CONVERSA AFIADA


Marco Aurélio (Collor de) Melo dá entrevista toda terça-feira.

Até a colona (*) social metida a consultora jurídica ele fala.

O Gilmar dá entrevista toda quinta-feira.

Quando Joaquim Barbosa fala, só aí, então, o PiG (**) instala uma “crise” no Supremo.

É o que fizeram neste sabado os editorialistas e colonistas do PiG.

Porque Barbosa chamou Peluso – o Merval quer votar o mensalão logo, para que o Peluso possa condenar o Dirceu – de caipira tirânico e manipulador de resultado.

Se Barbosa ficasse quieto, de boca calada, quando Peluso disse que ele é inseguro, porque não tem certeza de suas virtudes intelectuais para estar na Suprema Corte, se Barbosa enfiasse a viola no saco, aí não haveria “crise” nenhuma.

Seria tudo muito natural.

O conservador imperial da Província espinafra o liberal, e o liberal inseguro se acovarda.

Do jeito que a Casa Grande – na acepção do Mino Carta – gosta.

Só que Barbosa foi pra cima.

Defendeu-se e atacou o jenio caipira – quem teve a ideia de jerico de indicar o Peluso ao Nunca Dantes ?

O Supremo está irremediavelmente misturado ao show business brasileiro, à “sociedade do espetáculo”.

A culpa é do ministro (Collor de ) Mello, que, na presidência do STF, decidiu transformar as sessões num reality show.

Sob o pretexto de dar transparência à Justiça – e ele votou contra o CNJ … – deu, sim, curso a suas exibições de pedantismo e prolixidade inútil.

Depois, o Supremo se acovardou diante da Globo e abriu as portas para a vulgarização.

Foi quando o fotógrafo do Globo e da Globo violou a intimidade e o sigilo dos ministros Lewandowski e Carmen Lucia, ao divulgar sua troca de e-mails.

A então presidenta do STF, Ellen Gracie, aquela que entrou para a História da Magistratura Tropical, ao decidir que Daniel Dantas não é Daniel Dantas, mas Daniel Dantas, essa notável presidenta calou-se e não processou a Globo.

Calou-se diante da Casa Grande – na acepção do Mino Carta.

E o Supremo desvalorizou-se.

Pelas próprias mãos.

O STF anistiou os torturadores do regime militar.

Inventou o HC Canguru de 48 horas.

Enrolou-se na Ficha Limpa.

E agora se deixa imprensar contra parede pela Globo – que dorme na maior suíte da Casa Grande - que quer votar logo o mensalão.

(O Conversa Afiada concorda com o Vander e acha que se poderia votar logo o mensalão.

Mas, antes, prefere que o Supremo legitime de uma vez por todas a Satiagraha.

E, no caso do mensalão, o C Af quer ver o Supremo condenar o Dirceu – com ou sem o Peluso.)

O PiG é um fabricante de “crise”.

Faz parte da ideologia Golpista anunciar o Fim do Mundo toda semana, para desmontar as instituições que legitimam a vontade popular.

É o caos semanal.

É diante do caos, só sobrevivem os banqueiros e os neolibelês que a Urubóloga entrevista – só eles, os Sábios, sabem o Caminho da Salvação para a Grécia, Portugal e o Brasil.

Se o Ministro Barbosa tivesse ficado quieto, diante das tirânicas provocações caipiras, estaria tudo bem.

Até segunda-feira.

Porque na segunda-feira o jornal nacional tentará, de novo, abrir as portas do Supremo com a gazua do mensalão.

Que, como diz o Mino, ainda está por provar-se.

A Veja, a Globo e o Crime Organizado têm que condenar o Dirceu antes de a CPI – que terá um relator petista – expor suas vísceras pretas.

Antes de a Satiagraha botar na cadeia quem de lá não deveria ter saído.

E tudo isso correria com mais fluidez se o Barbosa não ousasse subir as escadas da Casa Grande – na acepção do Mino.


Paulo Henrique Amorim


(*) Não tem nada a ver com cólon. São os colonistas do PiG (**) que combateram na milícia para derrubar o presidente Lula e, depois, a presidenta Dilma. E assim se comportarão sempre que um presidente no Brasil, no mundo e na Galáxia tiver origem no trabalho e, não, no capital. O Mino Carta costuma dizer que o Brasil é o único lugar do mundo em que jornalista chama patrão de colega. É esse pessoal aí.

(**) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

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