Por Altamiro Borges

Segundo Mario Coelho, no sítio Congresso em Foco, "petistas na Câmara e no Senado começam a coletar na segunda-feira (19) as assinaturas necessárias para criar a CPI mista da Siemens. O alvo principal da investigação é o esquema denunciado pela empresa alemã sobre a formação de cartel para fraudar licitações do metrô em São Paulo e no Distrito Federal". O líder da bancada, deputado Paulo Teixeira (PT-SP), está otimista com a iniciativa, que coloca os tucanos na berlinda. "Acho que não vai ser difícil conseguir assinaturas. Temos o apoio de partidos da base”, afirmou.


Num primeiro momento, o PT pretendia apresentar o pedido de abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara. Mas com já há duas CPIs em funcionamento e outras duas autorizadas, o requerimento iria para uma fila com outras 17. Apenas cinco podem funcionar ao mesmo tempo na Câmara Federal. Daí a decisão de solicitar uma CPI mista - já que não existe nenhuma autorizada a funcionar na atualidade. Pelo regimento interno, são necessárias as assinaturas de pelo menos 171 deputados federais e 27 senadores para instalar a comissão. Os partidos de esquerda avaliam que o clima político, com o fim da blindagem midiática sobre o propinoduto tucano, facilita as adesões.


A dúvida é se a CPI, caso seja criada, será para valer. Ainda está na memória a comissão criada para averiguar as ligações do mafioso Carlinhos Cachoeira com lideranças do DEM e do PSDB - como o senador Demóstenes Torres, o "mosqueteiro da ética" da Veja, e o governador tucano Marconi Perillo -, que terminou vergonhosamente em pizza. O pragmatismo político inviabilizou qualquer tipo de punição. Neste sentido, além de pressionar pela criação da CPI do "trensalão", a sociedade organizada precisará manter a pressão das ruas para inibir o cretinismo parlamentar.


Altamiro Borges

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