Por Altamiro Borges

O senador Jarbas Vasconcelos, um tucano alojado no PMDB de Pernambuco, detestou o discurso da presidenta Dilma Rousseff na abertura da 68ª Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), ocorrida nesta terça-feira (24) nos EUA. Segundo a Agência Senado, ele qualificou o pronunciamento de “altamente decepcionante”, “fraco” e “ridículo”. Para o ácido e veterano oposicionista, o discurso “foi um expediente totalmente eleitoreiro, medíocre, que envergonha a história da política externa brasileira”.

O eterno senador considerou a fala presidencial “uma iniciativa ruim para a senhora Dilma Rousseff e seu partido, porém muito pior, muito mais grave, para o Brasil, como nação”. A exemplo de outros tucanos servis e de alguns “calunistas” da mídia colonizada, ele afirmou que o discurso teve “cunho altamente ideológico” e “xiita”. Em aparte, o senador Pedro Taques, outro tucano hoje infiltrado no PDT do Mato Grosso, parabenizou o peemedebista e atacou a política externa “ideológica, maria-mole e terceiro-mundista” do governo.

Ao contrário dos dois tucaninhos enrustidos e da mídia nativa, a imprensa internacional elogiou o corajoso pronunciamento da presidenta. Segundo o jornal britânico The Guardian, a crítica de Dilma Rousseff à espionagem dos EUA “representou o tratamento mais duro dado até agora por um chefe de Estado às revelações feitas pelo ex-agente da NSA, Eduard Snowden”. Outros veículos também destacaram a postura altiva da presidenta e registraram a covardia de Barack Obama, que não compareceu a abertura da assembleia da ONU.

Em seu discurso, Dilma Rousseff condenou a espionagem realizada pela Agência de Segurança Nacional (NSA) dos EUA. Ela foi dura: “Imiscuir-se dessa forma na vida de outros países fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre eles, sobretudo entre nações amigas... Jamais pode uma soberania firmar-se em detrimento de outra soberania. Jamais pode o direito à segurança de um país ser garantido mediante a violação de direitos humanos e civis fundamentais dos cidadãos de outro país”.

A presidenta também rechaçou as explicações prestadas pelo governo ianque. “Não se sustentam os argumentos de que a interceptação ilegal de informações e dados destina-se a proteger as nações contra o terrorismo... Somos um país democrático, cercado de países democráticos, pacíficos e respeitosos do direito internacional”. Por fim, propôs a adoção de uma governança mundial para garantir a privacidade na internet. “Esse é o momento para criarmos as condições para evitarmos que o espaço cibernético seja instrumentalizado como arma de guerra, por meio da espionagem, da sabotagem e dos ataques contra sistemas e infraestruturas de outros países”.

O corajoso discurso de Dilma Rousseff não deve mesmo ter agradado aos saudosos de FHC. Eles preferiam a política tucana do “alinhamento automático” com os EUA, quando o Brasil quase virou colônia dos EUA com a imposição da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) e a entrega da base militar de Alcântara (MA) para as tropas ianques. O senador Jarbas Vasconcelos preferia os tempos em que o ministro das Relações Exteriores de FHC, Celso Lafer, tirava os sapatinhos nos aeroportos dos EUA. Isto sim era “ridículo” e “medíocre”!


Altamiro Borges

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