TIJOLAÇO
A legitimidade de um Presidente da República, numa democracia presidencialista, vem, obviamente, dos votos que o elegeram.
A de Dilma Rousseff, portanto, provém dos 55.752.529 brasileiros que sufragaram seu nome, 12 milhões a mais do que aqueles que preferiram José Serra, seu oponente no segundo turno.
Isso é inquestionável e merece o respeito de todos aqueles que não sejam golpistas, para os quais só há democracia quando eles estão no poder.
Mas a origem dos 55.752.529 votos de Dilma também faz parte de sua legitimidade.
E essa origem chama-se (governo) Luiz Inácio Lula da Silva.
Foi ele quem a apresentou e avalizou ao povo brasileiro e, por isso, é a fonte primária do processo eleitoral que levou os brasileiros a conduzi-la à Presidência.
Por isso, nem ela nem ele podem e devem dar ouvidos aos assessores que temem que o ex-Presidente venha, no momento decisivo, partilhar com ela o enfrentamento de um instante crucial para o projeto político que ambos representam, porque uma aparência de duplicidade de comando não seria bem entendida pela opinião pública.
Ora, o povo brasileiro não apenas entende como deseja que seu melhores líderes, Lula e Dilma – onde está outro que mereça tanta confiança, mesmo nas pesquisas feitas agora, em meio à crise? – atuem juntos e firmemente nesse momento em que as instituições políticas, em parte por sua própria omissão e indiferença, estão sob o descrédito da rua.
Lula, é claro, por respeito político e pela consideração pessoal que tem à Presidenta, só poderá ocupar este papel se convidado a isso, e nos espaços políticos em que isso lhe venha a ser solicitado.
Não é crível que não o esteja sendo, e para ocupar a co-liderança da luta, porque Dilma é a primeira pessoa a saber que dele brotou sua legitimidade, consagrada pelas urnas.
Como não é crível que, chamado a cooperar, Lula pudesse estar se negando, até porque todas as suas (poucas) manifestações públicas têm sido de total apoio a Dilma.
O evidente, para qualquer pessoa acostumada a observar as relações entre pessoas no poder, é que, em matéria de decisões de Governo, é que Lula só secundará Dilma, mas não antecipar-se a ela, em hipótese alguma.
E, portanto, enquanto a Presidenta não fala, Lula se cala, achando ou não que é preciso falar.
Como, provavelmente, acha, porque Lula sabe que líder que não fala não é líder, está morto politicamente.
Mas existe um campo de batalha onde não podem haver e não haverá estes melindres e delicadezas.
A luta política pelo plebiscito, que será a “avant-première” das eleições de 2014.
Mesmo as pesquisas divulgadas ontem e hoje não são capazes de negar que a Lula permanece intacto o arsenal de prestígio político que pode mobilizar para este combate a partir do que Dilma propuser.
E, pior ainda para a oposição, devolverá o ex-presidente ao centro do cenário político e manterá vivo o “pesadelo” de que ele próprio, por mais sinceras que sejam suas negativas de que pudesse vir a ser o candidato do campo da esquerda, possa assumir outra vez a representação do campo popular.
O tempo que perdemos é grave e aí estão as sondagens de opinião para mostrar que sim.
Mas só será fatal se perdermos o foco no que é a essência da legitimação deste Governo nas urnas de 2010.
A de que Lula é Dilma, porque a escolheu para apresentar e pedir-lhe a confiança ao povo brasileiro.
E de que Dilma é Lula, porque essa foi a fonte original de sua legitimidade, confirmada pelas urnas e, neste momento, o que a faz responsável por apontar o caminho de mudança que o povo brasileiro quer.
Não para que andemos para trás, mas para que avancemos mais.
Por: Fernando Brito
A de Dilma Rousseff, portanto, provém dos 55.752.529 brasileiros que sufragaram seu nome, 12 milhões a mais do que aqueles que preferiram José Serra, seu oponente no segundo turno.
Isso é inquestionável e merece o respeito de todos aqueles que não sejam golpistas, para os quais só há democracia quando eles estão no poder.
Mas a origem dos 55.752.529 votos de Dilma também faz parte de sua legitimidade.
E essa origem chama-se (governo) Luiz Inácio Lula da Silva.
Foi ele quem a apresentou e avalizou ao povo brasileiro e, por isso, é a fonte primária do processo eleitoral que levou os brasileiros a conduzi-la à Presidência.
Por isso, nem ela nem ele podem e devem dar ouvidos aos assessores que temem que o ex-Presidente venha, no momento decisivo, partilhar com ela o enfrentamento de um instante crucial para o projeto político que ambos representam, porque uma aparência de duplicidade de comando não seria bem entendida pela opinião pública.
Ora, o povo brasileiro não apenas entende como deseja que seu melhores líderes, Lula e Dilma – onde está outro que mereça tanta confiança, mesmo nas pesquisas feitas agora, em meio à crise? – atuem juntos e firmemente nesse momento em que as instituições políticas, em parte por sua própria omissão e indiferença, estão sob o descrédito da rua.
Lula, é claro, por respeito político e pela consideração pessoal que tem à Presidenta, só poderá ocupar este papel se convidado a isso, e nos espaços políticos em que isso lhe venha a ser solicitado.
Não é crível que não o esteja sendo, e para ocupar a co-liderança da luta, porque Dilma é a primeira pessoa a saber que dele brotou sua legitimidade, consagrada pelas urnas.
Como não é crível que, chamado a cooperar, Lula pudesse estar se negando, até porque todas as suas (poucas) manifestações públicas têm sido de total apoio a Dilma.
O evidente, para qualquer pessoa acostumada a observar as relações entre pessoas no poder, é que, em matéria de decisões de Governo, é que Lula só secundará Dilma, mas não antecipar-se a ela, em hipótese alguma.
E, portanto, enquanto a Presidenta não fala, Lula se cala, achando ou não que é preciso falar.
Como, provavelmente, acha, porque Lula sabe que líder que não fala não é líder, está morto politicamente.
Mas existe um campo de batalha onde não podem haver e não haverá estes melindres e delicadezas.
A luta política pelo plebiscito, que será a “avant-première” das eleições de 2014.
Mesmo as pesquisas divulgadas ontem e hoje não são capazes de negar que a Lula permanece intacto o arsenal de prestígio político que pode mobilizar para este combate a partir do que Dilma propuser.
E, pior ainda para a oposição, devolverá o ex-presidente ao centro do cenário político e manterá vivo o “pesadelo” de que ele próprio, por mais sinceras que sejam suas negativas de que pudesse vir a ser o candidato do campo da esquerda, possa assumir outra vez a representação do campo popular.
O tempo que perdemos é grave e aí estão as sondagens de opinião para mostrar que sim.
Mas só será fatal se perdermos o foco no que é a essência da legitimação deste Governo nas urnas de 2010.
A de que Lula é Dilma, porque a escolheu para apresentar e pedir-lhe a confiança ao povo brasileiro.
E de que Dilma é Lula, porque essa foi a fonte original de sua legitimidade, confirmada pelas urnas e, neste momento, o que a faz responsável por apontar o caminho de mudança que o povo brasileiro quer.
Não para que andemos para trás, mas para que avancemos mais.
Por: Fernando Brito

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