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Mulher escolhe livro em livraria de Istambul em agosto de 2011 (AFP/Arquivo, Bulent Kilic)
De Nicolas CHEVIRON (AFP
ISTAMBUL — Do Manifesto do Partido Comunista de Marx e Engels, passando pelas obras do poeta turco Nazim Hikmet, milhares de livros proibidos nas últimas décadas voltaram a ser legais neste sábado na Turquia graças a uma reforma que tornou a sua proibição obsoleta.
No início de julho, o Parlamento turco adotou uma lei que estipula que todas as decisões judiciais ou administrativas adotadas antes de 2012 de "embargo, proibição ou obstáculos para a venda e a distribuição de publicações impressas ficarão obsoletas" se não forem ratificadas por algum tribunal em um período de seis meses.
O prazo terminou neste sábado e não há ciência de que a justiça tenha tomado alguma decisão a respeito, disse à AFP o presidente da União de Editores da Turquia (TYB), Metin Celal Zeynioglu.
Apenas o procurador da República, Kursat Kayral, falou publicamente em dezembro para anunciar que não renovaria nenhuma das proibições pronunciadas em sua jurisdição de Ancara, concedendo a "liberdade" a 453 livros e 645 periódicos da lista que havia sido transmitida pela polícia.
Interrogado pela AFP, Kayral confirmou que "todas as proibições ordenadas por (tribunais em) Ancara serão suprimidas em 5 de janeiro".
Portanto, ficam reabilitados diversos autores comunistas, de Josef Stalin e sua "História do Partido Comunista Bolchevique da URSS", a Lenin e "O Estado e a Revolução", embora também uma revista em quadrinhos, um atlas geográfico, um ensaio sobre os curdos ou um relatório sobre o estado dos direitos humanos na Turquia.
Para além da capital, a reforma envolve cerca de 23.000 publicações, segundo Zeynioglu, que afirma que estes dados foram fornecidos pelo ministério da Justiça, emborra este não tenha confirmado a informação até o momento.
Esta contagem é difícil de ser confirmada.
"A instauração destas proibições não foi centralizada: foram pronunciadas por diferentes instituições em diferentes cidades em diversos períodos", explica o presidente da TYB. "De fato, a maioria das obras caíram no esquecimento com o tempo e os editores começaram a imprimir livros proibidos", acrescenta.
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