Carta Capital
Vítima da intolerância de grupos que, em sua visita ao Brasil, a acusam de “se vender” aos Estados Unidos, a blogueira cubana Yoani Sánchez se transformou nesta quarta-feira 20 em “troféu” para a oposição. Convidada pelo PSDB para falar a congressistas na Câmara dos Deputados, ela foi recepcionada pelo senador Aécio Neves, virtual candidato tucano à Presidência em 2014, e posou para fotos ao lado de políticos que, por aqui, não são reconhecidos exatamente pela defesa de direitos humanos ou da liberdade de expressão que a ativista diz sentir falta em seu país.
Um deles foi Jair Bolsonaro (PP-RJ), ex-militar homofóbico que já defendeu a tortura, a censura, a pena de morte e o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diante da blogueira, Bolsonaro afirmou que o golpe de 1964 no Brasil foi “uma imposição popular”. “Graças aos militares nós hoje gozamos de democracia”, disse, após fazer uma série de críticas ao regime dos irmãos Castro, Fidel e Raúl. “A verdade tortura, a verdade dói. Me desculpe a tortura, nobre deputado”, ironizou em relação à prática mantida pelos militares para obterem informações dos presos políticos, em resposta às intervenções do deputado Glauber Braga (PSB – RJ).
Perto de Yoani estava também o deputado da bancada ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem não se aplicaria, em tese, o rótulo de defensor da liberdade de expressão, como prova a ação movida em 2005 contra o escritor Fernando Moraes para tirar de circulação o livro A Toca dos Leões. Na obra, Caiado é citado como “um cara muito louco” que havia sugerido a adição de contraceptivo a água potável para resolver o problema de superpopulação nas camadas mais pobres do Nordeste. À época, o Conselho de Comunicação Social disse ser “inaceitável a proibição de publicação e circulação” do livro.
Parece uma contradição para quem veio ao País aprender como se pratica na prática a liberdade de expressão.
Confusão. Convidada para assistir à apresentação de um documentário em que ela critica o governo de Cuba, Yoani chegou em uma van da Câmara dos Deputados, escoltada por homens da Polícia Legislativa. Por causa do grande número de parlamentares e de jornalistas à espera da blogueira, a passagem de veículos chegou a ser interrompida.
Depois de ser hostilizada por manifestantes durante a sua passagem por Recife, e Feira de Santana, na Bahia – onde foi impedida de ver o documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão –, ela recebeu o convite do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) para assistir ao vídeo na Câmara.
O plenário 1 da Câmara ficou lotado para a sessão do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, do cineasta baiano Dado Galvão. O vídeo traz um depoimento da blogueira sobre a dificuldade enfrentada pelo povo cubano.
O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pediu “desculpas em nome do PSDB pelas agressões” sofridas pela blogueira. “Este não é o retrato do Brasil”, disse.
Yoani agradeceu ao apoio e ressaltou que espera um dia ter a mesma oportunidade no Congresso cubano. “Sonho com o dia em que nosso Parlamento ouça todos os tipos de vozes. Levarei boas lembranças de Brasil”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil e do Portal do PSDB
Vítima da intolerância de grupos que, em sua visita ao Brasil, a acusam de “se vender” aos Estados Unidos, a blogueira cubana Yoani Sánchez se transformou nesta quarta-feira 20 em “troféu” para a oposição. Convidada pelo PSDB para falar a congressistas na Câmara dos Deputados, ela foi recepcionada pelo senador Aécio Neves, virtual candidato tucano à Presidência em 2014, e posou para fotos ao lado de políticos que, por aqui, não são reconhecidos exatamente pela defesa de direitos humanos ou da liberdade de expressão que a ativista diz sentir falta em seu país.
A blogueira recebe presente sob o olhar de Jair Bolsonaro em sua passagem pela Câmara dos Deputados. Foto: Agência Brasil
Um deles foi Jair Bolsonaro (PP-RJ), ex-militar homofóbico que já defendeu a tortura, a censura, a pena de morte e o fuzilamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Diante da blogueira, Bolsonaro afirmou que o golpe de 1964 no Brasil foi “uma imposição popular”. “Graças aos militares nós hoje gozamos de democracia”, disse, após fazer uma série de críticas ao regime dos irmãos Castro, Fidel e Raúl. “A verdade tortura, a verdade dói. Me desculpe a tortura, nobre deputado”, ironizou em relação à prática mantida pelos militares para obterem informações dos presos políticos, em resposta às intervenções do deputado Glauber Braga (PSB – RJ).
Perto de Yoani estava também o deputado da bancada ruralista Ronaldo Caiado (DEM-GO), a quem não se aplicaria, em tese, o rótulo de defensor da liberdade de expressão, como prova a ação movida em 2005 contra o escritor Fernando Moraes para tirar de circulação o livro A Toca dos Leões. Na obra, Caiado é citado como “um cara muito louco” que havia sugerido a adição de contraceptivo a água potável para resolver o problema de superpopulação nas camadas mais pobres do Nordeste. À época, o Conselho de Comunicação Social disse ser “inaceitável a proibição de publicação e circulação” do livro.
Parece uma contradição para quem veio ao País aprender como se pratica na prática a liberdade de expressão.
Manifestantes protestam contra a blogueira cubana Yoani Sánchez, que foi à Câmara dos Deputados para exibição do documentário Conexão Cuba-Honduras. Foto: Antonio Cruz/ABr
Confusão. Convidada para assistir à apresentação de um documentário em que ela critica o governo de Cuba, Yoani chegou em uma van da Câmara dos Deputados, escoltada por homens da Polícia Legislativa. Por causa do grande número de parlamentares e de jornalistas à espera da blogueira, a passagem de veículos chegou a ser interrompida.
Depois de ser hostilizada por manifestantes durante a sua passagem por Recife, e Feira de Santana, na Bahia – onde foi impedida de ver o documentário Conexão Cuba-Honduras, do cineasta baiano Dado Galvão –, ela recebeu o convite do deputado Otávio Leite (PSDB-RJ) para assistir ao vídeo na Câmara.
O plenário 1 da Câmara ficou lotado para a sessão do documentário “Conexão Cuba-Honduras”, do cineasta baiano Dado Galvão. O vídeo traz um depoimento da blogueira sobre a dificuldade enfrentada pelo povo cubano.
O líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), pediu “desculpas em nome do PSDB pelas agressões” sofridas pela blogueira. “Este não é o retrato do Brasil”, disse.
Yoani agradeceu ao apoio e ressaltou que espera um dia ter a mesma oportunidade no Congresso cubano. “Sonho com o dia em que nosso Parlamento ouça todos os tipos de vozes. Levarei boas lembranças de Brasil”, concluiu.
Com informações da Agência Brasil e do Portal do PSDB
