Blog das Frases
O exército do dinheiro afia as armas e prepara o cerco à sociedade grega. Faz parte desse planejamento inocular doses crescentes de terror psicológico na sua população. O Brasil sabe como essa coisa funciona: vazamentos; chantagens; manchetes encadeadas; ataques a reputações, interditos e linchamentos ideológicos. Já está acontecendo; deve ganhar intensidade nesses cinco dias que antecedem o pleito de domingo na Grécia. É uma página da história que convém ler com vagar.
Onze milhões de pessoas decidirão se a economia que representa apenas 2% do PIB europeu passará a trabalhar pela sociedade ou contra ela para continuar a servir a banqueiros e credores que já ficam com 97% de suas receitas (inclusive linhas de 'socorro'). A crueza do conflito instalado pela desordem neoliberal no país - com o apoio ativo da elite local - é tal que colocou em desuso as metáforas.
A Grécia corrobora a tese de que a democracia promete mais do que o capitalismo pode dar e está disposto a conceder. Soberania na escolha do futuro, por exemplo, e direito de rejeitar as bases desastrosas do passado. A economia grega patina em recessão há quatro anos. O dado disponível para este ano aponta uma nova queda do PIB da ordem de 6,5% no primeiro trimestre. O desemprego de 21,9% é o segundo maior do euro.
Abaixo dele, apenas o da Espanha, 'socorrida' também pelos credores neste sábado em troca de contrapartidas que o governo direitista prefere até ocultar. Os gregos têm sacudido nas ruas a aparente frieza do desastre neoliberal. E o fazem também com a própria vida. As taxas de suicídio cresceram mais de 40% na crise, em chocante contraste com a boutade mercadista de Angela Merkel, para quem tudo ali se resume a uma indolência inata ao trabalho.
Os indolentes querem assumir o comando do seu destino nas eleições de domingo, mas uma gigantesca operação de asfixia está em curso para sufocar o levante antes que ele se cristalize. A sociedade que já perdeu 1/5 de quase tudo, empregos, salários, aposentadorias, leitos hospitalares etc está sendo ameaçada de confinamento financeiro e político se insistir em reinventar seu contrato social nas urnas.
Para que servem então as urnas se o anterior foi literalmente destruído "pelas imposições dos mercados', conforme disse à Carta Maior, Errikos Finalis, dirigente do secretariado do Syriza, em entrevista ao correspondente em Londres, Marcelo Justo.
Respostas nada amigáveis partem de Bruxelas, Berlim e do FMI. As setas advertem: se a esquerda vencer dia 17, os gregos perderão o direito de sacar livremente seu dinheiro nas agências bancárias; sua cidadania européia sofrerá uma cassação branca: acena-se com restrições à migração nas zonas de fronteiras do euro; o fluxo de capitais será administrado pelas autoridades de Bruxelas.
Involuntariamente, ou não, na forma e no conteúdo, o capital financeiro e seus aparatos assumem diante da audácia grega a natureza de uma força de ocupação que captura a máquina do Estado, domina as instâncias do mercado e desautoriza as prerrogativas da democracia - a menos que os eleitores se resignem ao estado de exceção permanente.
O exército do dinheiro afia as armas e prepara o cerco à sociedade grega. Faz parte desse planejamento inocular doses crescentes de terror psicológico na sua população. O Brasil sabe como essa coisa funciona: vazamentos; chantagens; manchetes encadeadas; ataques a reputações, interditos e linchamentos ideológicos. Já está acontecendo; deve ganhar intensidade nesses cinco dias que antecedem o pleito de domingo na Grécia. É uma página da história que convém ler com vagar.
Onze milhões de pessoas decidirão se a economia que representa apenas 2% do PIB europeu passará a trabalhar pela sociedade ou contra ela para continuar a servir a banqueiros e credores que já ficam com 97% de suas receitas (inclusive linhas de 'socorro'). A crueza do conflito instalado pela desordem neoliberal no país - com o apoio ativo da elite local - é tal que colocou em desuso as metáforas.
A Grécia corrobora a tese de que a democracia promete mais do que o capitalismo pode dar e está disposto a conceder. Soberania na escolha do futuro, por exemplo, e direito de rejeitar as bases desastrosas do passado. A economia grega patina em recessão há quatro anos. O dado disponível para este ano aponta uma nova queda do PIB da ordem de 6,5% no primeiro trimestre. O desemprego de 21,9% é o segundo maior do euro.
Abaixo dele, apenas o da Espanha, 'socorrida' também pelos credores neste sábado em troca de contrapartidas que o governo direitista prefere até ocultar. Os gregos têm sacudido nas ruas a aparente frieza do desastre neoliberal. E o fazem também com a própria vida. As taxas de suicídio cresceram mais de 40% na crise, em chocante contraste com a boutade mercadista de Angela Merkel, para quem tudo ali se resume a uma indolência inata ao trabalho.
Os indolentes querem assumir o comando do seu destino nas eleições de domingo, mas uma gigantesca operação de asfixia está em curso para sufocar o levante antes que ele se cristalize. A sociedade que já perdeu 1/5 de quase tudo, empregos, salários, aposentadorias, leitos hospitalares etc está sendo ameaçada de confinamento financeiro e político se insistir em reinventar seu contrato social nas urnas.
Para que servem então as urnas se o anterior foi literalmente destruído "pelas imposições dos mercados', conforme disse à Carta Maior, Errikos Finalis, dirigente do secretariado do Syriza, em entrevista ao correspondente em Londres, Marcelo Justo.
Respostas nada amigáveis partem de Bruxelas, Berlim e do FMI. As setas advertem: se a esquerda vencer dia 17, os gregos perderão o direito de sacar livremente seu dinheiro nas agências bancárias; sua cidadania européia sofrerá uma cassação branca: acena-se com restrições à migração nas zonas de fronteiras do euro; o fluxo de capitais será administrado pelas autoridades de Bruxelas.
Involuntariamente, ou não, na forma e no conteúdo, o capital financeiro e seus aparatos assumem diante da audácia grega a natureza de uma força de ocupação que captura a máquina do Estado, domina as instâncias do mercado e desautoriza as prerrogativas da democracia - a menos que os eleitores se resignem ao estado de exceção permanente.
Postar um comentário
-Os comentários reproduzidos não refletem necessariamente a linha editorial do blog
-São impublicáveis acusações de carácter criminal, insultos, linguagem grosseira ou difamatória, violações da vida privada, incitações ao ódio ou à violência, ou que preconizem violações dos direitos humanos;
-São intoleráveis comentários racistas, xenófobos, sexistas, obscenos, homofóbicos, assim como comentários de tom extremista, violento ou de qualquer forma ofensivo em questões de etnia, nacionalidade, identidade, religião, filiação política ou partidária, clube, idade, género, preferências sexuais, incapacidade ou doença;
-É inaceitável conteúdo comercial, publicitário (Compre Bicicletas ZZZ), partidário ou propagandístico (Vota Partido XXX!);
-Os comentários não podem incluir moradas, endereços de e-mail ou números de telefone;
-Não são permitidos comentários repetidos, quer estes sejam escritos no mesmo artigo ou em artigos diferentes;
-Os comentários devem visar o tema do artigo em que são submetidos. Os comentários “fora de tópico” não serão publicados;