Por Altamiro Borges

Em solenidade realizada na manhã desta quinta-feira (15), o bilionário Horacio Cartes tomou posse como presidente do Paraguai para um mandato de cinco anos. O ato teve a presença de mais 100 delegações estrangeiras, incluindo a presidenta Dilma. Em seu juramento, o chefão do Partido Colorado - que liderou o golpe contra o ex-presidente Fernando Lugo - prometeu defender a democracia e combater a corrupção. "Invoco a Deus que me dê sabedoria, prudência e justiça para cumprir com os meus deveres junto ao nobre povo paraguaio", afirmou. Com exceção do "imortal" Merval Pereira e do senador tucano Álvaro Dias, embaixadores dos golpistas paraguaios no Brasil, ninguém deve acreditar muito nestas promessas.


Horácio Cartes é dono de um conglomerado de 26 empresas – a maioria delas no ramo de cigarros –, e presidente do clube de futebol Libertad (atual campeão paraguaio). Um dos homens mais ricos do país, ele é acusado de ligações com o narcotráfico, contrabando e lavagem de dinheiro. Com a surpreendente vitória de Fernando Lugo em 2008, que colocou fim a 60 anos de hegemonia dos colorados no país, o empresário ganhou influência no partido em crise graças a sua fortuna. Ele passou a ser o principal financiador da legenda.

No final dos anos 1980, Horácio Cartes chegou a ser preso por crimes financeiros. Ele foi acusado de ter obtido dólares por um preço preferencial do Banco Central paraguaio para vendê-los na cotação paralela. O mafioso também foi alvo de um processo aberto pela Justiça brasileira por remessa ilegal de divisas, envolvendo o Banco Amambay, de sua família. Em 2004, a CPI da Pirataria mencionou o mafioso como contrabandista de cigarros para o Brasil através da empresa Tabesa.

Telegrama vazado pelo WikiLeaks, em 2010, revelou que Horácio Cartes integra um rede internacional de narcotráfico e lavagem de dinheiro. O mafioso vive cercado por seguranças e alimenta um misto de medo e fidelidade entre os seus subordinados. Segundo o ex-presidente Fernando Lugo, ele foi um dos principais mentores do golpe de 2012. Na sua campanha para presidente, Horácio Cartes contou com o apoio dos latifundiários, de ricos empresários e de parte expressiva da mídia venal do Paraguai.

Altamiro Borges

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