Foto: international Monetary Fund

Assim, o apoio transforma-se em dependência financeira. Em opinião de peritos, qualquer dependência, como é sabido, torna-se dificilmente ultrapassada.

Formalmente, a missão do FMI consiste em “prestar ajuda aos países necessitados”. Mas na realidade, essa ajuda famigerada não passa além de belas declarações. Logo que a direção de um país solicite um crédito do FMI, ela recebe imediatamente as condições de sua concessão.

Uma das principais exigências apresentadas é aumento do volume do intercâmbio comercial externo do Estado, que decorre paralelamente à diminuição de suas vendas internas, o que leva ao enfraquecimento econômico do país endividado, explica Nikolai Solabuto, perito em assuntos econômicos:

“Em opinião do FMI, o país devedor deve participar do intercâmbio comercial mundial e quanto mais, tanto melhor. Deste modo, o fundo apresenta constantemente exigências de aumentar o saldo comercial externo do país, o que pode levar à diminuição das trocas comerciais internas. Tal significa a redução de programas sociais e a reorientação da economia. A prática mostra que isso leva a uma séria dependência de países em relação ao intercâmbio comercial externo e, respetivamente, ao próprio FMI”.

Tal dependência influi sobretudo na vida de simples cidadãos. Pessoas deparam com a redução de salários, o aumento de tarifas de serviços municipalizados, a diminuição de subvenções agrícolas. Em resultado, a situação está piorando ainda mais, diz um perito, Roman Andreev:

“As condições não populares que o FMI apresente aos países solicitantes agravam a situação política e na realidade ajudam mal a economia. Por isso é melhor estimular a economia em vez de impor medidas “draconianas” que contribuem para completar o orçamento e ao mesmo tempo prejudicam o pequeno e médio empresariado”.

Consequências tristes já se veem na maioria dos países que, por razões óbvias, preferem não ter mais contatos com tal ajudante como o FMI. Mas ainda há “kamikazes” dispostos a arriscar a economia em prol de um futuro ilusório. O último exemplo patente disso é a Ucrânia. Kiev continua a acreditar tenazmente numa ajuda não interesseira do FMI. Mas os objetivos da instituição não coincidem com o sonho das autoridades ucranianas, diz Roman Andreev:

“A tarefa do FMI consiste em devolver o mais rápido possível o crédito concedido, em completar o orçamento, para que o Estado possa encontrar dinheiro para pagar juros. Mas tal prejudica a economia do país endividado em perspetiva de médio e longo prazo. Isso tem grande importância para a Ucrânia que precisa de enormes investimentos para desenvolver a infraestrutura, elevar o salário para o nível europeu e subsidiar a agricultura. Mas, em vez disso, a Ucrânia terá de vender gradualmente suas riquezas nacionais, para devolver o crédito ao FMI”.

É evidente que a Ucrânia não pretende tirar lições de erros alheios e não tem medo da catástrofe econômica. Por outro lado, é pouco provável que a ajuda do FMI salve o país. Mas, como se diz, a esperança é a última que morre.

Voz da Rússia


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