Blog do Zé
Presidente da França, Nicolas Sarkozy
Sob o comando da Alemanha da chanceler Ângela Merkel, não sem pagar um preço alto em sua imagem e nas suas relações no futuro, a Europa continua impávida caminhando para a direita. Na sua grande crise, nenhuma luz no fim do túnel.
Pelo contrário, na França, o presidente Nicolas Sarkozy, um derrotado de antemão - já que tenta a reeleição em maio próximo - diz que para não ser amanhã uma Espanha ou uma Grécia, seu país tem que fazer o mesmo que a Espanha e a Grécia fazem. Ou seja, tem que se submeter.
Sim, até a França de Napoleão Bonaparte e Charles de Gaulle, ícones a seu tempo de um país de cabeça erguida, poderoso, orgulhoso de seu status de potência e líder de influência mundial! Parece piada.
Bancos constituem monopólios para impor ditadura financeira
Nesta Europa de hoje, nesta França de Sarkozy, as palavras de ordem são cortar e cortar, tirar direitos, diminuir o custo do trabalho, achatar até o salário mínimo e os benéficos da Previdência, reduzir os gastos e investimentos, derrubando, consequentemente, o consumo e a economia, diminuindo a arrecadação e pagando mais e mais juros pela dívida.
Aqui está o "xis" da questão: pagando mais e mais juros pela dívida, mas salvando os bancos, que se fundem e se associam, quando não se destróem mutuamente. Na Espanha as fusões deixarão apenas cinco grandes bancos. O resultado? Conhecemos aqui no Brasil - monopólio, spreads escandalosos, ditadura financeira, enfim.
Mas, tudo indica, as notas rebaixadas das dívidas soberanas desses países e de seus bancos são apenas um sintoma. A agência de classificação de risco Standard & Poor's rebaixou ontem as dos 15 principais bancos espanhóis. Mais seis países, inclusive Itália e Espanha, tiveram suas notas de risco rebaixadas.
A liquidação dos direitos democráticos, a pior ameaça
A pior ameaça: os bancos já não emprestam e os países continuam insolventes e se afundando mais e mais em recessão. O grave é que ao lado das soluções ortodoxas na área econômica caminha a liquidação de direitos sociais. E pior, de direitos democráticos.
A resposta só podia ser mesmo a rebelião popular desse final de semana na Grécia - 100 mil em protestos nas ruas de Atenas, 50 prédios, históricos inclusive, incendiados - que nossa TV Globo chamou de "atos de vandalismo".
Noticiou como se os protestos populares violentos não fossem parte integrante, quase a principal sequência da Primavera Árabe tão cantada em prosa e verso, a seu modo, pela nossa mídia. Isto sem falar na rebelião ”popular” que fabricaram na Líbia - na verdade para derrubar um governo Kadhaffi, que não lhes interessava.
Globo noticia insurgência popular como "atos de vandalismo"
Pelo tom que imprimem, agora, a seu noticiário sobre a insurgência popular europeia, será que a TV Globo e nossa mídia em geral já esqueceram o que foram obrigadas, ainda que a contragosto, a propagar durante este último ano?
Será que esqueceram o direito sagrado que têm todos os povos de se levantar contra a opressão, em toda e qualquer forma que ela se apresente. Inclusive a financeira e econômica? Esqueceram que o povo tem o direito de se insurgir agora também contra a ameaça de liquidação de seus direitos democráticos?
Foto Roberto Stuckert/PR
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