Paulo Moreira Leite



Conta de criança rebaixou a Italia
O rebaixamento da Italia pela agencia Standard & Poor's é mais um sinal da gravidade da crise economica no Velho Mundo.


Baseia-se numa simples conta de somar e subtrair, que qualquer bom aluno de matemática pode fazer — mas nem assim comove os fanáticos do mercado que dirigem o Banco Central Europeu.

Embora tenha aprovado dois pacotes de austeridade em menos de um ano, a Italia passou de país A+ para A. O problema é que, pela sabedoria convencional, estas medidas deveriam contribuir para elevar a confiança em sua capacidade de evitar uma catástrofe. Aconteceu o contrário. Em vez de ganhar a chamada credibilidade, a Italia a perdeu. Por que?

Simples. O plano aprovado prevê que dois terços da futura austeridade italiana serão produzidos por um corte de gastos acompanhado de um aumento na receita com impostos. Para tanto, seria preciso que a economia crescesse e os cofres do governo pudessem arrecadar mais. Não é possível, ensina a matemática elementar.

Pressionados pelo mercado para manter o interesse na rolagem de sua dívida, os italianos pagarão mais juros para conseguir interessar o mercado. Esse esforço irá elevar suas despesas e vai anular os cortes nos gastos. A perspectiva é clara: como já acontece com os gregos, os italianos irão sacrificar-se para fazer novos sacrifícios.

Elementar, não? Elementar e triste.

Como já explicou o Premio Nobel Paul Krugman, a Europa não mudará de rumo enquanto não trocar uma política de cortar despesas e aumentar receitas pelo estimulo ao consumo e ao crescimento.

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