Renata Sanches
"American Dervish", de Ayad Akhtar. Ed.Little, Brown & Company, 2012. ( *)
"American Dervish", de Ayad Akhtar. Ed.Little, Brown & Company, 2012. ( *)
Existem livros que causam um impacto desde o primeiro capítulo, e que após 10 ou 15 páginas de leitura já farejamos: "vai virar filme", "vai ser mega premiado", "vai virar best-seller".
“American Dervish”, sem dúvida, entra na categoria de obra que vai render muita coisa futura. Ainda que a realidade tratada nos pareça, aqui nos confins latinoamericanos, tão distante do que nos é usual.
Hayat Shah é um pré-adolescente imaturo e ingênuo, filho único de uma família ilustrada, de origem paquistanesa, instalada em Milwaukee/USA, no final dos anos 70.
Sua existência monótona e confortável, é abalada pela chegada da melhor amiga de infância de sua mãe, Mina Ali, e seu filho de 4 anos, Imran. Ambos fugiram de uma vida de violência, abusos e repressão no Paquistão. Mina é uma mulher belíssima e uma insuspeita admiradora dos autores ocidentais como Henry Miller e F. Scott Fitzgerald, que vai seduzir o pequeno Hayat pela escolaridade surpreendente, pela personalidade doce e vanguardista, assim como por suas interpretações liberais e cativantes do Alcorão.
A trama vai acompanhar o despertar espiritual do menino, maravilhado pelas possibilidades apresentadas por Mina, de um Islã tão profundo e generoso, em um momento que coincide com seu despertar sexual. Tudo enquadrado por um cenário de enorme confusão inter-cultural; afinal, contrariando as expectativas pueris de Hayat, a musa Mina se apaixona pelo radiologista judeu, Nathan Wolfsohn, que trabalha ao lado de seu pai, um neurocientista alcóolatra, brilhante, e que renega suas origens muçulmanas.
E assim o autor vai tecendo confrontos entre o mundo antigo e o novo, entre Ocidente e Oriente, entre o secular e o sagrado, entre os imigrantes e os nativos. Preso entre infância e maturidade, entre o desejo e abnegação, entre o novo e o proibido, Hayat é um turbilhão vertiginoso de paradoxos.
É um belíssimo romance, carregado nas tintas do melodrama, mas com personagens complexos, incoerentes, densos, que jamais são vítimas indefesas, ao contrário, um a um são capazes de erros irrevogáveis e atos de consequências terríveis. Ainda assim, o autor consegue puxar o fio da compreensão e do perdão, e revelar o que há de mais belo na alma humana.
Portanto, caro leitor, não se preocupe. Há um lindo desfecho, que cai como um bálsamo, pra quem passou quase 400 páginas sem fôlego, coração na mão.
(*) Não identifiquei tradução em português, ainda. Mas certamente não tardará!!
GGN
“American Dervish”, sem dúvida, entra na categoria de obra que vai render muita coisa futura. Ainda que a realidade tratada nos pareça, aqui nos confins latinoamericanos, tão distante do que nos é usual.
Hayat Shah é um pré-adolescente imaturo e ingênuo, filho único de uma família ilustrada, de origem paquistanesa, instalada em Milwaukee/USA, no final dos anos 70.
Sua existência monótona e confortável, é abalada pela chegada da melhor amiga de infância de sua mãe, Mina Ali, e seu filho de 4 anos, Imran. Ambos fugiram de uma vida de violência, abusos e repressão no Paquistão. Mina é uma mulher belíssima e uma insuspeita admiradora dos autores ocidentais como Henry Miller e F. Scott Fitzgerald, que vai seduzir o pequeno Hayat pela escolaridade surpreendente, pela personalidade doce e vanguardista, assim como por suas interpretações liberais e cativantes do Alcorão.
A trama vai acompanhar o despertar espiritual do menino, maravilhado pelas possibilidades apresentadas por Mina, de um Islã tão profundo e generoso, em um momento que coincide com seu despertar sexual. Tudo enquadrado por um cenário de enorme confusão inter-cultural; afinal, contrariando as expectativas pueris de Hayat, a musa Mina se apaixona pelo radiologista judeu, Nathan Wolfsohn, que trabalha ao lado de seu pai, um neurocientista alcóolatra, brilhante, e que renega suas origens muçulmanas.
E assim o autor vai tecendo confrontos entre o mundo antigo e o novo, entre Ocidente e Oriente, entre o secular e o sagrado, entre os imigrantes e os nativos. Preso entre infância e maturidade, entre o desejo e abnegação, entre o novo e o proibido, Hayat é um turbilhão vertiginoso de paradoxos.
É um belíssimo romance, carregado nas tintas do melodrama, mas com personagens complexos, incoerentes, densos, que jamais são vítimas indefesas, ao contrário, um a um são capazes de erros irrevogáveis e atos de consequências terríveis. Ainda assim, o autor consegue puxar o fio da compreensão e do perdão, e revelar o que há de mais belo na alma humana.
Portanto, caro leitor, não se preocupe. Há um lindo desfecho, que cai como um bálsamo, pra quem passou quase 400 páginas sem fôlego, coração na mão.
(*) Não identifiquei tradução em português, ainda. Mas certamente não tardará!!
GGN

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