Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação revela que pelo menos 13 parentes de dirigentes máximos do regime guardam o seu dinheiro nas Ilhas Virgens britânicas.

Nas últimas décadas um pequena elite ligada ao PC chinês acomulou fortunas desmesuradas MARK RALSTON/AFP
Numa altura que o regime chinês se mostra comprometido com a luta anti-corrupção e se desdobra em promessas de acabar com as desigualdades na China, uma investigação jornalística divulgada esta quarta-feira revela que familiares e próximos dos mais altos dirigentes chineses, incluindo o Presidente Xi Jinping e o ex-primeiro-ministro Wen Jiabao, ocultaram fortunas imensas em paraísos fiscais.
Segundo documentos financeiros obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) a que vários media tiveram acesso, entre eles o El País, o The Guardian, a BBC, o Le Monde, oSüddeutsche Zeitung e o japonês Asahi Shimbun, pelo menos 13 familiares de dirigentes máximos do regime, bem como 15 empresários e grandes companhias estatais acumularam as suas fortunas em sociedades off shore nas Ilhas Virgens britânicas.
Escreve o El País que esta prática corrobora uma das “debilidades sistémicas chinesas”: nas três décadas que passaram depois de Deng Xiaoping ter abandonado a economia central planificada e dado o salto para o capitalismo controlado pelo Partido Comunista Chinês, um pequeno sector da população enriqueceu de forma desmesurada graças à sua proximidade do poder.
Os documentos revelados pelo ICIJ, que traçam actividades económicas desde 2010, mostram como estas tramas familiares, pertencentes às mais sólidas linhagens comunistas, aproveitaram a opacidade das Ilhas Virgens para enviar dinheiro para fora do país evitando os circuitos habituais – e na China, “os circuitos habituais” estipulam que cada habitante só pode movimentar capital para o estrangeiro no valor de um máximo de 50 mil dólares por ano.
Império imobiliário
É neste verdadeiro who's who da elite política e financeira chinesa que vamos encontrar o nome de Deng Jiagui, marido de Qi Qiaoqiao, a irmã mais velha do actual Presidente chinês. O casal construiu um império imobiliário em Hong Kong e Shenzhen em apenas 20 anos e guarda agora muita da sua fortuna em empresas com sede nas Ilhas Virgens.
Wen Yunsong, filho do ex-primeiro-minsitro, Wen Jiabao, também lá tem a empresa fictícia Trend Gold Consultants. Li Xiaolin, filha do ex-primeiro-ministro Li Peng, milionária do sector da energia, também aparece nos documentos revelados pelo ICIJ. Há também várias empresas ligadas a altos cargos do PC chinês
Fontes próximas do regime chinês, citada pelo El País, argumentam que a abertura de sociedades em paraísos fiscais não está vinculada com práticas de corrupção ou delito e insistem que se trata de uma prática comum de empresários chineses para competir – transformando dinheiro chinês em capital estrangeiro – com as empresas estrangeiras que investem na China e que beneficiam de benefícios fiscais por parte do governo de Pequim.
Sem surpresa, revela a AFP, o site do ICIJ está esta quarta-feira inacessível na China, bem como todos os sites dos medias que colaboraram e divulgarem este trabalho de investigação.
PÚBLICO
Nas últimas décadas um pequena elite ligada ao PC chinês acomulou fortunas desmesuradas MARK RALSTON/AFP
Numa altura que o regime chinês se mostra comprometido com a luta anti-corrupção e se desdobra em promessas de acabar com as desigualdades na China, uma investigação jornalística divulgada esta quarta-feira revela que familiares e próximos dos mais altos dirigentes chineses, incluindo o Presidente Xi Jinping e o ex-primeiro-ministro Wen Jiabao, ocultaram fortunas imensas em paraísos fiscais.
Segundo documentos financeiros obtidos pelo Consórcio Internacional de Jornalistas de Investigação (ICIJ, na sigla em inglês) a que vários media tiveram acesso, entre eles o El País, o The Guardian, a BBC, o Le Monde, oSüddeutsche Zeitung e o japonês Asahi Shimbun, pelo menos 13 familiares de dirigentes máximos do regime, bem como 15 empresários e grandes companhias estatais acumularam as suas fortunas em sociedades off shore nas Ilhas Virgens britânicas.
Escreve o El País que esta prática corrobora uma das “debilidades sistémicas chinesas”: nas três décadas que passaram depois de Deng Xiaoping ter abandonado a economia central planificada e dado o salto para o capitalismo controlado pelo Partido Comunista Chinês, um pequeno sector da população enriqueceu de forma desmesurada graças à sua proximidade do poder.
Os documentos revelados pelo ICIJ, que traçam actividades económicas desde 2010, mostram como estas tramas familiares, pertencentes às mais sólidas linhagens comunistas, aproveitaram a opacidade das Ilhas Virgens para enviar dinheiro para fora do país evitando os circuitos habituais – e na China, “os circuitos habituais” estipulam que cada habitante só pode movimentar capital para o estrangeiro no valor de um máximo de 50 mil dólares por ano.
Império imobiliário
É neste verdadeiro who's who da elite política e financeira chinesa que vamos encontrar o nome de Deng Jiagui, marido de Qi Qiaoqiao, a irmã mais velha do actual Presidente chinês. O casal construiu um império imobiliário em Hong Kong e Shenzhen em apenas 20 anos e guarda agora muita da sua fortuna em empresas com sede nas Ilhas Virgens.
Wen Yunsong, filho do ex-primeiro-minsitro, Wen Jiabao, também lá tem a empresa fictícia Trend Gold Consultants. Li Xiaolin, filha do ex-primeiro-ministro Li Peng, milionária do sector da energia, também aparece nos documentos revelados pelo ICIJ. Há também várias empresas ligadas a altos cargos do PC chinês
Fontes próximas do regime chinês, citada pelo El País, argumentam que a abertura de sociedades em paraísos fiscais não está vinculada com práticas de corrupção ou delito e insistem que se trata de uma prática comum de empresários chineses para competir – transformando dinheiro chinês em capital estrangeiro – com as empresas estrangeiras que investem na China e que beneficiam de benefícios fiscais por parte do governo de Pequim.
Sem surpresa, revela a AFP, o site do ICIJ está esta quarta-feira inacessível na China, bem como todos os sites dos medias que colaboraram e divulgarem este trabalho de investigação.
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