Socialista Morena
Hoje pela manhã o leitor Ader Gotardo me mandou, pelo twitter, um achado que me pareceu absurdo: o jornal O Estado de S.Paulo, em seu perfil no facebook, utilizou a foto de uma criança feita por Karel Prinsloo na guerra do Congo, em 2008, para ilustrar um post em que acusa o prefeito Fernando Haddad, do PT, de “tirar” a merenda escolar de alunos da periferia para cortar gastos. Após a repercussão no twitter, o jornal trocou a foto por outra, mas manteve a chamada, igualmente tendenciosa. Na verdade, Haddad não “tirou” a merenda escolar de alunos da periferia, como diz o Estadão, e sim reduziu em até 25% o orçamento de clubes-escola, estruturas esportivas públicas. Não houve confirmação alguma de que o corte atingirá o lanche.
Mas o prefeito que se defenda da acusação do jornal. O que me preocupa aqui é o distanciamento de um veículo jornalístico do jornalismo propriamente dito e sua opção pela utilização de recursos da propaganda, do marketing político. A fórmula: pesa-se a mão em uma chamada e coloca-se, ao lado, a foto que irá confirmá-la –uma criança com aparência faminta, por exemplo, é perfeita. O quadro poderia ser utilizado tranquilamente em um dos programas políticos na tevê durante as eleições. Como, aliás, costuma ser.
Qual o objetivo disso? Noticiar? De jeito nenhum. A intenção clara é fazer oposição à prefeitura. No jornalismo, a foto que ilustra uma reportagem tem que estar relacionada a ela de alguma maneira. Se você pega uma imagem dramática qualquer para reforçar o impacto de uma notícia junto à opinião pública, isso é publicidade, não é jornalismo. A foto do menino negro com um pratinho vazio na boca saiu do ar, mas o estrago já estava feito: “colou” no inconsciente dos paulistanos que passaram pela página (e a repercutiram nas redes sociais) a imagem de que o prefeito de São Paulo está deixando criancinhas com fome. Exatamente como os melhores marqueteiros fazem. E os piores jornalistas.
Tenho me fixado nestes detalhes com mais apuro nos últimos tempos e me dado conta como, até nas pequenas notícias, muitas vezes se pretende direcionar o leitor para concordar com o pensamento do veículo, sob o manto da “imparcialidade”, a maior mentira que um jornal pode vender a seu público. Sou contra toda espécie de censura e tenho restrições até mesmo a algumas ideias sobre “controle” da mídia. O que sou é a favor da conscientização. É o meu papel social como jornalista, não? Fazer os leitores enxergarem além. Felizmente, hoje em dia, existe a internet para mostrar a vocês coisas que antes nunca teríamos condições de propagar.
O que é irônico na história toda é esta manipulação escancarada da notícia com fins claramente políticos ter partido de um dos maiores veículos brasileiros de comunicação, os mesmos que vivem ditando regra sobre a melhor maneira de se praticar jornalismo. Que o jornalismo não é “armazém de secos e molhados”, que notícia boa é notícia contra o governo, não a favor. Os mesmos que se arvoram em baluartes do jornalismo “de primeira classe” no país, o mais independente, o mais honesto, o mais bem-feito. Impecável como um anúncio do horário eleitoral, com direito a favela fake e tudo o mais. Um marqueteiro não faria melhor.
(foto de menino congolês usada pelo Estadão)
Hoje pela manhã o leitor Ader Gotardo me mandou, pelo twitter, um achado que me pareceu absurdo: o jornal O Estado de S.Paulo, em seu perfil no facebook, utilizou a foto de uma criança feita por Karel Prinsloo na guerra do Congo, em 2008, para ilustrar um post em que acusa o prefeito Fernando Haddad, do PT, de “tirar” a merenda escolar de alunos da periferia para cortar gastos. Após a repercussão no twitter, o jornal trocou a foto por outra, mas manteve a chamada, igualmente tendenciosa. Na verdade, Haddad não “tirou” a merenda escolar de alunos da periferia, como diz o Estadão, e sim reduziu em até 25% o orçamento de clubes-escola, estruturas esportivas públicas. Não houve confirmação alguma de que o corte atingirá o lanche.
Mas o prefeito que se defenda da acusação do jornal. O que me preocupa aqui é o distanciamento de um veículo jornalístico do jornalismo propriamente dito e sua opção pela utilização de recursos da propaganda, do marketing político. A fórmula: pesa-se a mão em uma chamada e coloca-se, ao lado, a foto que irá confirmá-la –uma criança com aparência faminta, por exemplo, é perfeita. O quadro poderia ser utilizado tranquilamente em um dos programas políticos na tevê durante as eleições. Como, aliás, costuma ser.
Qual o objetivo disso? Noticiar? De jeito nenhum. A intenção clara é fazer oposição à prefeitura. No jornalismo, a foto que ilustra uma reportagem tem que estar relacionada a ela de alguma maneira. Se você pega uma imagem dramática qualquer para reforçar o impacto de uma notícia junto à opinião pública, isso é publicidade, não é jornalismo. A foto do menino negro com um pratinho vazio na boca saiu do ar, mas o estrago já estava feito: “colou” no inconsciente dos paulistanos que passaram pela página (e a repercutiram nas redes sociais) a imagem de que o prefeito de São Paulo está deixando criancinhas com fome. Exatamente como os melhores marqueteiros fazem. E os piores jornalistas.
Tenho me fixado nestes detalhes com mais apuro nos últimos tempos e me dado conta como, até nas pequenas notícias, muitas vezes se pretende direcionar o leitor para concordar com o pensamento do veículo, sob o manto da “imparcialidade”, a maior mentira que um jornal pode vender a seu público. Sou contra toda espécie de censura e tenho restrições até mesmo a algumas ideias sobre “controle” da mídia. O que sou é a favor da conscientização. É o meu papel social como jornalista, não? Fazer os leitores enxergarem além. Felizmente, hoje em dia, existe a internet para mostrar a vocês coisas que antes nunca teríamos condições de propagar.
O que é irônico na história toda é esta manipulação escancarada da notícia com fins claramente políticos ter partido de um dos maiores veículos brasileiros de comunicação, os mesmos que vivem ditando regra sobre a melhor maneira de se praticar jornalismo. Que o jornalismo não é “armazém de secos e molhados”, que notícia boa é notícia contra o governo, não a favor. Os mesmos que se arvoram em baluartes do jornalismo “de primeira classe” no país, o mais independente, o mais honesto, o mais bem-feito. Impecável como um anúncio do horário eleitoral, com direito a favela fake e tudo o mais. Um marqueteiro não faria melhor.
