TIJOLAÇO
Espera-se algo, ainda, sobre esta onda de manifestações que, agora tiveram seu objetivo central – e justíssimo – atingido: baixar o preço das passagens dos transportes, ao menos no Rio e em São Paulo.
Era esse o liame que a unia à grande maioria do povo brasileiro, que sofre com a má qualidade dos transportes e com seu custo absurdo para quem tem salários baixos e depende deles.
Mas é evidente que o movimento não tem apenas essas razões. Tem outras, boas e más.
Verdade que há gente que,com sinceridade, tem os difusos desejos de mais e melhores Saúde e Educação.
Mas só um tolo não veria como são instrumentalizados pelos que sempre trabalharam por um sistema econômico que negou, por séculos, Saúde e Educação ao povo brasileiro.
O grupo de pessoas que segurava cartazes recém-saídos de impressoras, ontem, durante a transmissão do jogo entre Brasil e México estava numa atitude legítima, mesmo que, pagando aquele ingresso, provavelmente não dependa de escola ou de hospital públicos. Que seja generosidade, ótimo.
A atitude da Globo de, insistentemente, fechar a imagem naquelas pessoas e tentar transformá-las em multidão, porém, não tem nada de generoso.
Assim como a atitude de incitação da emissora quando – mesmo depois do aumento das passagens ser revogado – tentou-se parar a Ponte Rio-Niterói e submeteu-se ao inferno dezenas ou centenas de milhares de pessoas que voltavam para casa, inclusive e principalmente, nos ônibus sobre cujos preços se protestava, forçados a caminhar a pé para, quilômetros adiante, tentar encontrar outro coletivo que as levasse para a distante periferia.
Participei de dezenas de manifestações, como a geração depois de mim participou nos “cara-pintada” e jamais nos ocorreu agredir desta maneira as pessoas que, afinal, eram aquelas por que lutávamos. Muito menos nos ocorreu justificar saques, depredações, agressões. Ninguém mais que nós enfrentava os provocadores e aproveitadores.
Não se vai parar esta onda se não dissermos claramente que todos devemos respeitar as regras mínimas de convivência, porque, ao lado do direito de protestar, também o respeito à coletividade é regra básica da democracia.
Ninguém é tão jovem que não possa expor seu pensamento de forma articulada e dialogar.
E temos, nós, o dever também de expor os nossos e deixar claro que uma ordem democrática implica um máximo de liberdade e um mínimo de ordem. Mas não a desordem gratuita, a agressão ao direito dos outros, a depredação e a violência.
Assim como o rebaixamento do valor das tarifas só aconteceu porque houve, por parte de Dilma e Lula a articulação e a sensibilização de prefeitos e governadores, o restabelecimento da normalidade da vida urbana também depende de uma ação centralizada.
É preciso se dirigir ao povo e dizer as coisas de maneira clara e compreensível.
Se não o fizermos, deixaremos que a mídia – cujos propósitos são mais do que sabidos – continue a insuflar ações que, está claro, tem razôes políticas e eleitorais, quando não golpistas.
Democracia é agir às claras, com transparência e, sobretudo, fazendo que o sentimento popular seja o centro de nossas ações.
Baixar a passagem era uma necessidade. Baixar a temperatura chamando pelo julgamento lúcido e sereno da população é o melhor antídoto. Não contra as ruas, mas contra os que, ocultos, se servem delas.
Por: Fernando Brito
Espera-se algo, ainda, sobre esta onda de manifestações que, agora tiveram seu objetivo central – e justíssimo – atingido: baixar o preço das passagens dos transportes, ao menos no Rio e em São Paulo.
Era esse o liame que a unia à grande maioria do povo brasileiro, que sofre com a má qualidade dos transportes e com seu custo absurdo para quem tem salários baixos e depende deles.
Mas é evidente que o movimento não tem apenas essas razões. Tem outras, boas e más.
Verdade que há gente que,com sinceridade, tem os difusos desejos de mais e melhores Saúde e Educação.
Mas só um tolo não veria como são instrumentalizados pelos que sempre trabalharam por um sistema econômico que negou, por séculos, Saúde e Educação ao povo brasileiro.
O grupo de pessoas que segurava cartazes recém-saídos de impressoras, ontem, durante a transmissão do jogo entre Brasil e México estava numa atitude legítima, mesmo que, pagando aquele ingresso, provavelmente não dependa de escola ou de hospital públicos. Que seja generosidade, ótimo.
A atitude da Globo de, insistentemente, fechar a imagem naquelas pessoas e tentar transformá-las em multidão, porém, não tem nada de generoso.
Assim como a atitude de incitação da emissora quando – mesmo depois do aumento das passagens ser revogado – tentou-se parar a Ponte Rio-Niterói e submeteu-se ao inferno dezenas ou centenas de milhares de pessoas que voltavam para casa, inclusive e principalmente, nos ônibus sobre cujos preços se protestava, forçados a caminhar a pé para, quilômetros adiante, tentar encontrar outro coletivo que as levasse para a distante periferia.
Participei de dezenas de manifestações, como a geração depois de mim participou nos “cara-pintada” e jamais nos ocorreu agredir desta maneira as pessoas que, afinal, eram aquelas por que lutávamos. Muito menos nos ocorreu justificar saques, depredações, agressões. Ninguém mais que nós enfrentava os provocadores e aproveitadores.
Não se vai parar esta onda se não dissermos claramente que todos devemos respeitar as regras mínimas de convivência, porque, ao lado do direito de protestar, também o respeito à coletividade é regra básica da democracia.
Ninguém é tão jovem que não possa expor seu pensamento de forma articulada e dialogar.
E temos, nós, o dever também de expor os nossos e deixar claro que uma ordem democrática implica um máximo de liberdade e um mínimo de ordem. Mas não a desordem gratuita, a agressão ao direito dos outros, a depredação e a violência.
Assim como o rebaixamento do valor das tarifas só aconteceu porque houve, por parte de Dilma e Lula a articulação e a sensibilização de prefeitos e governadores, o restabelecimento da normalidade da vida urbana também depende de uma ação centralizada.
É preciso se dirigir ao povo e dizer as coisas de maneira clara e compreensível.
Se não o fizermos, deixaremos que a mídia – cujos propósitos são mais do que sabidos – continue a insuflar ações que, está claro, tem razôes políticas e eleitorais, quando não golpistas.
Democracia é agir às claras, com transparência e, sobretudo, fazendo que o sentimento popular seja o centro de nossas ações.
Baixar a passagem era uma necessidade. Baixar a temperatura chamando pelo julgamento lúcido e sereno da população é o melhor antídoto. Não contra as ruas, mas contra os que, ocultos, se servem delas.
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