TERRA
Facebook comprou Instagram por US$ 1 bilhão, mesmo sabendo que
startup não tinha receitaFoto: Getty Images
Desde segunda-feira, muitos se perguntaram por que o Facebook pagaria US$ 1 bilhão pelo Instagram se a startup não tinha - ainda - nenhuma forma de ganhar dinheiro. O grande interesse da maior rede social do mundo seria em usar os dados do aplicativo de fotos para aumentar a receita do próprio Facebook com anúncios, segundo Simon Mansell, CEO da empresa de venda de anúncios na rede social TBG Digital, ao Business Insider.
Primeiro, ele aponta o Instagram como um dos poucos ambientes sociais online em que as pessoas voluntariamente seguem marcas. E as páginas corporativas são extremamente importantes para o Facebook, principalmente por ser um dos primeiros locais onde a rede capta anunciantes.
Mais do que isso, o Facebook poderia usar o sistema do Twitter de "tweets patrocinados" para inserir uma espécie de "fotos patrocinadas" no meio dos streamings de imagens dos usuários do Instagram. "Hoje, se alguém que você segue no Instagram 'curte' alguma marca que você não segue, você não vai ver (na timeline) que a pessoa o fez", explica Mansell, acrescentando que com a compra da startup, a companhia de Mark Zuckerberg poderia fazer essa empresa aparecer. "As pessoas não iam achar estranho se começassem a ver coisas de marcas que elas não seguem (porque seus amigos 'curtiram' as companhias)", opina.
Uma terceira forma de o Facebook ganhar dinheiro com o Instagram seria se aproveitar do sucesso do Instagram para manter as pessoas "viciadas" em olhar fotos na rede social azul e branca. As fotos são um dos fortes do site, afirma Mansell, e o Instagram era uma ameaça por levar o engajamento com as imagens a outro lugar. "Mesmo se fosse a centésima ameaça (em uma lista), se eles (o Facebook) pagaram um centésimo do valor (do Instagram), ainda faz sentido", diz.
A quarta vantagem da companhia de Menlo Park seria enfraquecer Twitter e Foursquare ao mesmo tempo. O microblog, para o CEO da TBG Digital, seria de grande valia enquanto "termômetro" de mercado. Isso porque, se as pessoas continuam compartilhando as fotos do Instagram pelo Twitter, os dados sobre o tráfego passam a ficar à mão do Facebook. "Dá a eles mais informações sobre estarem ou não perdendo mercado para o Twitter, essa é a minha teoria", diz. O Foursquare sofreria ainda mais, porque poderia se tornar menos relevante no cenário das mídias sociais. Hoje, é o Foursquare que fornece a base de dados para as funções de geolocalização do Instagram, mas Marshall acredita que o aplicativo deva passar a usar a API do Facebook.
Mais do que dar o golpe no Foursquare, a empresa de Zuckerberg conseguiria acesso a uma enorme quantidade de informações de geolocalização de seus usuários, se o Instagram adotar a sua base de dados. "Isso poderia ser especialmente interessante para negócios locais, por exemplo. O Facebook conseguiria muitas mais lojas pequenas para anunciar (se pudesse determinar com maior precisão a localização dos usuários), e isso seria um mercado enorme", finaliza.
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