigo que acusou, sem qualquer prova, o ex-presidente Lula de ter tentado estuprar um companheiro de cela durante a ditadura? Quando o Estadão reconhecerá os abusos nos seus editoriais raivosos, histéricos? Será que a TV Globo pedirá desculpa pela palhaçada da “bolinha de papel” que quase matou José Serra? E a Veja, quando vai se retratar das capas abaixo:




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