Ele desempenhou papel central na criação do moderno Partido Conservador, definindo suas políticas e objetivos mais amplos
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Benjamin Disraeli, politico conservador britânico, escritor e aristocrata que governou duas vezes como primeiro-ministro, morre em Londres em 19 de abril de 1881. Desempenhou papel central na criação do moderno Partido Conservador, definindo suas políticas e objetivos mais amplos. É lembrado como uma voz influente em negócios externos, pelas batalhas políticas contra o líder liberal William Gladstone, outro grande dirigente britânico do fim do século 19. Fez do Partido Conservador o mais identificado com a glória e poder do Império Britânico.
Nascido em Londres em 21 de dezembro de 1804, filho mais velho de Isaac D'Israeli, o acontecimento mais importante da sua infância deveu-se à disputa do pai com a sinagoga londrina. A disputa fez com que o pai rompesse com o judaísmo e o batizasse, em 31 de Julho de 1817, tornando-o membro da Igreja Anglicana, no mesmo ano em que Disraeli cumpriria seu Bar Mitzvá.
Muda então o seu sobrenome de D'Israeli para Disraeli, porém jamais renegou suas origens. Mais tarde, quando um de seus adversários lhe jogou na cara essas origens, respondeu que seus ancestrais eram religiosos do Templo de Salomão enquanto os de seu interlocutor eram selvagens de alguma ilha desconhecida.
Seu pai, escritor, lhe prescreve uma carreira de advogado que rapidamente abandona. Nos anos 1820, é mal sucedido em diversas especulações bem como no lançamento de um jornal. Escreve romances inspirados em sua história pessoal. A maior parte é de fracassos, porém uma trilogia publicada nos anos 1840 lhe valeu – o que perdura até os dias de hoje – um certo reconhecimento literário: Coningsby e Sybil ou as Duas Nações, em que descreve a miséria das classes trabalhadoras inglesas e Tancredo, sobre os liames entre o judaísmo e o cristianismo.
Cheio de si e convencido que iria ser um vencedor, a despeito de uma formação comum, multiplica as conquistas femininas antes de se casar com uma mulher 12 anos mais velha. Suas relações com os homens eram mais difíceis e suscitou ao longo da vida ódios profundos.
Ingressando na política, Disraeli apoia por um tempo os radicais, todavia foi como conservador (tory) que se elegeu deputado em 1837. A tensão entre esses dois polos políticos marcaria toda a sua carreira. Embora conservador, preocupou-se com a sorte dos trabalhadores. Seu primeiro discurso no Parlamento foi uma catástrofe, porém nos anos seguintes conquista muita influência.
Em 1844, o Partido Conservador se divide entre os partidários do livre-mercado, favoráveis a uma supressão dos direitos de aduana sobre os cereais a fim de diminuir o preço do pão e em consequência o salário dos operários e aqueles que sustentavam manter os impostos e proteger a agricultura. Disraeli se alinha a este último grupo, contra o primeiro ministro Robert Peel e a maioria dos ‘tories’. Posicionou-se à frente dessa facção e passa a se destacar na cena política.
Em 1851, é designado ministro das Finanças, no entanto, vítima de velhos rancores, arrasta o governo de Lord Derby à queda. Não obstante, volta a ser ministro em 1858-1859 e depois em 1866. No ano seguinte, sucede a Lord Derby como primeiro ministro e faz votar uma grande reforma eleitoral que praticamente dobre o número de eleitores.
Contudo, as eleições de 1868 e sua derrota diante do libral Gladstone o devolve à oposição. A vida política britânica seria marcada desde então pelo enfrentamento desses dois políticos.
Na oposição, Disraeli combate as iniciativas de Gladstone em favor dos irlandeses. Em 24 de junho de 1872, no Crystal Palace, o suntuoso palácio de exposições londrino inaugurado 20 anos antes pelo príncipe Albert, pronuncia um estrepitoso discurso em defesa das conquistas coloniais britânicas. Esse pronunciamento balizaria o essencial da política externa que iria levar a efeito.
Em 1874, o triunfo eleitoral dos conservadores lhe permite formar um novo governo. Logo, a rainha Victoria passa a lhe dedicar apreço e simpatia e, Disraeli, em retribuição, se tornaria seu mais fiel sustentáculo, recebendo em troca o título de Primeiro Conde de Beaconsfield. Ao oferecer à soberana o epíteto de Imperadora das Índias colocou-a no mesmo patamar do tsar da Rússia em termos de extensão territorial sob seu domínio, que compreendia as intenções sobre os Bálcãs até os confins indianos.
O mandato de Disraeli foi marcado sobretudo por medidas sociais: generalização da água corrente e tratada; destruição das bibocas e construção de vivendas decentes; proteção dos trabalhadores contra os excessos patronais.
Seu canto do cisne ocorre com a derrota eleitoral em 1880. O velho dirigente não sobreviveria mais que um ano.
Opera Mundi
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Nascido em Londres em 21 de dezembro de 1804, filho mais velho de Isaac D'Israeli, o acontecimento mais importante da sua infância deveu-se à disputa do pai com a sinagoga londrina. A disputa fez com que o pai rompesse com o judaísmo e o batizasse, em 31 de Julho de 1817, tornando-o membro da Igreja Anglicana, no mesmo ano em que Disraeli cumpriria seu Bar Mitzvá.
Muda então o seu sobrenome de D'Israeli para Disraeli, porém jamais renegou suas origens. Mais tarde, quando um de seus adversários lhe jogou na cara essas origens, respondeu que seus ancestrais eram religiosos do Templo de Salomão enquanto os de seu interlocutor eram selvagens de alguma ilha desconhecida.
Seu pai, escritor, lhe prescreve uma carreira de advogado que rapidamente abandona. Nos anos 1820, é mal sucedido em diversas especulações bem como no lançamento de um jornal. Escreve romances inspirados em sua história pessoal. A maior parte é de fracassos, porém uma trilogia publicada nos anos 1840 lhe valeu – o que perdura até os dias de hoje – um certo reconhecimento literário: Coningsby e Sybil ou as Duas Nações, em que descreve a miséria das classes trabalhadoras inglesas e Tancredo, sobre os liames entre o judaísmo e o cristianismo.
Cheio de si e convencido que iria ser um vencedor, a despeito de uma formação comum, multiplica as conquistas femininas antes de se casar com uma mulher 12 anos mais velha. Suas relações com os homens eram mais difíceis e suscitou ao longo da vida ódios profundos.
Ingressando na política, Disraeli apoia por um tempo os radicais, todavia foi como conservador (tory) que se elegeu deputado em 1837. A tensão entre esses dois polos políticos marcaria toda a sua carreira. Embora conservador, preocupou-se com a sorte dos trabalhadores. Seu primeiro discurso no Parlamento foi uma catástrofe, porém nos anos seguintes conquista muita influência.
Em 1844, o Partido Conservador se divide entre os partidários do livre-mercado, favoráveis a uma supressão dos direitos de aduana sobre os cereais a fim de diminuir o preço do pão e em consequência o salário dos operários e aqueles que sustentavam manter os impostos e proteger a agricultura. Disraeli se alinha a este último grupo, contra o primeiro ministro Robert Peel e a maioria dos ‘tories’. Posicionou-se à frente dessa facção e passa a se destacar na cena política.
Em 1851, é designado ministro das Finanças, no entanto, vítima de velhos rancores, arrasta o governo de Lord Derby à queda. Não obstante, volta a ser ministro em 1858-1859 e depois em 1866. No ano seguinte, sucede a Lord Derby como primeiro ministro e faz votar uma grande reforma eleitoral que praticamente dobre o número de eleitores.
Contudo, as eleições de 1868 e sua derrota diante do libral Gladstone o devolve à oposição. A vida política britânica seria marcada desde então pelo enfrentamento desses dois políticos.
Na oposição, Disraeli combate as iniciativas de Gladstone em favor dos irlandeses. Em 24 de junho de 1872, no Crystal Palace, o suntuoso palácio de exposições londrino inaugurado 20 anos antes pelo príncipe Albert, pronuncia um estrepitoso discurso em defesa das conquistas coloniais britânicas. Esse pronunciamento balizaria o essencial da política externa que iria levar a efeito.
Em 1874, o triunfo eleitoral dos conservadores lhe permite formar um novo governo. Logo, a rainha Victoria passa a lhe dedicar apreço e simpatia e, Disraeli, em retribuição, se tornaria seu mais fiel sustentáculo, recebendo em troca o título de Primeiro Conde de Beaconsfield. Ao oferecer à soberana o epíteto de Imperadora das Índias colocou-a no mesmo patamar do tsar da Rússia em termos de extensão territorial sob seu domínio, que compreendia as intenções sobre os Bálcãs até os confins indianos.
O mandato de Disraeli foi marcado sobretudo por medidas sociais: generalização da água corrente e tratada; destruição das bibocas e construção de vivendas decentes; proteção dos trabalhadores contra os excessos patronais.
Seu canto do cisne ocorre com a derrota eleitoral em 1880. O velho dirigente não sobreviveria mais que um ano.
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