Disputa entre holandeses e realistas britânicos foi resolvida sem guerra, mas Tratado de Paz só foi elaborado no século XX
Chega ao fim, em 1986, com a assinatura de um tratado de paz entre a Holanda e as Ilhas Scilly (pertencentes ao Reino Unido), a "Guerra dos 335 Anos", um dos conflitos internacionais mais longos e também o mais pacífico da história, não tendo sido registrada uma única morte, ou nem sequer um único tiro.
Por mais estranho que pareça, essa guerra existiu tanto sob o ponto de vista histórico quanto legal, e só durou tanto tempo pela ausência de um Tratado de Paz. O conflito, iniciado em 1651, chegou à paz de fato em 1654, e envolvia uma disputa entre a então República dos Sete Países Baixos Unidos (equivalente à Holanda) sobre o pequeno arquipélago, de possessão britânica.
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Bandeira da República dos Países Baixos e da ilha de Scilly (não oficial)
As origens do conflito ocorrem no na segunda guerra civil inglesa (1642-1652), travada entre os defensores da realeza e os parlamentaristas, apoiados por Oliver Cromwell. Praticamente derrotados, os realistas fugiram para as ilhas Scilly, ao oeste da Cornualha, um pequeno arquipélago de 16 mil quilômetros quadrados localizado no extremo sudoeste da ilha da Grã-Bretanha. Os holandeses, por sua vez, apoiavam as forças de Cromwell, já que os britânicos os ajudaram na independência contra a Espanha.
Encurralados, os realistas realizavam atos de pirataria e atacavam navios da marinha holandesa. Em março de 1651, o almirante Maarten Harpertszoon Tromp foi ao arquipélago pedir reparação. Como não obteve resposta satisfatória, a Holanda declarou guerra às ilhas – já que a maior parte dos realistas já havia sido derrotada na Grâ-Bretanha.
Por mais estranho que pareça, essa guerra existiu tanto sob o ponto de vista histórico quanto legal, e só durou tanto tempo pela ausência de um Tratado de Paz. O conflito, iniciado em 1651, chegou à paz de fato em 1654, e envolvia uma disputa entre a então República dos Sete Países Baixos Unidos (equivalente à Holanda) sobre o pequeno arquipélago, de possessão britânica.
Bandeira da República dos Países Baixos e da ilha de Scilly (não oficial)
As origens do conflito ocorrem no na segunda guerra civil inglesa (1642-1652), travada entre os defensores da realeza e os parlamentaristas, apoiados por Oliver Cromwell. Praticamente derrotados, os realistas fugiram para as ilhas Scilly, ao oeste da Cornualha, um pequeno arquipélago de 16 mil quilômetros quadrados localizado no extremo sudoeste da ilha da Grã-Bretanha. Os holandeses, por sua vez, apoiavam as forças de Cromwell, já que os britânicos os ajudaram na independência contra a Espanha.
Encurralados, os realistas realizavam atos de pirataria e atacavam navios da marinha holandesa. Em março de 1651, o almirante Maarten Harpertszoon Tromp foi ao arquipélago pedir reparação. Como não obteve resposta satisfatória, a Holanda declarou guerra às ilhas – já que a maior parte dos realistas já havia sido derrotada na Grâ-Bretanha.
Porém, em junho, antes de qualquer ataque holandês, as forças britânicas parlamentaristas forçaram a rendição total dos realistas. Devido à peculiaridade de uma nação declarar guerra contra apenas uma pequena fração da outra, a Holanda não declarou paz oficialmente, e as duas partes permaneceram oficialmente em estado de guerra.
Wikimedia Commons

Foto atual de Tresco, uma das cinco ilhas habitadas do arquipélago de Scilly, que "resistiu" a 335 anos de "guerra" contra a Holanda
Já em 1985, um historiador e político representante das ilhas, Roy Duncan, escreveu para a Embaixada holandesa em Londres perguntando sobre se o “mito” de que as ilhas estariam em guerra tinha algum fundo de verdade. Como a afirmação foi positiva, Duncan convidou o embaixador a visitar o arquipélago e assinar um Tratado de Paz. Durante o discurso para a assinatura do tratado, o embaixador ainda brincou dizendo “que deve ter sido angustiante para todos os scillianos nesses últimos séculos saberem que poderiam ter sido atacados a qualquer momento”.
A mais curta
Uma curiosidade sobre as guerras é que, enquanto a Holanda manteve um conflito por mais de três séculos contra uma dependência britânica, no que muitos historiadores consideram o período mais extenso de uma disputa hostil entre dois ou mais países, o Reino Unido também esteve envolvido no que se pode considerar a guerra mais curta da História: a Anglo-Zanzibari, travada em apenas 38 minutos e com uma vitória arrasadora dos britânicos.
Ela iniciou-se às 9h02 de 27 de agosto de 1896 e encerrou-se às 9h40, com a ascensão ao poder do sultão Khalid Bin Bargash no comando da pequena ilha africana do Oceano Índico, hoje pertencente à Tanzânia, que não tinha a aprovação britânica. Um rápido bombardeio destruiu parte do castelo real (notadamente o harém), o sultão obteve asilo na embaixada alemã, um sultão fantoche foi empossado e a ilha passou por um longo período de domínio britânico.
Opera Mundi
Wikimedia Commons

Foto atual de Tresco, uma das cinco ilhas habitadas do arquipélago de Scilly, que "resistiu" a 335 anos de "guerra" contra a Holanda
Já em 1985, um historiador e político representante das ilhas, Roy Duncan, escreveu para a Embaixada holandesa em Londres perguntando sobre se o “mito” de que as ilhas estariam em guerra tinha algum fundo de verdade. Como a afirmação foi positiva, Duncan convidou o embaixador a visitar o arquipélago e assinar um Tratado de Paz. Durante o discurso para a assinatura do tratado, o embaixador ainda brincou dizendo “que deve ter sido angustiante para todos os scillianos nesses últimos séculos saberem que poderiam ter sido atacados a qualquer momento”.
A mais curta
Uma curiosidade sobre as guerras é que, enquanto a Holanda manteve um conflito por mais de três séculos contra uma dependência britânica, no que muitos historiadores consideram o período mais extenso de uma disputa hostil entre dois ou mais países, o Reino Unido também esteve envolvido no que se pode considerar a guerra mais curta da História: a Anglo-Zanzibari, travada em apenas 38 minutos e com uma vitória arrasadora dos britânicos.
Ela iniciou-se às 9h02 de 27 de agosto de 1896 e encerrou-se às 9h40, com a ascensão ao poder do sultão Khalid Bin Bargash no comando da pequena ilha africana do Oceano Índico, hoje pertencente à Tanzânia, que não tinha a aprovação britânica. Um rápido bombardeio destruiu parte do castelo real (notadamente o harém), o sultão obteve asilo na embaixada alemã, um sultão fantoche foi empossado e a ilha passou por um longo período de domínio britânico.
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