Brasil 24/7

O Brasil vive uma situação inusitada. Embora não haja qualquer confirmação sobre um racionamento de energia, a crítica foi antecipada e a presidente Dilma Rousseff entrou no corredor polonês antes mesmo do fim do jogo. Segundo Merval Pereira, desde que ela deixou de ser ministra de Minas e Energia para se tornar presidente da República, o quadro do setor elétrico só fez "agravar-se" e nada de bom foi feito desde 2001. Miriam Leitão sugere que o governo reconheça seus erros e corra atrás do prejuízo
A leitura dos grandes jornais continua transmitindo uma falsa impressão: a de que o Brasil já enfrenta um apagão generalizado no setor elétrico. Embora as autoridades do setor contestem o risco de racionamento e garantam a redução de 20% nas contas de luz, novos especialistas em energia, como Merval Pereira, até recentemente um notório constitucionalista, anteciparam a crítica. E descem o sarrafo na presidente Dilma como se o País já estivesse às escuras.
Na sua coluna desta quarta-feira, chamada "Tateando no escuro", Merval fala de um país que vive hoje na escuridão. "Pois Dilma deixou de ser ministra para assumir a presidência da República, e a situação só fez agravar-se desde que, em 2008, começaram a acontecer os primeiros apagões de energia no país, e ela, primeiro como porta-voz do governo Lula no setor, e agora como responsável máxima pelas ações do governo, só fez garantir que não existe perigo de racionamento", diz ele. "O fato é que, dez anos à frente do setor elétrico de maneira direta, como Ministra de Minas e Energia, ou indireta, como chefe da Casa Civil, nada foi feito por Dilma para melhorar o sistema energético brasileiro, que volta a ter os mesmos problemas que teve em 2001".
Merval é definitivo, peremptório. Nada, N-A-D-A, foi feito nos últimos dez anos. Portanto, não se abriu uma nova fronteira hídrica na Região Norte, com as usinas do Madeira, não se retomou o projeto de Angra 3, que dormia há mais de uma década, não se fez a licitação de Belo Monte e nem de dezenas de projetos de térmicas, eólicas e PCHs. Nesse quadro de inação total dos últimos dez anos, em que o Brasil cresceu bem mais do que nos oito anteriores, é espantoso que tenha havido energia. Mas isso é outra história.
Também no Globo, Miriam Leitão antecipa a crítica ao apagão que supostamente se aproxima, mas o faz de forma mais honesta. Segundo ela, o governo deve "deixar de lado a atitude de negação e encarar de frente os riscos que existem na área do suprimento de energia". De fato, uma dose a mais de humildade não faria mal a ninguém. Mas não custa lembrar que Miriam Leitão, que, além de especialista em economia é também ambientalista, se opôs à construção das usinas na Amazônia e a toda forma do que chama de energia suja – como as térmicas, por exemplo.
Diferentemente de Merval, ela não chega a ponto de dizer que nada se fez. Mas cobra um reconhecimento dos erros. Merval quer mais. Ele diz que o que impede que o Brasil esteja hoje no escuro são as medidas emergenciais tomadas por FHC em 2001. Depois disso, N-A-D-A se fez.
Há uma certa escuridão no País. Mas talvez o apagão tenha começado na grande imprensa e nos seus principais porta-vozes. O que há, de maneira mal disfarçada, é uma torcida pelo quanto pior, melhor, como na ocasião em que Ricardo Noblat, também do Globo, espalhou pelo Twitter a notícia de um falso apagão (leia mais aqui).
O Brasil vive uma situação inusitada. Embora não haja qualquer confirmação sobre um racionamento de energia, a crítica foi antecipada e a presidente Dilma Rousseff entrou no corredor polonês antes mesmo do fim do jogo. Segundo Merval Pereira, desde que ela deixou de ser ministra de Minas e Energia para se tornar presidente da República, o quadro do setor elétrico só fez "agravar-se" e nada de bom foi feito desde 2001. Miriam Leitão sugere que o governo reconheça seus erros e corra atrás do prejuízo
A leitura dos grandes jornais continua transmitindo uma falsa impressão: a de que o Brasil já enfrenta um apagão generalizado no setor elétrico. Embora as autoridades do setor contestem o risco de racionamento e garantam a redução de 20% nas contas de luz, novos especialistas em energia, como Merval Pereira, até recentemente um notório constitucionalista, anteciparam a crítica. E descem o sarrafo na presidente Dilma como se o País já estivesse às escuras.
Na sua coluna desta quarta-feira, chamada "Tateando no escuro", Merval fala de um país que vive hoje na escuridão. "Pois Dilma deixou de ser ministra para assumir a presidência da República, e a situação só fez agravar-se desde que, em 2008, começaram a acontecer os primeiros apagões de energia no país, e ela, primeiro como porta-voz do governo Lula no setor, e agora como responsável máxima pelas ações do governo, só fez garantir que não existe perigo de racionamento", diz ele. "O fato é que, dez anos à frente do setor elétrico de maneira direta, como Ministra de Minas e Energia, ou indireta, como chefe da Casa Civil, nada foi feito por Dilma para melhorar o sistema energético brasileiro, que volta a ter os mesmos problemas que teve em 2001".
Merval é definitivo, peremptório. Nada, N-A-D-A, foi feito nos últimos dez anos. Portanto, não se abriu uma nova fronteira hídrica na Região Norte, com as usinas do Madeira, não se retomou o projeto de Angra 3, que dormia há mais de uma década, não se fez a licitação de Belo Monte e nem de dezenas de projetos de térmicas, eólicas e PCHs. Nesse quadro de inação total dos últimos dez anos, em que o Brasil cresceu bem mais do que nos oito anteriores, é espantoso que tenha havido energia. Mas isso é outra história.
Também no Globo, Miriam Leitão antecipa a crítica ao apagão que supostamente se aproxima, mas o faz de forma mais honesta. Segundo ela, o governo deve "deixar de lado a atitude de negação e encarar de frente os riscos que existem na área do suprimento de energia". De fato, uma dose a mais de humildade não faria mal a ninguém. Mas não custa lembrar que Miriam Leitão, que, além de especialista em economia é também ambientalista, se opôs à construção das usinas na Amazônia e a toda forma do que chama de energia suja – como as térmicas, por exemplo.
Diferentemente de Merval, ela não chega a ponto de dizer que nada se fez. Mas cobra um reconhecimento dos erros. Merval quer mais. Ele diz que o que impede que o Brasil esteja hoje no escuro são as medidas emergenciais tomadas por FHC em 2001. Depois disso, N-A-D-A se fez.
Há uma certa escuridão no País. Mas talvez o apagão tenha começado na grande imprensa e nos seus principais porta-vozes. O que há, de maneira mal disfarçada, é uma torcida pelo quanto pior, melhor, como na ocasião em que Ricardo Noblat, também do Globo, espalhou pelo Twitter a notícia de um falso apagão (leia mais aqui).
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