Como exemplo do absurdo ao qual chegou a paranóia com a “Ameaça Vermelha” nos Estados Unidos dos anos 1950, no dia em 13 de novembro de 1953 a comissão estadual do livro escolar de Indiana determinou a remoção de qualquer referência ao lendário herói medieval Robin Hood dos livros didáticos utilizados nas escolas públicas.
Segundo o órgão, havia “uma diretiva comunista na educação para dar ênfase à história de Robin Hood, porque ele roubava dos ricos para entregar aos pobres. Isto é uma orientação comunista. Busca desprestigiar a lei e a ordem e o alimento dessa gente é tudo o que possa afetar e ofender a lei e a ordem".
A comissão partiu também para o ataque contra a seita dos quacres, originada na Inglaterra do século XVII, porque eles “não acreditavam nos combates e nas guerras." Tal filosofia, argumentava, jogava a favor dos comunistas.
Embora, mais tarde, a presidente da comissão, Sra. Thomas White, tenha declarado que jamais defendera a remoção de textos que mencionassem Robin Hood, continuou a ressaltar que o tema de “tirar dos ricos para dar aos pobres” era a “política favorita dos comunistas.”
“Eu sou difamada simplesmente porque trabalho para afastar os escritores comunistas dos textos escolares. Evidentemente, estou incomodando muito, ou não fariam tanto escarcéu sobre isso”, respondia, reagindo às críticas.
A s respostas às acusações da Sra. White variavam. O governador de Indiana, George Craig, saiu em defesa dos quacres, mas omitiu-se para não ser envolvido na questão dos livros didáticos. O secretário estadual de educação disse que iria reler a história antes de decidir se devia ou não ser banida. Entretanto, ele também achava que “os comunistas trabalhavam para mudar o sentido da lenda de Robin Hood”. Já o secretário municipal de educação de Indianápolis não queria que o livro fosse banido, afirmando que não via nada de particularmente subversivo na história do “príncipe dos ladrões”.
Enquanto isso, na União Soviética, os comentaristas ganharam um prato cheio com toda a controvérsia. Um deles até zombou, dizendo que “a filiação de Robin Hood ao Partido Comunista faz com que as pessoas sensíveis soltem sonoras gargalhadas”. O então ocupante do cargo de xerife de Nottingham, na Inglaterra (em cuja floresta de Sherwood se passa a lenda), ficou horrorizado. “Robin Hood não é comunista!”, vociferava.
Embora em retrospectiva o episódio seja absolutamente ridículo, os ataques à liberdade de expressão durante o período da “Ameaça Vermelha” nos EUA levaram à proibição de inúmeros livros das escolas e bibliotecas públicas nos anos 1950 e 1960, devido a conteúdos supostamente subversivos. Livros consagrados, como “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e “Johnny vai à Guerra”, de Dalton Trumbo, foram retirados das estantes. Os filmes de Hollywood também foram pressionados a mostrar temas e histórias considerados “apropriados para o americano médio”. Até o rock’n’roll foi depreciado por muitos como produto de inspiração comunista.
Opera Mundi
Segundo o órgão, havia “uma diretiva comunista na educação para dar ênfase à história de Robin Hood, porque ele roubava dos ricos para entregar aos pobres. Isto é uma orientação comunista. Busca desprestigiar a lei e a ordem e o alimento dessa gente é tudo o que possa afetar e ofender a lei e a ordem".
A comissão partiu também para o ataque contra a seita dos quacres, originada na Inglaterra do século XVII, porque eles “não acreditavam nos combates e nas guerras." Tal filosofia, argumentava, jogava a favor dos comunistas.

“Eu sou difamada simplesmente porque trabalho para afastar os escritores comunistas dos textos escolares. Evidentemente, estou incomodando muito, ou não fariam tanto escarcéu sobre isso”, respondia, reagindo às críticas.
A s respostas às acusações da Sra. White variavam. O governador de Indiana, George Craig, saiu em defesa dos quacres, mas omitiu-se para não ser envolvido na questão dos livros didáticos. O secretário estadual de educação disse que iria reler a história antes de decidir se devia ou não ser banida. Entretanto, ele também achava que “os comunistas trabalhavam para mudar o sentido da lenda de Robin Hood”. Já o secretário municipal de educação de Indianápolis não queria que o livro fosse banido, afirmando que não via nada de particularmente subversivo na história do “príncipe dos ladrões”.
Enquanto isso, na União Soviética, os comentaristas ganharam um prato cheio com toda a controvérsia. Um deles até zombou, dizendo que “a filiação de Robin Hood ao Partido Comunista faz com que as pessoas sensíveis soltem sonoras gargalhadas”. O então ocupante do cargo de xerife de Nottingham, na Inglaterra (em cuja floresta de Sherwood se passa a lenda), ficou horrorizado. “Robin Hood não é comunista!”, vociferava.
Embora em retrospectiva o episódio seja absolutamente ridículo, os ataques à liberdade de expressão durante o período da “Ameaça Vermelha” nos EUA levaram à proibição de inúmeros livros das escolas e bibliotecas públicas nos anos 1950 e 1960, devido a conteúdos supostamente subversivos. Livros consagrados, como “As Vinhas da Ira”, de John Steinbeck, e “Johnny vai à Guerra”, de Dalton Trumbo, foram retirados das estantes. Os filmes de Hollywood também foram pressionados a mostrar temas e histórias considerados “apropriados para o americano médio”. Até o rock’n’roll foi depreciado por muitos como produto de inspiração comunista.
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