O esforço que os jornalões estão fazendo para mostrar que o governo paulista é a suposta vítima do escândalo dos trens é algo patético.

Essa última da Folha, de dizer que Serra não fez nada errado quando sugeriu que os consórcios se acertassem é, então, digna de ganhar o prêmio "Óleo de Peroba" do ano.

Ora, em nenhum lugar do mundo um governador pode dizer o que disse Serra ao representante da Siemens.

Se o Estado fez uma licitação para a compra de equipamentos, ela deve seguir os trâmites indicados em seu edital.

Apenas isso, nada mais.




Nem o governador nem ninguém deve sequer pensar em mudar as regras do jogo.

Serra não poderia nem ter recebido o executivo da Siemens.

Se ele quisesse fazer a proposta indecorosa que fez, que soou até como uma chantagem, que a levasse a alguém do seu nível hierárquico, não ao governador do Estado.

Afinal, São Paulo não é uma dessas repúblicas de bananas que a gente vê nos filmes americanos.

Ou é, a julgar pelo nível de seus governantes?

Os próximos dias mostrarão qual o comprometimento dos jornalões com os tucanos.

Não adianta só noticiar o escândalo, se as notícias são todas no tom de que os pobres governadores Covas, Alckmin e Serra foram vítimas de inescrupulosos empresários.

Por tudo o que já se publicou sobre o assunto, o que houve em São Paulo foi mais um caso de corrupção, de assalto aos cofres públicos.

Nada mais, nada menos que isso.

A forma como esse crime foi cometido, com a formação de um cartel informal, que fraudava as licitações, é outra história.

Os jornalões, se mantiverem a posição assumida até agora, estarão simplesmente sendo cúmplices de um crime.


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