Luiz Augusto Lima

Gilmar dos Santos Neves: elegância e títulos
Se fosse possível juntar em uma mesma sala estes 32 homens, duvido que você, que ama o futebol, não ficaria com vontade de bater um papo com cada um deles. Olhar nos olhos, pedir para ouvir histórias, e admirar este ar discreto e meio enigmático – característico da profissão escolhida por estes 32 homens.
Eles formam o seleto grupo de goleiros convocados para defender a seleção brasileira em Copas do Mundo. Se os bons goleiros já merecem admiração, os que vão a Mundiais merecem tratamento igual àquele que americanos e russos dedicam aos seus astronautas.
Isso mesmo. Goleiros talentosos são como astronautas. Emanam inteligência e equilíbrio, como se nascessem para alcançar as estrelas.
De Joel e Velloso, que jogaram a Copa de 30, a Julio Cesar, titular em 2010, difícil escolher o melhor. Podemos citar Gilmar dos Santos Neves, titular na conquista do bi em 58/62, Taffarel, o herói do tetra, ou Marcos, o Santo do penta. Mas como deixar de lado o injustiçado tricampeão Félix ou Castilho, convocado para quatro Copas? E já ia me esquecendo de Leão, também convocado para quatro edições de Mundiais.
Não, não dá para escolher apenas um. Muito menos citar um “pior”. Talvez você lembre de Carlos e sua infelicidade na disputa de pênaltis com a França, em 86, ou ótimo Waldir Peres, que protagonizou o inacreditável peru contra a URSS, em 82. Mas não, não existe um pior. Ao escolher este caminho, correríamos o mesmo risco de repetir o que gerações passadas fizeram com Barbosa.
Infelizmente não veremos estes 32 sujeitos reunidos numa mesma sala. Boa parte deles já partiu para outras galáxias. Deveriam ganhar uma bela muralha, com uma placa onde poderíamos ler seus nomes e feitos.
Como os astronautas.
Confira a seguir todos os goleiros brasileiros em Copas:
1930 – Uruguai
Joel (América-RJ) – J – 1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
Velloso (Fluminense) – J – 1 / V – 1 / E – 0 / D – 0
1934 – Itália
Pedrosa (Botafogo) – J -1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
Germano (Botafogo) – J – 0
1938 – França
Batatais (Fluminense) – J – 2 / V – 2 / E – 0 / D – 0
Walter Goulart (Flamengo) – J – 3 / V – 1 / E – 1 / D – 1
1950 – Brasil
Barbosa (Vasco) – J – 6 / V – 4 / E – 1 / D – 1
Castilho (Fluminense) – J – 0
1954 – Suíça
Castilho (Fluminense) – J -3 / V – 1 / E – 1 / D – 1
Veludo (Fluminense) – J – 0
Cabeção (Corinthians) – J – 0
1958 – Suécia
Gilmar dos Santos Neves (Corinthians) – J – 6 / V – 5 / E – 1 / D – 0
Castilho (Fluminense) – J -0
1962 – Chile
Gilmar dos Santos Neves (Santos) – J – 6 / V – 5 – E – 1 / D – 0
Castilho (Fluminense) – J – 0
1966 – Inglaterra
Gilmar dos Santos Neves (Santos) – J – 2 / V – 1 / E – 0 / D – 1
Manga (Botafogo) – J – 1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
1970 – México
Félix (Fluminense) – J – 6 / V – 6 / E – 0 / D – 0
Ado (Corinthians) – J – 0
Leão (Palmeiras) – J – 0
1974 – Alemanha Ocidental
Leão (Palmeiras) – J – 7 / V – 3 / E – 2 / D – 2
Renato (Flamengo) – J – 0
Waldir Peres (São Paulo) – J – 0
1978 – Argentina
Leão (Palmeiras) – J – 7 / V – 4 / E – 3 / D – 0
Carlos (Ponte Preta) – J -0
Waldir Peres (São Paulo) – J – 0
1982 – Espanha
Waldir Peres (São Paulo ) – J – 5 / V – 4 / E – 0 / D – 1
Paulo Sérgio (Botafogo) – J – 0
Carlos (Ponte Preta) – J – 0
1986 – México
Carlos (Corinthians) – J – 5 / V – 4 / E – 1* / D – 0
Paulo Vitor (Fluminense) – J – 0
Leão (Palmeiras) – J – 0
*Derrota nos pênaltis para a França.
1990 – Itália
Taffarel (Internacional) – J – 4 / V – 3 / E – 0 / D – 1
Acácio (Vasco) – J -0
Zé Carlos (Flamengo) – J -0
1994 – Estados Unidos
Taffarel (Reggiana-ITA) – J – 7 / V – 5 / E – 2* / D – 0
Zetti (São Paulo) – J – 0
Gilmar (Flamengo) – J – 0
*Vitória nos pênaltis sobre a Itália.
1998 – França
Taffarel (Atlético-MG) – J – 7 / V – 4 / E – 1* / D – 2
Carlos Germano (Vasco) – J – 0
Dida (Cruzeiro) – J – 0
*Vitória nos pênaltis sobre a Holanda.
2002 – Coreia do Sul e Japão
Marcos (Palmeiras) – J – 7 / V – 7 / E – 0 / D – 0
Dida (Corinthians) – J – 0
Rogério Ceni (São Paulo) – J – 0
2006 – Alemanha
Dida (Milan-ITA) – J – 5 / V – 4 / E – 0 / D – 1
Rogério Ceni (São Paulo) – J – 1* / V – 1 / E – 0 / D – 0
Julio Cesar – (Internazionale-ITA) J – 0
*Entrou durante a vitória sobre o Japão.
2010 – África do Sul
Julio Cesar (Internazionale-ITA) – J – 5 / V – 3 / E – 1 / D – 1
Gomes (Tottenham-ING) – J – 0
Doni (Roma-ITA) – J – 0

Taffarel: digno representante de uma nobre linhagem
O Esporte Fino publica às sextas-feiras posts sobre Copa do Mundo. A série vai até dia 13 de julho, data da final do Mundial, e será ampliada durante o torneio.
Esporte Fino
Gilmar dos Santos Neves: elegância e títulos
Se fosse possível juntar em uma mesma sala estes 32 homens, duvido que você, que ama o futebol, não ficaria com vontade de bater um papo com cada um deles. Olhar nos olhos, pedir para ouvir histórias, e admirar este ar discreto e meio enigmático – característico da profissão escolhida por estes 32 homens.
Eles formam o seleto grupo de goleiros convocados para defender a seleção brasileira em Copas do Mundo. Se os bons goleiros já merecem admiração, os que vão a Mundiais merecem tratamento igual àquele que americanos e russos dedicam aos seus astronautas.
Isso mesmo. Goleiros talentosos são como astronautas. Emanam inteligência e equilíbrio, como se nascessem para alcançar as estrelas.
De Joel e Velloso, que jogaram a Copa de 30, a Julio Cesar, titular em 2010, difícil escolher o melhor. Podemos citar Gilmar dos Santos Neves, titular na conquista do bi em 58/62, Taffarel, o herói do tetra, ou Marcos, o Santo do penta. Mas como deixar de lado o injustiçado tricampeão Félix ou Castilho, convocado para quatro Copas? E já ia me esquecendo de Leão, também convocado para quatro edições de Mundiais.
Não, não dá para escolher apenas um. Muito menos citar um “pior”. Talvez você lembre de Carlos e sua infelicidade na disputa de pênaltis com a França, em 86, ou ótimo Waldir Peres, que protagonizou o inacreditável peru contra a URSS, em 82. Mas não, não existe um pior. Ao escolher este caminho, correríamos o mesmo risco de repetir o que gerações passadas fizeram com Barbosa.
Infelizmente não veremos estes 32 sujeitos reunidos numa mesma sala. Boa parte deles já partiu para outras galáxias. Deveriam ganhar uma bela muralha, com uma placa onde poderíamos ler seus nomes e feitos.
Como os astronautas.
Confira a seguir todos os goleiros brasileiros em Copas:
1930 – Uruguai
Joel (América-RJ) – J – 1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
Velloso (Fluminense) – J – 1 / V – 1 / E – 0 / D – 0
1934 – Itália
Pedrosa (Botafogo) – J -1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
Germano (Botafogo) – J – 0
1938 – França
Batatais (Fluminense) – J – 2 / V – 2 / E – 0 / D – 0
Walter Goulart (Flamengo) – J – 3 / V – 1 / E – 1 / D – 1
1950 – Brasil
Barbosa (Vasco) – J – 6 / V – 4 / E – 1 / D – 1
Castilho (Fluminense) – J – 0
1954 – Suíça
Castilho (Fluminense) – J -3 / V – 1 / E – 1 / D – 1
Veludo (Fluminense) – J – 0
Cabeção (Corinthians) – J – 0
1958 – Suécia
Gilmar dos Santos Neves (Corinthians) – J – 6 / V – 5 / E – 1 / D – 0
Castilho (Fluminense) – J -0
1962 – Chile
Gilmar dos Santos Neves (Santos) – J – 6 / V – 5 – E – 1 / D – 0
Castilho (Fluminense) – J – 0
1966 – Inglaterra
Gilmar dos Santos Neves (Santos) – J – 2 / V – 1 / E – 0 / D – 1
Manga (Botafogo) – J – 1 / V – 0 / E – 0 / D – 1
1970 – México
Félix (Fluminense) – J – 6 / V – 6 / E – 0 / D – 0
Ado (Corinthians) – J – 0
Leão (Palmeiras) – J – 0
1974 – Alemanha Ocidental
Leão (Palmeiras) – J – 7 / V – 3 / E – 2 / D – 2
Renato (Flamengo) – J – 0
Waldir Peres (São Paulo) – J – 0
1978 – Argentina
Leão (Palmeiras) – J – 7 / V – 4 / E – 3 / D – 0
Carlos (Ponte Preta) – J -0
Waldir Peres (São Paulo) – J – 0
1982 – Espanha
Waldir Peres (São Paulo ) – J – 5 / V – 4 / E – 0 / D – 1
Paulo Sérgio (Botafogo) – J – 0
Carlos (Ponte Preta) – J – 0
1986 – México
Carlos (Corinthians) – J – 5 / V – 4 / E – 1* / D – 0
Paulo Vitor (Fluminense) – J – 0
Leão (Palmeiras) – J – 0
*Derrota nos pênaltis para a França.
1990 – Itália
Taffarel (Internacional) – J – 4 / V – 3 / E – 0 / D – 1
Acácio (Vasco) – J -0
Zé Carlos (Flamengo) – J -0
1994 – Estados Unidos
Taffarel (Reggiana-ITA) – J – 7 / V – 5 / E – 2* / D – 0
Zetti (São Paulo) – J – 0
Gilmar (Flamengo) – J – 0
*Vitória nos pênaltis sobre a Itália.
1998 – França
Taffarel (Atlético-MG) – J – 7 / V – 4 / E – 1* / D – 2
Carlos Germano (Vasco) – J – 0
Dida (Cruzeiro) – J – 0
*Vitória nos pênaltis sobre a Holanda.
2002 – Coreia do Sul e Japão
Marcos (Palmeiras) – J – 7 / V – 7 / E – 0 / D – 0
Dida (Corinthians) – J – 0
Rogério Ceni (São Paulo) – J – 0
2006 – Alemanha
Dida (Milan-ITA) – J – 5 / V – 4 / E – 0 / D – 1
Rogério Ceni (São Paulo) – J – 1* / V – 1 / E – 0 / D – 0
Julio Cesar – (Internazionale-ITA) J – 0
*Entrou durante a vitória sobre o Japão.
2010 – África do Sul
Julio Cesar (Internazionale-ITA) – J – 5 / V – 3 / E – 1 / D – 1
Gomes (Tottenham-ING) – J – 0
Doni (Roma-ITA) – J – 0
Taffarel: digno representante de uma nobre linhagem
O Esporte Fino publica às sextas-feiras posts sobre Copa do Mundo. A série vai até dia 13 de julho, data da final do Mundial, e será ampliada durante o torneio.
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