Opera Mundi
“Democracia não significa voto de silêncio”, afirma o ex-presidente brasileiro em artigo sobre os protestos no Brasil
Em sua coluna de estreia no jornal The New York Times, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os protestos ocorridos no Brasil recentemente indicam não uma recusa à política, mas um desejo de “ampliar o alcance da democracia”.
Em sua coluna de estreia no jornal The New York Times, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que os protestos ocorridos no Brasil recentemente indicam não uma recusa à política, mas um desejo de “ampliar o alcance da democracia”.
[Reprodução da página do NYT na Internet com o artigo de Lula]
“Muitos analistas atribuem os recentes protesto a uma rejeição à política. Eu penso precisamente oposto: eles refletem um desejo de ampliar o alcance da democracia, de encorajar as pessoas a participarem mais integralmente do processo”, escreveu Lula no texto, intitulado “Mensagem à juventude brasileira”.
A análise de Lula começa apontando o papel das redes sociais na política, não apenas no Brasil. “Os jovens, teclando rapidamente em seus smartphones, tomaram as ruas de todo o mundo”, afirma ele, no primeiro parágrafo. Em seguida, Lula avalia que é mais fácil explicar por que os jovens vão às ruas em países não democráticos, como Egito e Tunísia, em 2011, ou em que o desemprego atinge altos níveis, como Espanha e Grécia.
O caso brasileiro, acredita Lula, teria outro sentido. Depois de vários sucessos, entre eles a mais baixa taxa de desemprego da história e expansão sem paralelos da economia e de direitos sociais, uma nova geração de estudantes teria tomado as ruas. Esses jovens, muitos deles filhos de famílias pobres, lutam para obter o que seus pais nunca tiveram.
“Estes jovens não viveram a repressão da ditadura militar nos anos 1960 e 1970. Não viveram a hiperinflação dos anos 1980, quando a primeira coisa que fazíamos ao receber o contracheque era correr ao supermercado e comprar o máximo de coisas, antes que os preços subissem, no dia seguinte. E pouco se recordam dos anos 1990, quando a estagnação e o desemprego deprimiam o país. Eles querem mais”, escreve.
Lula afirma que os jovens querem qualidade dos serviços públicos, mas não apenas: querem acesso a lazer e cultura, instituições mais transparentes e reformas na política e no sistema eleitoral. “Democracia não significa voto de silêncio”, diz ele, complementando: “Apenas na democracia um índio pôde ser eleito presidente da Bolívia, um afro-americano presidente dos EUA. E só numa democracia um metalúrgico e uma mulher puderem ser escolhidos presidentes do Brasil.”
O ex-presidente propõe ainda o uso da tecnologia para ampliar a interlocução entre as instituições e os cidadãos e reformas inclusive no seu partido, o PT. “Ele precisa recupera sua ligação diária com o movimento social e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer essas duas coisas sem tratar os jovens sem paternalismo.”
O artigo de Lula lembra, de forma elogiosa, a proposta de Dilma de realizar um plebiscito sobre reforma política e a ideia da presidente de construir um compromisso nacional em torno de educação, saúde e transporte público.
O ex-presidente finaliza o artigo afirmando: “Quando falo com jovens lideranças no Brasil ou em qualquer lugar, gosto de dizer: Mesmo quando você está desapontado com tudo e com todos, não desista da política. Participe! Se você não encontrar nos outros o político que você procura, você pode encontrá-lo em você mesmo”.
A análise de Lula começa apontando o papel das redes sociais na política, não apenas no Brasil. “Os jovens, teclando rapidamente em seus smartphones, tomaram as ruas de todo o mundo”, afirma ele, no primeiro parágrafo. Em seguida, Lula avalia que é mais fácil explicar por que os jovens vão às ruas em países não democráticos, como Egito e Tunísia, em 2011, ou em que o desemprego atinge altos níveis, como Espanha e Grécia.
O caso brasileiro, acredita Lula, teria outro sentido. Depois de vários sucessos, entre eles a mais baixa taxa de desemprego da história e expansão sem paralelos da economia e de direitos sociais, uma nova geração de estudantes teria tomado as ruas. Esses jovens, muitos deles filhos de famílias pobres, lutam para obter o que seus pais nunca tiveram.
“Estes jovens não viveram a repressão da ditadura militar nos anos 1960 e 1970. Não viveram a hiperinflação dos anos 1980, quando a primeira coisa que fazíamos ao receber o contracheque era correr ao supermercado e comprar o máximo de coisas, antes que os preços subissem, no dia seguinte. E pouco se recordam dos anos 1990, quando a estagnação e o desemprego deprimiam o país. Eles querem mais”, escreve.
Lula afirma que os jovens querem qualidade dos serviços públicos, mas não apenas: querem acesso a lazer e cultura, instituições mais transparentes e reformas na política e no sistema eleitoral. “Democracia não significa voto de silêncio”, diz ele, complementando: “Apenas na democracia um índio pôde ser eleito presidente da Bolívia, um afro-americano presidente dos EUA. E só numa democracia um metalúrgico e uma mulher puderem ser escolhidos presidentes do Brasil.”
O ex-presidente propõe ainda o uso da tecnologia para ampliar a interlocução entre as instituições e os cidadãos e reformas inclusive no seu partido, o PT. “Ele precisa recupera sua ligação diária com o movimento social e oferecer novas soluções para novos problemas, e fazer essas duas coisas sem tratar os jovens sem paternalismo.”
O artigo de Lula lembra, de forma elogiosa, a proposta de Dilma de realizar um plebiscito sobre reforma política e a ideia da presidente de construir um compromisso nacional em torno de educação, saúde e transporte público.
O ex-presidente finaliza o artigo afirmando: “Quando falo com jovens lideranças no Brasil ou em qualquer lugar, gosto de dizer: Mesmo quando você está desapontado com tudo e com todos, não desista da política. Participe! Se você não encontrar nos outros o político que você procura, você pode encontrá-lo em você mesmo”.

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