Terra Brasil

Policiais procuram por vítimas em meio a casas demolidas pelo
 tremor, na localidade de Dingxi  Foto: Reuters


As equipes de resgate enfrentavam os deslizamentos de terra e as estradas bloqueadas para ajudar as vítimas de dois terremotos que atingiram o noroeste da China nesta segunda-feira, matando 89 pessoas, ferindo quase 600 e danificando mais de 20 mil construções, informaram autoridades locais.

Os tremores na província de Gansu - de 5,9 e 5,6 graus de magnitude - provocaram deslizamentos que soterraram as construções locais, levantadas frequentemente de forma precária, informou a rede de televisão estatal CCTV. Imagens dos locais atingidos mostravam edifícios reduzidos a escombros, com metais retorcidos em meio aos destroços.

O governo da cidade de Dingxi, em Gansu, informou em uma rede social que 14 pessoas permaneciam desaparecidas. Quase todas as mortes foram registradas no distrito de Min, onde um funcionário de uma indústria local disse à AFP que viu prédios desabarem quando o terremoto começou.

"Estava na oficina, notei uma grande sacudida e fui correndo ao pátio da fábrica", explicou este homem chamado Ma. "Nossa fábrica tem apenas um andar. Quando cheguei ao pátio vi um edifício de 18 andares, o mais alto de nosso distrito, que balançava violentamente, sobretudo o último andar", acrescentou.

Um funcionário do gabinete de emergência da província informou que mais de 1.200 prédios desabaram e que mais de 21 mil ficaram seriamente danificados, acrescentando que 371 tremores secundários foram registrados.

Zhu Wenqing, um fazendeiro de 40 anos do distrito de Min, disse à agência de notícias Xinhuaque havia acabado de acordar quando sua casa começou a balançar. "Escapei imediatamente ao ouvir um 'bang' e sentir o tremor", afirmou, acrescentando que sua casa desabou após algumas réplicas.

Quase 3 mil bombeiros, policiais, soldados e trabalhadores do governo local foram enviados à região, disse a Xinhua, mas os esforços das equipes eram prejudicados pelos deslizamentos de terra e pelas estradas, que estavam bloqueadas após as fortes chuvas dos últimos dias.

O presidente Xi Jinping ordenou um esforço de resgate total, disse a Xinhua. "Estamos correndo para o local" da catástrofe, afirmou por sua vez o vice-prefeito de Dingxi à CCTV, que mostrava um integrante das equipes de resgate guiando um trator no local.

Um alerta vermelho para tempestade foi lançado para a região, o que pode prejudicar ainda mais as ações de resgate no local.

Já o ministério dos Assuntos Civis enviou 10 mil barracas, 30 mil cobertores, 5.000 camas dobráveis e 10 mil sacos de dormir para Gansu, enquanto o governo provincial liberou 5 milhões de iuanes (US$ 830 mil) para os esforços de ajuda, disse a Xinhua.

O serviço geológico americano (USGS) informou que o primeiro tremor, de 5,9 graus, ocorreu às 7h45 locais (20h45 de Brasília de domingo) a uma profundidade de 9,8 quilômetros. Pouco depois, às 9h12 locais, um segundo tremor de 5,6 graus de magnitude atingiu a mesma região, com um epicentro a 10,1 quilômetros de profundidade, acrescentou o USGS.

Embora Gansu seja uma das províncias menos povoadas da China, Dingxi, que inclui Min e outros distritos afetados, tem uma população de cerca de 2,7 milhões de habitantes. O tremor foi sentido em Lanzhou, a capital de Gansu, e inclusive em Xi'An, a capital da província vizinha de Shanxi, disse a Xinhua.

Os terremotos são frequentes no oeste da China e em abril um tremor de magnitude 6,6 provocou a morte de 200 pessoas em Sichuan, o mesmo local onde em 2008 outro tremor de 8 graus de magnitude provocou a morte de 90 mil pessoas.





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