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Crise dá olé na Espanha
Mesmo após anunciar ajustes de 27,3 bilhões de euros, o país europeu entra no olho do furacão e arrasta as bolsas mundiais
| Manifestantes não dão trégua: trabalhadores vão às ruas, como em Pamplona, em protesto contra o desemprego |
Madri e Frankfurt— Na semana em que a Espanha buscou dar boas notícias ao lançar um esforço de austeridade inédito, a desconfiança em relação à capacidade de o país honrar os compromissos da dívida tomou conta do mercado e reabriu ontem uma nova crise de aversão ao risco em todo o mundo. Após semanas de relaxamento nas bolsas, graças às injeções de recursos na economia da região pelo Banco Central Europeu (BCE), o governo espanhol teve que pagar elevadas taxas de juros — um forte sinal de descrédito — no primeiro leilão de títulos públicos após a apresentação do orçamento de 2012.
“A Espanha voltou a ser o olho do furacão”, afirmou Soledad Pellón, analista da corretora IG Markets. Os custos dos empréstimos espanhóis dispararam em leilões com vencimento de bônus em três, quatro e oito anos, levantando preocupações de que o rali de dívida soberana em mercados europeus periféricos, incentivado pelas operações do BCE, pode estar chegando a seu fim. Com o susto, os investidores recuaram e fugiram dos negócios nas bolsas mundo afora.
São Paulo
Os pregões da Europa registraram as maiores perdas: Londres recuou 2,3%, Frankfurt caiu 2,84% e Paris encolheu 2,74%. Centros financeiros de países mais suscetíveis à crise também tiveram resultados ruins, começando por Madri (-2,09%); e passando por Lisboa (-2,36%) e Milão (-2,42%). Do outro lado do Atlântico, os estragos também foram grandes na Bolsa de São Paulo (-1,18%), que fechou aos 63.528 pontos, e em Nova York (-0,95%). Nos Estados Unidos, contribuiu para o efeito negativo a constatação de que não haverá novos estímulos do Federal Reservel (Fed, o Banco Central local) à economia.
Consciente da tempestade em que pode entrar, a Espanha, que já enfrenta taxas de desemprego superiores a 22%, apresentou, na terça-feira, um orçamento com ajustes de 27,3 bilhões de euros, entre cortes no gasto ministerial e aumentos fiscais. De sua parte, ontem o BCE manteve inalterada a taxa de juros em 1% ao ano, resistindo à pressão alemã para estabelecer um novo modo de combate à crise. “Todas as ferramentas necessárias estão disponíveis para lidar com os riscos de alta à estabilidade dos preços a médio prazo de maneira firme e em momento apropriado”, disse Mario Draghi, presidente da instituição.
Portugal recebe 5,17 bi de euros
O Fundo Monetário Internacional (FMI) aprovou ontem mais um desembolso, agora de 5,17 bilhões de euros, para que Portugal dê continuidade ao programa de recuperação de sua economia, abatida pela crise da dívida em 2011. A nova parcela de recursos eleva a 18,56 bilhões de euros a soma desembolsada pelo Fundo, de um crédito total de 27,6 bilhões aprovados no ano passado. “Foram obtidos progressos na implementação de políticas relativas ao programa (creditício) e os primeiros sinais indicam que o ajuste econômico requerido está ocorrendo”, declarou Nemat Shafik, subdiretora-gerente do FMI. Em parceria com a União Europeia, o organismo sediado em Washington autorizou, em troca do compromisso de reformas e da imposição de medidas de austeridade, um pacote total de ajuda aos portugueses de 78 bilhões de euros por um período de três anos.
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