Há 207 anos, o principado libertava-se da ocupação francesa e russa das Guerras Napoleônicas
No dia 12 de julho de 1806, o Principado de Liechtenstein tornou-se um Estado soberano após ter sido ocupado por soldados franceses e russos durante os primeiros anos das Guerras Napoleônicas.
Mais tarde, em 1815, o pequeno país sem litoral, espremido entre a Suíça e a Áustria, juntou-se à Confederação Germânica. A total independência veio somente em 1866, quando a confederação se dissolveu. No entanto, até o fim da Primeira Guerra Mundial, o país permaneceu intimamente ligado à Áustria. A devastação do país causada pelo conflito obrigou Liechtenstein a participar de uma união aduaneira e monetária com a Suíça.
Nicolas Raymond/Flickr

Desenho estilizado da bandeira de Liechtenstein; há 207 anos, o principado tornava-se um Estado soberano
Desenho estilizado da bandeira de Liechtenstein; há 207 anos, o principado tornava-se um Estado soberano
Desde o fim da Segunda Guerra — em que o país se manteve neutro —, baixos impostos têm impulsionado sua economia. Muito dessa riqueza, porém, deve-se ao status de “paraíso fiscal” que o país adquiriu. Para combater essa imagem, Liechtenstein vem adotando medidas contra lavagem de dinheiro, tentando reposicionar-se como centro financeiro legítimo.
Em 2001, o governo encomendou um estudo revelando que bancos do país haviam colaborado com os nazistas e que trabalho escravo em campos de concentração foi utilizado em propriedades da coroa do principado na Áustria.
Em 2001, o governo encomendou um estudo revelando que bancos do país haviam colaborado com os nazistas e que trabalho escravo em campos de concentração foi utilizado em propriedades da coroa do principado na Áustria.
Origem romana
A história de Liechtenstein começa em 15 a. C. com a chegada dos romanos reivindicando aquelas terras como parte da província de Récia. Os povos nativos viviam nos sopés das montanhas. Por volta do século 4, os romanos construíram estradas e substituíram a antiga fé dos nativos pela nova religião do cristianismo. Durante o século 5, com o declínio do Império Romano, as tribos germânicas ocuparam a região e o dialeto alemão tornou-se a língua da terra.
Em 536, a Récia caiu em poder dos francos, tornando-se parte do reino de Carlos Magno e do Sacro Império Romano. Em 1699, um rico príncipe austríaco, Johann Adam de Liechtenstein , visando ingressar no Conselho de Príncipes da Europa, compra uma extensa propriedade ao norte do atual principado e em 1712, o condado de Vaduz.
Os dois territórios foram formalmente estabelecidos como Principado do Liechtenstein em 1719 e declarados pertencentes ao Sacro Império Romano Germânico em 1719.
Os dois territórios foram formalmente estabelecidos como Principado do Liechtenstein em 1719 e declarados pertencentes ao Sacro Império Romano Germânico em 1719.
Em 1806, Napoleão fez de Liechtenstein parte da Confederação do Reno da França. O principado recuperou a sua independência com a derrota de Napoleão em 1815. Em 1862, Liechtenstein adotou uma Constituição que dava aos cidadãos do sexo masculino o direito de votar e formar uma “Landtag”, ou parlamento. No entanto, a família principesca reteve considerável fatia do poder.
Em 1938, Franz Josef II mudou-se para o Castelo de Vaduz, tornando-se o primeiro príncipe de Liechtenstein a viver no país. O principado era em grande parte pobre e agrícola até depois da Segunda Guerra Mundial. Liechtenstein formou uma parceria estreita com a Suíça que incluía a livre circulação de mercadorias e de trabalhadores e a adoção por Liechtenstein do franco suíço como sua moeda. A aliança aduaneira alimentou o crescimento da economia do principado e a modernização das suas indústrias e serviços bancários.
Clemens v. Vogelsang/Flickr

Castelo de Vaduz, na capital de Liechtenstein, serviu de casa para Franz Josef II, primeiro príncipe a viver no país
Castelo de Vaduz, na capital de Liechtenstein, serviu de casa para Franz Josef II, primeiro príncipe a viver no país
Em 1984, foi concedido às mulheres o direito de votar e serem eleitas. Na década seguinte, o principado juntou-se à ONU (Organização das Nações Unidas), à European Free Trade Association, e à OMC (Organização Mundial do Comércio). Não aderiu à União Europeia.
No final dos anos 1990, sofreu duras críticas internacionais por suas leis de sigilo bancário, que permitiam que empresas estrangeiras e indivíduos lavassem ou ocultassem dinheiro de atividades criminosas e sonegassem impostos em seus países de origem. Isto levou a confrontos entre a maioria dos líderes eleitos de Liechtenstein, que defendiam uma reforma, e o príncipe Hans Adam II, que era contrário.
Nos anos seguintes, Hans Adam II tentou aumentar seus poderes. Desafiado pelo Landtag, colocou a questão a referendo em 2003, prometendo deixar o país se fosse derrotado. O povo se curvou à demanda do príncipe, aprovando o referendo com uma maioria de 64%. Em agosto de 2004, Hans Adam abdicou em favor de seu filho mais velho, Alois, mas manteve-se como chefe oficial de Estado.
No montanhoso principado de Liechtenstein, os últimos remanescentes do feudalismo medieval sobrevivem. A família real ainda vive num castelo do século 12, a partir do qual exerce o poder. No entanto, os visitantes não encontrarão camponeses oprimidos no principado, um minúsculo país onde os cidadãos gozam de pleno emprego, impostos baixos e serviços governamentais generosos.
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