The piauí Herald
Em conversa telefônica reservada, o senador Demóstenes Torres tenta convencer o presidente
Obama a instalar caça-níqueis a bordo do Air Force One. “É bom pra relaxar, sô.”
DEATH STAR – A situação do senador Demóstenes Torres piorou ainda mais com a divulgação de novas gravações em que o parlamentar do DEM aparece como articulador importante de episódios da história recente.
Em conversa de 2001 entre Demóstenes e um misterioso personagem no Afeganistão, o senador sugere que pelo menos três associados de seu interlocutor venham a Goiás “para aprender a fazer o negócio voar”:
PERSONAGEM MISTERIOSO – Mas aí em Goiás, senador?
DEMÓSTENES – Anápolis. Lá tem base aérea, Mirage, tudim. A turma aprende sem problema. E à noite ainda pode se divertir jogando nuns caça-níqueis de um amigo meu. O trem é bom.
Em 2008, foram registradas mais de duzentas ligações entre Demóstenes e o presidente do banco americano Lehman Brothers:
PRESIDENTE DO BANCO LEHMAN BROTHERS – Mas o senhor garante, senador?
DEMÓSTENES – Pode investir, sô. Esses derivativos são ponta firme. Compra que ocê vai estourar a boca do balão.
No ano seguinte, temendo que suas conversas pudessem estar sendo monitoradas, Demóstenes Torres comprou um aparelho Nextel com embaralhador de sinal. A primeira ligação foi para Porto Alegre:
DEMÓSTENES – Pode convocar, eu entendo desse trem e afianço que o moço já criou juízo.
VOZ DE INTERLOCUTOR – Sei não, senador.
DEMÓSTENES – Olhe só: conversei com um amigo meu que me disse que o rapaz esteve no cassino dele e não participou nem do bingo. Só bebeu guaraná.
VOZ DO INTERLOCUTOR – E não bateu em ninguém?
DEMÓSTENES – E o Felipe Melo é lá de bater em alguém?
VOZ DO INTERLOCUTOR – Está certo.
DEMÓSTENES – Resolvido então. Parabéns por aquelas golas rolês. Trenzão elegante, sô.
No ano seguinte, Demóstenes Torres teria ido à Flórida para tratar de assuntos pessoais. Gravações do FBI revelam que o senador ligou pelo menos cinco vezes para o diretor de operações da empresa de cruzeiros marítimos Carnival Cruises, proprietária da Linha C.
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – Está gostando, senador?
DEMÓSTENES – Vixe: demais, demais. Esse Mickey é um camarada muito simpático, sô. E por aí, como vai esse trem?
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – Estamos com um problema para encontrar um comandante para o Costa Concórdia.
DEMÓSTENES – Problema resolvido. Comandante Schettino. Muito amigo de um irmão meu lá de Goiás, também do ramo de entretenimento.
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – E o homem é bom?
DEMÓSTENES – Bom? Esse amigo e eu estamos pensando em comprar um iate. Se a coisa for pra frente, queremos o Schettino conosco.
A última gravação é da semana passada. O senador conversa com uma mulher de forte sotaque carioca.
MULHER DE FORTE SOTAQUE CARIOCA – Será?
DEMÓSTENES – Não hesita, Patrícia. Ele não ganhou o apelido de Imperador à toa.
Em conversa de 2001 entre Demóstenes e um misterioso personagem no Afeganistão, o senador sugere que pelo menos três associados de seu interlocutor venham a Goiás “para aprender a fazer o negócio voar”:
PERSONAGEM MISTERIOSO – Mas aí em Goiás, senador?
DEMÓSTENES – Anápolis. Lá tem base aérea, Mirage, tudim. A turma aprende sem problema. E à noite ainda pode se divertir jogando nuns caça-níqueis de um amigo meu. O trem é bom.
Em 2008, foram registradas mais de duzentas ligações entre Demóstenes e o presidente do banco americano Lehman Brothers:
PRESIDENTE DO BANCO LEHMAN BROTHERS – Mas o senhor garante, senador?
DEMÓSTENES – Pode investir, sô. Esses derivativos são ponta firme. Compra que ocê vai estourar a boca do balão.
No ano seguinte, temendo que suas conversas pudessem estar sendo monitoradas, Demóstenes Torres comprou um aparelho Nextel com embaralhador de sinal. A primeira ligação foi para Porto Alegre:
DEMÓSTENES – Pode convocar, eu entendo desse trem e afianço que o moço já criou juízo.
VOZ DE INTERLOCUTOR – Sei não, senador.
DEMÓSTENES – Olhe só: conversei com um amigo meu que me disse que o rapaz esteve no cassino dele e não participou nem do bingo. Só bebeu guaraná.
VOZ DO INTERLOCUTOR – E não bateu em ninguém?
DEMÓSTENES – E o Felipe Melo é lá de bater em alguém?
VOZ DO INTERLOCUTOR – Está certo.
DEMÓSTENES – Resolvido então. Parabéns por aquelas golas rolês. Trenzão elegante, sô.
No ano seguinte, Demóstenes Torres teria ido à Flórida para tratar de assuntos pessoais. Gravações do FBI revelam que o senador ligou pelo menos cinco vezes para o diretor de operações da empresa de cruzeiros marítimos Carnival Cruises, proprietária da Linha C.
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – Está gostando, senador?
DEMÓSTENES – Vixe: demais, demais. Esse Mickey é um camarada muito simpático, sô. E por aí, como vai esse trem?
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – Estamos com um problema para encontrar um comandante para o Costa Concórdia.
DEMÓSTENES – Problema resolvido. Comandante Schettino. Muito amigo de um irmão meu lá de Goiás, também do ramo de entretenimento.
DIRETOR DE OPERAÇÕES DA CC – E o homem é bom?
DEMÓSTENES – Bom? Esse amigo e eu estamos pensando em comprar um iate. Se a coisa for pra frente, queremos o Schettino conosco.
A última gravação é da semana passada. O senador conversa com uma mulher de forte sotaque carioca.
MULHER DE FORTE SOTAQUE CARIOCA – Será?
DEMÓSTENES – Não hesita, Patrícia. Ele não ganhou o apelido de Imperador à toa.
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