Segunda maior cidade e antiga capital ucraniana é foco de confrontos entre manifestantes e policiais
Após ativistas pró-Rússia declararem independência em Donetsk nesta segunda-feira (07/04), Carcóvia - também localizada na porção leste da Ucrânia - passou por processo semelhante. Manifestantes da segunda maior cidade e antiga capital do país proclamaram independência e "fundaram" a “República Nacional de Carcóvia” nesta tarde.

Mariane Roccelo/ Opera Mundi

Mapa apresenta região de predomínio de língua russa na porção leste da Ucrânia; Carcóvia e Donetsk estão nela

Um grupo de “deputados" locais declarou autoria e a responsabilidade pelas atividades do governo em Carcóvia, segundo a agência russa Itar-Tass. O movimento foi proclamado próximo a um prédio administrativo. Todas as outras decisões serão tomadas pelas pessoas que habitam a região na forma de um referendo, anunciou o grupo.

Na noite desta segunda, manifestantes entraram em confronto com policiais em frente à sede do governo de Carcóvia, onde jogaram coquetéis Molotov. Além disso, os ativistas pró-Rússia também colocaram fogo em um prédio administrativo. De acordo com a agência Interfax, há pelo menos dois feridos.

Reprodução/ @RT

Manifestantes pró-Rússia colocam fogo em prédio administrativo na noite desta segunda-feira (07/04)

Com o cenário turbulento na região leste da Ucrânia, as autoridades do governo interino acusaram o Kremlin de orquestrar os movimentos como primeiro passo para uma invasão. Uma fonte do Ministério do Interior ucraniano disse à agência RIA Novosti que Kiev está transferindo três unidades de forças especiais para a porção leste.

“Os participantes de tal provocação estão tomando grande responsabilidade por ameaçar os direitos, liberdades e vidas na Ucrânia. Nós exigimos que parem imediatamente com todas as preparações militares que poderiam levar a uma guerra”, declarou o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, após as autoridades ucranianas enviarem tropas para a fronteira leste.

Turbulência em Donetsk

Na manhã desta segunda, ativistas pró-Rússia que ocupam o prédio do governo local de Donetsk, cidade no sudeste da Ucrânia a 80 km da fronteira russa, desde domingo (06/04) que a região agora é uma "república soberana" que não estará mais subordinada ao governo central da capital Kiev. "A República Popular de Donetsk se estabelece dentro dos limites administrativos da região. Esta decisão passará a ter efeitos após o referendo", assinala o documento.

O conselho também anunciou que está marcado para 11 de maio -- duas semanas antes das eleições presidenciais na Ucrânia -- um referendo popular que decidirá se Donetsk continua unida a Kiev ou se passa a fazer parte da Rússia, como aconteceu com a Crimeia há algumas semanas, após adeposição do presidente Viktor Yanukovich, no fim de fevereiro.

Também hoje, o presidente interino da Ucrânia, Alexandr Turchinov, disse que Kiev prepara uma série de "operações antiterroristas" para reprimir os manifestantes que pegaram em armas contra as autoridades ucranianas. Nesta semana, o Parlamento deverá discutir a adesão de leis mais rígidas contra levantes separatistas, podendo até banir certos partidos e organizações civis, conforme alertou Turchinov.

Efe

Manifestantes hateiam bandeiras russas à frente do prédio da administração regional em Donetsk, no sudeste da Ucrânia


Opera Mundi



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