Carta Maior
Jornalistas, acadêmicos e representantes de organizações estão lançando uma campanha contra o processo de privatização na TV Cultura, de São Paulo. A campanha lançou um manifesto que denuncia a extinção de alguns programas, aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo, mais de mil demissões, enfraquecimento da produção de conteúdo próprio, terceirização da programação sem transparência e sem critérios públicos
Fábio Nassif
São Paulo - Diante da estranha estreia do programa de uma empresa privada de comunicação em um horário nobre da emissora pública paulista Cultura, a própria Folha de S.Paulo, responsável pela ‘TV Folha’, publicou no último domingo (18), na coluna Ombusdman escrita por Suzana Singer, uma autocrítica sobre a falta de justificativa de tal parceria.
“O jornal não explicou direito as bases desse acordo. Trata-se de uma permuta: em troca dos 30 minutos na televisão, a Folha cede páginas de anúncios para a Cultura. As despesas do ‘TV Folha’ são do jornal, mas são compensados pela receita publicitária. (...) Não houve concorrência, mas a Folha não foi a única convidada. ‘Não cabe licitação, porque todos os grandes jornais de São Paulo foram chamados em condições de igualdade’, diz a Cultura. Segundo a emissora, o programa do ‘Estado de S.Paulo’ deve estrear no segundo semestre, o ‘Valor’ ainda não apresentou uma proposta e a revista ‘Veja’ desistiu”, diz trechos do artigo.
No intuito de questionar este processo de privatização, jornalistas, acadêmicos e representantes de organizações estão lançando uma campanha contra a Privataria da Cultura. Um dos primeiros passos foi o envio de um ofício ao Diretor-Presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad, solicitando a abertura de espaços na programação para outras entidades.
O Centro de Estudos Barão de Itararé, que assina o ofício, se apresenta como interessado em pleitear um espaço na programação da emissora. “O Barão e estas entidades seriam inscritas por edital público e a seleção dos programas apresentados seria feita através de pitching”, diz o ofício, que contrapõe o modelo de escolha adotado pela Cultura com as empresas privadas – segundo explicação dessas.
O documento protocolado argumenta que “é missão inalienável da TV pública garantir a diversidade e a pluralidade informativa e cultural, abordando temas de interesse social e local, garantindo a projeção da comunidade em que está inserida para dar visibilidade a questões que, na maioria das vezes, não têm espaço nos veículos comerciais”.
Além disso, a campanha lança um manifesto que denuncia a extinção de alguns programas, aniquilação das equipes da Rádio Cultura e estrangulamento da equipe de jornalismo, mais de mil demissões, enfraquecimento da produção de conteúdo próprio, terceirização da programação sem transparência e sem critérios públicos, entre outros. E se posiciona em defesa da diversidade na programação, abertura à programação independente e pela democratização do Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta.
A campanha reúne o Centro de Estudos Barão de Itararé, Altercom, Intervozes, o intelectual Luiz Gonzaga Belluzzo, os jornalistas Luiz Carlos Azenha, Rodrigo Vianna, Gilberto Maringoni, o professor Laurindo Lalo Leal Filho, o diretor da Carta Maior, Joaquim Palhares e o diretor da revista Caros Amigos, Wagner Nabuco. Eles irão organizar um ato de lançamento em São Paulo para dar visibilidade à questão.
Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;