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Político seria assassinado por se opor a um confronto armado entre França e Alemanha

No dia 18 de abril de 1904, é publicado o primeiro número do diário L'Humanité, fundado pelo socialista francês Jean Jaurès, aos 44 anos.

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Nascido numa família burguesa de Castres, esse professor de filosofia que lecionava no Liceu Laperouse, de Albi, era um homem de extraordinária cultura. Helenista e fluente em alemão, conseguia ser um tribuno sem par, de palavras carinhosas e generosas.

Após tímido ingresso na política, em Toulouse, é convocado para auxiliar os mineiros de Carmaux, que haviam entrado em greve em 1892 para defender um dos seus companheiros. Acabou sendo licenciado depois de ter sido eleito prefeito da cidade.

Jaurès, por meio de seus artigos no jornal La Dépêche (O Despacho) e dos inflamados discursos, tomou partido dos mineiros contra o governo, travando a batalha em nome da liberdade do trabalho. Revela o tipo de luta de classes daqueles operários e, assim, conquista o apoio que lhe propiciaria uma cadeira de deputado socialista.

Humanista e democrata, o tribuno defenderia Albert Dreyfus e se oporia, dentro do Partido Socialista, aos marxistas ortodoxos Jules Guesde e Édouard Vaillant. Jornalista talentoso, alcança grande sucesso com o L'Humanité.

Com uma tiragem de 140 mil exemplares, a nova publicação não tarda em reunir ilustres colaboradores como Leon Blum, Anatole France, Aristide Briand, Jules Renard, Octave Mirbeau, Tristan Bernard e Henri de Jouvenel.

Contudo, alguns meses depois da criação do jornal, o congresso de Amsterdã da Internacional Socialista reprova toda forma de colaboração dos socialistas com os partidos burgueses. É uma vitória para Jules Guesde.

No Congreso do partido de Paris, em abril de 1905, Jean Jaurès se filia com armas e bagagens ao novo partido socialista de Jules Guesde: a SFIO (Seção Francesa da Internacional Operária), do qual o L'Humanité se torna rapidamente o porta-voz.

Jaurès, que finge se inclinar ao comando de Guesde, não se dá por vencido. Ao lado de Édouard Vaillant, consegue retomar a direção da SFIO e impõe uma orientação reformista ao partido.

Ele prosseguiria com seu combate oratório em favor dos trabalhadores na Câmara de Deputados, mas também atacaria a política colonial da República e trabalharia em favor de uma reconciliação franco-alemã.

Essas orientações temerárias lhe valem o ódio dos revanchards (revanchistas), que almejavam um contra-ataque à Alemanha depois da derrota na guerra de 1870 e que o classificam de ingênuo a traidor da pátria.

Em 31 de julho de 1914, dois dias antes da Grande Guerra, um desequilibrado de nome Raoul Villain dispara um tiro de revólver contra Jaurès, sentado a uma mesa do Café du Croissant. Ele gritava que o parlamentar se opunha à mobilização geral e à guerra iminente contra a Alemanha.

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