ISTOÉ

Paulo Moreira Leite Desde janeiro de 2013, é diretor da ISTOÉ
 em Brasília. Dirigiu a Época e foi redator chefe da VEJA, correspondente
 em Paris e em Washington. É autor dos livros A Mulher que era o
General da Casa e O Outro Lado do Mensalão.
Derrotar o Estado Policial
O objetivo central nesta segunda-feira, quando será realizado um novo ato contra aumento de tarifas no transporte público, é impedir que a violência policial se transforme num método aceitável de governo em São Paulo.

Não vamos nos iludir.
Não há baderna -- real ou provocada por atos da própria PM -- que possa servir de motivo legítimo para prisões arbitrárias e espancamentos absurdos.

O Estado não tem esse direito, a menos que esteja a serviço da delinquência institucionalizada.

Havia uma lógica, sob o regime militar. A população sabia qual era o regime em vigor no país e sabia como encaminhar a luta por direitos e reivindicações -- naquelas circunstâncias. O povo fora derrotado pelo golpe de 1964 e era necessário se mobilizar para mudar a situação. Até lá, era preciso ocupar as brechas para avançar nas conquistas.

Numa democracia, a situação é outra.

A liberdade é um pressuposto, um direito prévio que todos possuem e que nos acompanha quando vemos um filme, comparecemos às urnas para escolher candidatos de nossa preferência e vamos à rua protestar por uma causa que nos parece justa.

Ninguém está autorizado a nos impedir de exercitar estes direitos. No fim deste caminho, nós sabemos, encontra-se um Estado Policial.

Vamos deixar de eufemismos.

O que ocorreu na quinta feira passada foi uma tentativa de impedir no nascedouro um debate justíssimo a respeito de nosso sistema de transporte público.

A brutalidade da PM desmascarou liberais de fim de semana, que farejam cada mobilização popular, cada protesto, para pedir medidas autoritárias, e clamar por porrada, sempre mais porrada, sem qualquer pudor. Inconformados com os direitos do povo, procuram toda brecha disponível para questionar as democracias.

A hora é de indignação e vergonha.

Ninguém quer ser submetido, como manada, a uma brutalidade que fere e humilha. Nós sabemos muito bem como essa história começa e como ela termina.
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