O ex-governador do Rio Grande do Sul e ex-prefeito de Porto Alegre Olívio Dutra (PT) está afastado dos mandatos eletivos desde 2003, quando deixou o governo do Estado, mas continua em plena atividade política. Nos últimos dez anos, foi ministro do governo Lula, entre 2003 e 2005, disputou de novo o Piratini, em 2006, e presidiu o diretório estadual do PT, onde hoje é presidente de honra. Aos 72 anos, mantém extensa agenda de atividades partidárias e segue defendendo as mudanças que julga fundamentais para o país. 
 
É possível ser governo e, ao mesmo tempo, reivindicar mudanças, criticar governantes?

O PT comanda o governo federal pela terceira vez. Essas reformas estão em curso?

Os dois mandatos do presidente Lula foram de grandes transformações, de retomada da autoestima do povo, de provocação da cidadania... Lula e a presidente Dilma trouxeram para uma situação de mais conforto mais de 40 milhões de brasileiros. Mas há muito a fazer. As mudanças ainda não tocaram em questões substanciais (...) Temos políticas de governo importantes, que tinham que ser feitas, mas precisamos de políticas de Estado, transformadoras e duradouras. Deve haver um compromisso da esquerda. O campo popular democrático precisa ser mais nítido na sua conformação ideológica, e os partidos que o compõem, mais compromissados entre si em diferentes mandatos, com alternativas entre eles.

Estes desafios afetam a popularidade da presidente ou do governador?

Nas últimas três décadas, o PT secundarizou a vinculação aos movimentos sociais. Há um processo de burucratização que faz este partido de transformação, aos poucos, entrar em acomodação, o que o coloca também como objeto das críticas das ruas. O povo quer mudanças muito mais profundas e amplas, para que o Estado funcione bem e melhor e não apenas para alguns. O PT precisa ser sacudido de baixo para cima.
O senhor apoia os recentes protestos das ruas?

Tenho uma visão crítica do endeusamento das redes sociais, à convocação que se faz de forma a não consolidar e não comprometer lideranças como se elas não existissem, e elas existem.

Flávia Bemfica
No Correio do Povo

Com Texto Livre

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