Rede Brasil
Lembram-se de quando o Brasil era “o país do futuro”? Pois é. Agora a Europa tornou-se “o Continente do futuro”. Cada vez mais a hegemonia ortodoxa impõe sacrifícios cada vez mais duros em nome de um futuro melhor – que vai se distanciando também cada vez mais, e torna-se mais e mais problemático.
Uma frase do vice-ministro das Finanças de Madri, Fernando Jiménez, seria tudo, trágica e cômica, se não fosse um total teatro do absurdo. “Os cortes [no orçamento e nos empregos] podem ter um impacto negativo no curto prazo”. Mas pontuou que a política do governo, tornando mais fácil para as empresas despedirem seus empregados, “ajudaria eventualmente a criar mais empregos”. “As coisas ficarão menos ruins.”
É difícil prever o que exatamente o vice-ministro quis dizer com “menos ruins”. Afinal, as coisas estão péssimas.
Um relatório oficial divulgado na quinta-feira mostrou que a taxa de desemprego nom país superou os 26% (seis milhões de trabalhadores, meia população de São Paulo). Só em 2012, 700 mil espanhóis (uma João Pessoa) perderam o emprego. Dez por cento dos lares espanhóis não têm sequer uma pessoa empregada. 55% dos jovens abaixo de 25 anos que também não estudam estão desempregados.
Dentro da situação emperrada, as desigualdades regionais são enormes, e crescem. No sul da Espanha 66% dos jovens não têm emprego. Na província de Cádiz, no sudoeste, 40% da força de trabalho está desempregada. Na Andaluzia, 65% dos jovens não têm emprego.
O FMI prevê um ecolhimento de 1,5% na economia espanhola em 2013. Mais de um milhão de residências novas permanecem sem vendas, herança do boom e bolha no setor imbiliário.
Mas a União Européia exige que a Espanha baixe seu déficit orçamentário para 4,5% do PIB, o que significa mais 30 bilhões de euros em cortes nas despesas públicas. Ao mesmo tempo, o país deve conseguir mais 10 bilhões de euros para honrar o acréscimo de suas dívidas no ano passado, sob a forma de juros. E já tomou 40 bilhões de euros emprestados para socorrer seus bancos emprestados.
Mas o governo de Mariano Rajoy exsuda confiança (ou será suor frio?): ao final de 2014, as coisas vão melhorar, afirma.
É o país do futuro, no Continente do futuro. Até porque a hegemonia da U. E. não crê que haja qualquer outro futuro possível, senão este, da destruição do estado de bem-estar social e do reerguimento – não se sabe do quê, nem mesmo se e algo, sobre seus escombros.
A ver. Quem sobreviver verá. Porque os dirigentes desta hecatombe permanecem cegos para a destruição que estão provocando, acreditando-se os salvadores da pátria.
Lembram-se de quando o Brasil era “o país do futuro”? Pois é. Agora a Europa tornou-se “o Continente do futuro”. Cada vez mais a hegemonia ortodoxa impõe sacrifícios cada vez mais duros em nome de um futuro melhor – que vai se distanciando também cada vez mais, e torna-se mais e mais problemático.
Uma frase do vice-ministro das Finanças de Madri, Fernando Jiménez, seria tudo, trágica e cômica, se não fosse um total teatro do absurdo. “Os cortes [no orçamento e nos empregos] podem ter um impacto negativo no curto prazo”. Mas pontuou que a política do governo, tornando mais fácil para as empresas despedirem seus empregados, “ajudaria eventualmente a criar mais empregos”. “As coisas ficarão menos ruins.”
É difícil prever o que exatamente o vice-ministro quis dizer com “menos ruins”. Afinal, as coisas estão péssimas.
Um relatório oficial divulgado na quinta-feira mostrou que a taxa de desemprego nom país superou os 26% (seis milhões de trabalhadores, meia população de São Paulo). Só em 2012, 700 mil espanhóis (uma João Pessoa) perderam o emprego. Dez por cento dos lares espanhóis não têm sequer uma pessoa empregada. 55% dos jovens abaixo de 25 anos que também não estudam estão desempregados.
Dentro da situação emperrada, as desigualdades regionais são enormes, e crescem. No sul da Espanha 66% dos jovens não têm emprego. Na província de Cádiz, no sudoeste, 40% da força de trabalho está desempregada. Na Andaluzia, 65% dos jovens não têm emprego.
O FMI prevê um ecolhimento de 1,5% na economia espanhola em 2013. Mais de um milhão de residências novas permanecem sem vendas, herança do boom e bolha no setor imbiliário.
Mas a União Européia exige que a Espanha baixe seu déficit orçamentário para 4,5% do PIB, o que significa mais 30 bilhões de euros em cortes nas despesas públicas. Ao mesmo tempo, o país deve conseguir mais 10 bilhões de euros para honrar o acréscimo de suas dívidas no ano passado, sob a forma de juros. E já tomou 40 bilhões de euros emprestados para socorrer seus bancos emprestados.
Mas o governo de Mariano Rajoy exsuda confiança (ou será suor frio?): ao final de 2014, as coisas vão melhorar, afirma.
É o país do futuro, no Continente do futuro. Até porque a hegemonia da U. E. não crê que haja qualquer outro futuro possível, senão este, da destruição do estado de bem-estar social e do reerguimento – não se sabe do quê, nem mesmo se e algo, sobre seus escombros.
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